Iraque pede ataque aéreo aos EUA para conter avanço de milícia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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País fez solicitação formal para Washington após o EIIL ocupar a maior refinaria de petróleo do país, localizada perto de Bagdá

O Iraque pediu formalmente aos Estados Unidos nesta quarta-feira (18) para que eles lancem ataques aéreos contra os militantes jihadistas que têm ocupado várias cidades do país desde o início deste mês.

Hoje: Militantes islâmicos sunitas invadem maior refinaria do Iraque

AP
Combatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06)


Terça: EUA mobilizam poder de fogo enquanto milícia sunita avança no Iraque

“Fomos requisitados pelo governo iraquiano”, confirmou o comandante militar dos EUA, o general Martin Dempsey.

O anúncio foi feito depois que insurgentes lançaram ataque sobre refinaria de petróleo ao norte de Bagdá. Mais cedo, o premiê do Iraque, Nouri Maliki, pediu que os iraquianos se unam contra os rebeldes.

As forças do governo estão lutando para conter o avanço do grupo Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) e seus aliados sunitas nas províncias de Diyala e Salahuddin depois de os militantes terem invadido Mosul na semana passada.

O presidente dos EUA, Barack Obama deve discutir a crise do Iraque com altos membros do Congresso ainda nesta quarta. Antes da reunião, porém, o líder do Senado, o democrata Harry Reid, afirmou que não apoiará "de maneira nenhuma” o envolvimento de tropas americanas na “guerra civil” do Iraque.

Mas o general Dempsey disse a um painel do Senado que era de interesse nacional “combater [os militantes] onde quer que o encontremos."

Ataque a Refinaria

A milícia invadiu a maior refinaria de petróleo do Iraque após atacá-la com morteiros e metralhadoras. Uma autoridade citada pela agência de notícias Reuters disse que os militantes controlam agora 75% da refinaria Baiji, a 210 km ao norte de Bagdá.

Forças do governo realizaram novos ataques aéreos contra os combatentes que avançam rumo à capital. Confrontos também foram registrados na cidade de Ramadi, no oeste do país.

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Baiji é responsável por um quarto de toda a capacidade de refino do país, destinada ao consumo doméstico de gasolina e combustível para geradores de energia, disse uma autoridade à agência de notícias Associated Press.

Militantes na Província de Anbar, cuja capital é Ramadi, disseram ter feito avanços, com diversas delegacias perto da cidade de Hit sendo administradas agora por tribos dissidentes. No norte do país, o governo iraquiano disse ter recapturado a citadela da cidade estratégica de Tal Afar, tomada por militantes na segunda-feira.

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Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

Baquba: Novo confronto em província próxima a Bagdá deixa ao menos 44 mortos

Centenas morreram desde o início da ofensiva na semana passada. Entre os mortos, acredita-se estarem soldados capturados e executados a tiros por esquadrões liderados por integrantes do EIIL.

Durante os confrontos na cidade de Baquba nesta semana, 44 prisioneiros morreram dentro de uma delegacia em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Discurso forte

O primeiro-ministro iraquiano foi à TV na terça-feira e, ao lado de líderes sunitas e curdos, fez um pedido por união nacional diante do avanço dos militantes. Eles exigiram que grupos abandonem suas armas.

Sábado: EUA enviam porta-aviões ao Golfo caso decidam lançar ação militar no Iraque

No entanto, tal pedido não deve ter muito efeito já que Maliki apoiou abertamente a formação de milícias xiitas para lutar ao lado de tropas iraquianas, informou o correspondente da BBC Jim Muir em Irbil, no norte do Iraque.

Em um discurso de tom forte pouco habitual, Maliki acusou a Arábia Saudita, de maioria sunita, de apoiar o EIIL. O premiê também exonerou quatro comandantes da Aeronáutica por não impedir o avanço de militantes.

Cenário: Pelo Iraque, Estados Unidos e Irã devem formar aliança inesperada

Presidente: Irã está pronto para ajudar o Iraque contra milícia sunita

Com áreas xiitas na capital sofrendo ataques quase diários, correspondentes dizem que moradores de Bagdá desenvolveram uma mentalidade de guerra. Muitos estão estocando itens essenciais, como alimentos, disseram correspondentes, o que elevou fortemente os preços dos produtos.

Braço da Al-Qaeda

O EIIL cresceu como uma organização ligada à Al-Qaeda no Iraque. O grupo tem cerca de 10 mil combatentes no Iraque e na Síria e tem recebido apoio de outros grupos militantes sunitas, incluindo homens e soldados que eram ligados a Saddam Hussein.

A organização explora o impasse entre o governo iraquiano e a minoria sunita, que acusa Maliki, um xiita, de monopolizar o poder. O EIIL é liderado por Abu Bakr al-Baghdadi, uma figura obscura conhecida como um comandante de campo e líder tático.

Reação internacional

A escalada na crise no Iraque tem preocupado os países vizinhos. O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que Teerã não "vai medir esforços" para defender locais sagrados xiitas no Iraque contra "mercenários, assassinos e terroristas".

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A Turquia disse estar investigando relatos de que 15 turcos foram sequestrados pelo EIIL na terça-feira. Outros 80 turcos haviam sido capturados em Mosul na semana passada. Já o ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita, Saud bin Faisal, alertou que o Iraque enfrenta o risco de uma guerra civil.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá detalhar a situação no Iraque a líderes do Congresso e, na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro, David Cameron, deverá se reunir com seus principais assessores de segurança para discutir o assunto.

*Com BBC

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