Sudanesa condenada à morte por se converter ao cristianismo é libertada

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Meriam Ibrahim é casada com o americano Daniel Wani e havia sido presa sob lei da sharia; seu segundo filho nasceu na prisão

Um tribunal no Sudão ordenou nesta segunda-feira (23) a soltura da mulher de 27 anos condenada a morte no mês passado por ter se convertido ao cristianismo, de acordo com agência de notícias estatal. O caso de Meriam Ibrahim, que é casada com o americano Daniel Wani, desencadeou protesto internacional. Ela deu à luz sua filha na prisão.

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AP
Meriam Ibrahim sentada ao lado de Martin, seu filho de 1 ano e meio, segura seu bebé recém-nascido em Khartoum, Sudão (5/06)


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"O tribunal ordenou a libertação de Meriam Yahya e o cancelamento da decisão [anterior] judicial", de acordo com a agência de notícias do Sudão SUNA.

O filho de quase 2 anos do casal também estava preso com a mãe e a irmã recém-nascida. Um funcionário do governo disse à Reuters, no dia 31 de maio, que funcionários trabalhavam para libertar Meriam.

Além da sentença de morte por apostasia - crime de abandono da religião - ela também foi sentenciada a 100 chibatadas pelo que o tribunal considerou adultério, já que Meriam se casou com um cristão. Filha de pai muçulmano, a sudanesa foi condenada sob a lei islâmica da sharia, que está em vigor no Sudão desde 1983. Ela deu à luz apenas 12 dias após o veredito.

Durante e após o parto, ela teria de estar algemada, de acordo com as regras que estipulam o tratamento de prisioneiros no corredor da morte no Sudão. Mas Mohanad Mustafa, um dos advogados da sudanesa, disse à AFP na semana passada que os carcereiros retiraram as algemas assim que Meriam deu à luz sua filha.

“Essa é a ordem do médico", disse ele, acrescentando não achar que as algemas seriam colocadas novamente. "Depois que ela deu à luz as condições melhoraram. Ela tem ar condicionado, uma boa cama…", continuou.

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Governos e grupos de direitos humanos ocidentais pressionaram o Sudão a libertar Meriam. Líderes da União Europeia no início do mês pediram a revogação do "veredito desumano", enquanto o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, solicitou a revogação das leis que proíbem a conversão de muçulmanos a outras religiões.

Nascida no estado de Gedaref, leste do Sudão, no dia 3 de novembro de 1987, Meriam é filha de um pai muçulmano sudanês e mãe cristã ortodoxa, de acordo com comunicado da Arquidiocese de Cartum obtido na semana passada pela AFP. Seu pai abandonou a família quando a sudanesa tinha apenas cinco anos e ela foi criada de acordo com a fé de sua mãe.

"Ela nunca foi muçulmana em sua vida", segundo comunicado assinado pelo padre Mussa Timothy Kacho, vigário episcopal para Cartum. A sudanesa se juntou à Igreja católica pouco antes de se casar com Wani, em dezembro de 2011, de acordo com o vigário.

A mulher nasceu em Cartum, mas agora é uma cidadã dos EUA, a embaixada dos EUA confirmou à AFP na última terça-feira.

*Com Daily Mail

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