Aviões quenianos matam mais de 80 em ataques a grupo islâmico, diz Amisom

Por iG São Paulo |

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Caças atacaram bases do grupo islâmico Al-Shabab; militantes têm realizado uma série de ataques contra os militares do país

Caças quenianos atacaram duas bases do grupo rebelde islâmico Al-Shabab na Somália e mataram ao menos 80 militantes, anunciaram as forças de paz da União Africana na região nesta segunda-feira (23).

Dia 17: Presidente do Quênia culpa políticos do país por ataques

AP
Enterro realizado na fazenda Umoja em Mpeketoni, cerca de 100 km da fronteira com a Somália, na costa do Quênia (18/06)


Violência: Atiradores deixam 48 mortos em ataque no Quênia

A Missão da União Africana na Somália (Amisom), cujos soldados lançaram uma nova ofensiva contra o Al-Shabab este ano, disse que aviões quenianos realizaram incursões em Anole e Kuday na região sul de Baixo Juba. Não foi informado quando os ataques ocorreram.

"Os ataques aéreos em Anole deixaram mais de 30 combatentes do Al-Shabab mortos, três veículos técnicos e um Land Cruiser carregado com munição destruídos", informou a Amisom. Mais de 50 rebeldes foram mortos no ataque a Kuday, acrescentou.

O Quênia enviou suas primeiras tropas para a Somália em 2011, após vários ataques dentro de seu território atribuídos ao Al-Shabab, e mais tarde se uniu às forças de paz na região.

Os militantes já realizaram uma série de atentados para punir o Quênia por sua intervenção. Combatentes do Al-Shabab mataram ao menos 67 pessoas em um ataque a um shopping center de Nairóbi no ano passado.

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De acordo com a Amisom, o Al-Shabab perdeu o controle de mais de 10 grandes cidades com a nova ofensiva das tropas africanas, incluindo soldados de Uganda, Djibuti, Etiópia, Burundi e Serra Leoa.

Presidente

O presidente do Quênia culpou, na semana passada políticos, quenianos por dois ataques noturnos que deixaram ao menos 60 mortos em comunidades costeiras, dizendo que, apesar da reivindicação do Al-Shabab pelos ataques, os extremistas islâmicos não estão por trás disso.

Em discurso televisionado, o presidente Uhuru Kenyatta afirmou que as evidências indicam que líderes políticos locais no interior do Quênia estariam por trás do que ele chamou de violência motivada pela etnia. O grupo militante somali assumiu a responsabilidade pelas duas noites de ataques perto da ilha turística de Lamu, cujos alvos eram não muçulmanos.

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"O estilo de matar é o mesmo. Eles cortam as gargantas das vítimas ou atiram várias vezes na cabeça", disse Maisori.

Mas em uma surpreendente virada no caso, Kenyatta disse abertamente que o Al-Shabab não planejou executar o ataque, mas sim os líderes locais. Ele não foi mais específico sobre essas declarações.

Kenyatta disse que as autoridades policiais de Mpeketoni sabiam com antecedência sobre os ataques, mas não agiram. O presidente informou ainda que líderes políticos estão pregando a ideia de que alguns quenianos são menos humanos do que outros.

Os ataques ressaltam a segurança fraca em torno da área do Lamu, que fica ao sul da fronteira com a Somália. Lamu uma vez atraiu multidões de visitantes estrangeiros, mas seu setor turístico tem sofrido queda nos últimos anos por causa da violência.

Segundo o ministro do Interior Joseph Ole Lenku, o problema que o país enfrenta “é planejado e visa causar discórdia entre nossos habitantes". Enquanto isso, os líderes muçulmanos da maior mesquita de Nairobi condenaram nesta terça o que chamaram de atos selvagens e mortes horríveis e disseram não haver justificativa para as mortes. Os líderes muçulmanos alertaram para uma potencial brecha sectária.

"Nós precisamos estar cientes de que alguns desses ataques visam plantar sementes da discórdia e da animosidade entre quenianos e dividir o país ao longo das linhas étnicas e religiosas."

*Com AP e Reuters

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