Saiba mais sobre os grupos radicais islâmicos ainda em atividade pelo mundo

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Após quase 13 anos dos ataques de 11 de Setembro aos EUA, a Al-Qaeda, seus afiliados e outros grupos radicais ainda existem

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Quase 13 anos depois dos ataques de 11 de Setembro pela Al-Qaeda, o grupo, seus afiliados e outras organizações radicais islâmicas continuam em atividade. Mas quem são eles hoje? E como, depois de um amplo esforço internacional, eles continuam operando?

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Pouco restou da Al-Qaeda original, fundada em 1989 por Abdullah Yusuf Azzam e Osama Bin Laden após a retirada da União Soviética do Afeganistão. O próprio Bin Laden foi morto no Paquistão em 2011 após anos como fugitivo.

Seu sucessor, o cirurgião egípcio Ayman Zawahiri, que vive recluso e não tem carisma, continua solto e, ocasionalmente, envia mensagens online. No entanto, ele é criticado por jihadistas por ser cada vez mais irrelevante no cenário atual.

Um grande número de líderes e comandantes da Al-Qaeda foi capturado ou morto na última década, muitos atingidos por ataques polêmicos de aviões não tripulados, ou drones.

Acredita-se que o que restou do núcleo da Al-Qaeda esteja baseado na região tribal do Paquistão após deixar o Afeganistão em 2001. Mas autoridades que combatem o terrorismo têm pouco a comemorar.

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Em vez de eliminar a Al-Qaeda, as políticas fizeram com que a organização se dispersasse, dividindo-se em vários grupos diferentes pelo Oriente Médio, África e Ásia, com um grande número de simpatizantes jihadistas na Europa. Ataques continuam - apesar de não serem na mesma escala do 11 de setembro. Então, o que sustenta o fenômeno jihadista global?

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Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

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A lista a seguir aponta algumas razões que explicam por que o apelo global da Al-Qaeda ainda persiste.

Rivalidades nacionais e regionais

Do Saara ao sul das Filipinas, há rivalidades locais, nacionais e regionais que deram origem a organizações jihadistas, muitas vezes com ligações tênues ou até mesmo inexistentes com a liderança central da Al-Qaeda.

Na Nigéria, por exemplo, o Boko Haram começou como um movimento de base política e religiosa para promover os direitos de muçulmanos no norte da Nigéria, mas se tornou cada vez mais violento após 2009.

No Iêmen, a Al-Qaeda na Península Arábica tem capitalizado na instabilidade e no vácuo de segurança gerados pelas revoltas da Primavera Árabe de 2011.

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Má governança

É aqui que os extremistas têm um de seus principais impulsos. Em países de maioria muçulmana, onde governos e forças de segurança são vistos como corruptos, predatórios e abusivos, é fácil para recrutadores jihadistas encontrar voluntários.

Quando os governos são vistos como acolhedores e com boas relações com os Estados Unidos e o Ocidente, torna-se ainda mais fácil para os seguidores da Al-Qaeda recrutarem novos integrantes.

Vingança

Mais uma vez, esta é uma ferramenta poderosa para o recrutamento. Ataques aéreos americanos no Paquistão e no Iêmen, que mataram um grande número de jihadistas, também vitimaram civis, incluindo mulheres e crianças, inflando pedidos por vingança.

Onze anos depois de ter liderado a invasão do Iraque, os Estados Unidos continuam a ser um alvo para muitos, e são vistos por um grande número de pessoas no mundo árabe como a fonte de grande parte dos problemas da região.

Muitos jihadistas são impulsionados por um sentimento de que sua religião tem sido discriminada, oprimida ou insultada.

Frustrações pessoais

Muitos dos adeptos mais fanáticos da visão de mundo violenta da Al-Qaeda são homens jovens à procura de um papel, um propósito, na vida.

Alguns jihadistas europeus são convertidos ou tiveram adolescências conturbadas, com problemas com a polícia. Temporadas na prisão muitas vezes deixaram-nos mais radicalizados do que quando entraram. Quase todos têm uma visão muito negativa da autoridade do governo.

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