EUA enviaram conselheiros militares para assessorar o governo local, mas recusaram pedido de Bagdá por uma ofensiva aérea

Reuters

Forças iraquianas avançavam sobre o norte do Iraque nesta sexta-feira (20), buscando revidar contra rebeldes islâmicos sunitas cuja ofensiva em direção à capital, Bagdá, levou os Estados Unidos a enviarem conselheiros militares para assessorar o governo local.

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Militante islâmico identificado como Abu al-Muthanna, à dir.,da Grã-Bretanha, fala em imagem obtida por meio de vídeo divulgado no Iraque (19/06)
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Militante islâmico identificado como Abu al-Muthanna, à dir.,da Grã-Bretanha, fala em imagem obtida por meio de vídeo divulgado no Iraque (19/06)


Perto de Bagdá: Tropas disputam com milícia sunita controle de refinaria no Iraque

O presidente norte-americano, Barack Obama, ofereceu até 300 militares para ajudar a coordenar a contra-ofensiva. Mas ele recusou um pedido de ataques aéreos feito pelo governo xiita e renovou sua solicitação de que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki tome mais medidas para superar as divisões sectárias que provocaram ressentimentos entre a minoria sunita.

Na área ao redor de Samarra, na principal rodovia a 100 quilômetros de Bagdá, que se tornou uma frente de batalha com o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), o governador da província, um dos raros sunitas que apoiam Maliki, disse às tropas locais que elas iriam agora forçar o grupo rebelde e seus aliados a recuarem.

Uma fonte próxima a Maliki declarou à Reuters que o governo agora planeja retaliar, após ter detido o avanço do EIIL, que tomou a principal cidade do norte do país, Mosul, capital da província de Nínive, há 10 dias e foi descendo para o sul e ganhando terreno no vale do Tigre, de população sunita, em direção a Bagdá, sobrepujando o Exército iraquiano treinado pelos EUA.

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O governador da província de Saladino, Abdullah al-Jibouri, cuja capital provincial, Tikrit, foi tomada na semana passada, foi mostrado nesta sexta-feira pela televisão dizendo a soldados, ao sul de Samarra: “Hoje vamos em direção de Tikrit, Shargat e Nínive."

“Estas tropas não vão parar”, acrescentou, dizendo que as forças do governo ao redor de Samarra têm mais de 50 mil soldados.

Nesta semana o antes rápido avanço dos militantes desacelerou na área bem ao norte da capital, que abriga sunitas, mas também xiitas com medo do EIIL, que os vê como hereges que precisam ser eliminados. Samarra tem um grande templo xiita. E o ex-ditador Saddam Hussein foi enforcado em 2006 pelos assassinatos de xiitas perto de Sujail.

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A participação de milícias e dezenas de milhares de novos soldados voluntários xiitas fez com que os militares iraquianos voltassem a ganhar força após deserções em massa de soldados na semana passada, que permitiram que o EIIL conquistasse territórios, como parte de sua ofensiva para criar um califado - Estado Islâmico - que se estenda entre Iraque e Síria.

“A estratégia nos últimos dias era ter uma nova linha de defesa que parasse o avanço do EIIL”, disse um aliado próximo de Maliki à Reuters. “Fomos bem-sucedidos em parar o avanço e agora estamos tentando recuperar as áreas desnecessariamente perdidas.”

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Mas, em algumas regiões, o combate continuava. Forças do governo aparentemente ainda controlavam a refinaria de Baiji, a maior do país, 100 quilômetros ao norte de Samarra, de acordo com residentes.

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