Por crise, Espanha exclui pompa de cerimônia de coroação de Felipe

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Não haverá banquete ou autoridades estrangeiras na cerimônia de quinta-feira, em que convidados comerão petiscos em pé

O príncipe da coroa Felipe chega ao trono espanhol à meia-noite local de quinta-feira (19 horas desta quarta-feira em Brasília), mas não haverá nenhuma cerimônia de pompa. A crise econômica que deixou um quarto dos espanhóis sem trabalho estimulou o mais novo rei da Espanha a ser relativamente frugal em sua proclamação.

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Cerimônia de assinatura de legislação que estabelece base legal para sucessão da monarquia na Espanha (18/6)

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O pai do príncipe herdeiro, Juan Carlos, 76, calculou de forma errada o ultraje público com as dificuldades financeiras quando foi a uma caça de elefantes em um safári na África. Felipe, 46, parece pronto para mostrar que está sintonizado com seus compatriotas — e para evitar os erros de seu predecessor, que abdicou no dia 2.

A ocasião marcante é talvez mais notável pelo que não incluirá: nenhum banquete de Estado, nenhum membro da realeza estrangeira ou chefes de Estado, nenhuma cerimônia ou paradas de ostentação.

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Pelos padrões reais, será humilde: aos convidados da recepção serão oferecidos petiscos frios no estilo de tapas, que comerão de pé. Não haverá champagne, apenas um espumante da região catalã.

"Mais do que qualquer coisa isto é uma mensagem. O que querem dizer é: 'Estamos em um momento em que a sobriedade nos gastos mostra um certo senso de solidariedade em um tempo de dificuldade econômica", disse o professor de História da Universidade de Navarra Pablo Perez Lopez.

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Nesta quarta-feira, Juan Carlos assinou uma legislação, aprovada pelo Parlamento no início deste mês, estabelecendo a base legal para a sucessão. O monarca em processo de aposentadoria, que se submeteu a uma operação de substituição da bacia em novembro, usou um andador e se moveu com dificuldades durante a cerimônia televisionada. O premiê Mariano Rajoy imediatamente ratificou a lei.

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Príncipe da coroa espanhola Felipe (C) abraça seu pai, o rei Juan Carlos, perto da rainha Sofia (E) e da princesa Letizia em cerimônia de assinatura da lei de abdicação

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Felipe será formalmente proclamado monarca e fará o juramento ao trono em uma cerimônia com os legisladores no Parlamento na quinta. Depois de uma breve parada militar, o rei Felipe 6º e a rainha Letizia farão um passeio de carro perto de multidões esperadas ao longo das ruas e monumentos mais emblemáticos de Madri — tais como o Museu do Prado e a fonte de Cibeles.

O palácio reconheceu que a costumeira pompa foi eliminada em respeito ao "critério de austeridade que os tempos recomendam".

Juan Carlos anunciou de surpresa sua decisão de abdicar em 2 de junho, dizendo que se afastava depois de um reinado de quatro décadas para permitir que sangue real mais novo reinasse em um país que ainda tenta se livrar de uma recessão de dois dígitos e de um índice de desemprego de 26%.

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Durante a maior parte de seu reinado, o monarca era visto com grande estima por seu papel em ajudar o país a se democratizar depois de uma ditadura militar. Ele assumiu o trono em 1975, dois dias depois da morte do ditador de longa data Francisco Franco e então encantou muitos ao fazer rebeldes armados se renderem durante uma tentativa de golpe militar em 1981.

Mais recentemente, porém, a imagem da família real foi manchada pela caçada de Juan Carlos em Botsuana em 2012. Outro escândalo viu sua filha mais nova, a princesa Cristina, testemunhar neste ano em um caso de lavagem de dinheiro e fraude relacionado a seu marido, Inaki Urdangarin, medalista de handebol Olímpico transformado em empresário.

Juan Carlos atraiu amplo apoio pela forma como lidou com os desafios espanhóis do século 20. Felipe 6º agora tem de lidar com as dificuldades da Espanha no século 21. Manter as contas baixas para os contribuintes é apenas um dos desafios que o novo rei enfrenta.

Muito mais importante é se ele pode manter o país unido enquanto movimentos separatistas, como os nas regiões catalã e basca, tentam dividir o país. Tal cenário poderia pôr a própria monarquia em risco.

Felipe tem um diploma de direito da Universidade Autônoma de Madrid e obteve um mestrado em relações internacionais da Universidade Georgetown, em Washington. Sua mulher é uma jornalista de televisão e plebeia divorciada. Muitos sentem que esse histórico deixrá Felipe mais sintonizado com o humor do público.

Os 2 mil convidados na recepção real serão de uma ampla gama da sociedade espanhola, incluindo embaixadores de Madrid assim como representantes dos setores empresariais, de cultura, mídia e esportes.

As autoridades proibiram uma manifestação planejada em Madri na quinta por pessoas reivindicando o fim da monarquia. O palácio disse não ter nenhuma informação sobre o custo total dos eventos, que serão monitorados por cerca de 7 mil policiais.

*Com AP

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