Dois ataques noturnos no domingo e na segundo deixaram ao menos 60 mortos. Kenyatta nega autoria da milícia Al-Shabab

O presidente do Quênia culpou nesta terça-feira (17) políticos quenianos por dois ataques noturnos que deixaram ao menos 60 mortos em comunidades costeiras, dizendo que, apesar da reivindicação do Al-Shabab pelos ataques, os extremistas islâmicos não estão por trás disso.

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Residente ergue cartaz enquanto participa de protesto contra os recentes ataques na cidade costeira queniana de Mpeketoni
Reuters
Residente ergue cartaz enquanto participa de protesto contra os recentes ataques na cidade costeira queniana de Mpeketoni


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Em discurso televisionado, o presidente Uhuru Kenyatta afirmou que as evidências indicam que líderes políticos locais no interior do Quênia estariam por trás do que ele chamou de violência motivada pela etnia. O grupo militante somali al-Shabab assumiu a responsabilidade pelas duas noites de ataques perto da ilha turística de Lamu, cujos alvos eram não muçulmanos.

O ataque mais recente aconteceu na noite de segunda em Majembeni e deixou dez mortos. A aldeia fica ao lado Mpeketoni, onde mais de 40 cristãos foram assassinados entre a noite de domingo e a manhã de segunda.

Segundo o Al-Shabab, o segundo ataque matou funcionários do governo e cristãos. Um comissário do condado, Benson Maisori, disse que os criminosos pareciam ser os mesmos em ambos os ataques.

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"O estilo de matar é o mesmo. Eles cortam as gargantas das vítimas ou atiram várias vezes na cabeça", disse Maisori.

Mas em uma surpreendente virada no caso, Kenyatta disse abertamente que o Al-Shabab não planejou executar o ataque, mas sim os líderes locais. Ele não foi mais específico sobre essas declarações.

Kenyatta disse que as autoridades policiais de Mpeketoni sabiam com antecedência sobre o ataque, mas não agiram. O presidente afirma que alguns oficiais foram suspensos e serão processados. Ele informou ainda que líderes políticos estão pregando a ideia de que alguns quenianos são menos humanos do que outros.

Os ataques ressaltam a segurança fraca em torno da área do Lamu, que fica ao sul da fronteira com a Somália. Lamu uma vez atraiu multidões de visitantes estrangeiros, mas seu setor turístico tem sofrido queda nos últimos anos por causa da violência.

Segundo o ministro do Interior Joseph Ole Lenku disse que o problema que o país enfrenta “é planejado e visa causar discórdia entre nossos habitantes". Enquanto isso, os líderes muçulmanos da maior mesquita de Nairobi condenaram nesta terça o que chamaram de atos selvagens e mortes horríveis e disseram não haver justificativa para as mortes. Os líderes muçulmanos alertaram para uma potencial brecha sectária.

"Nós precisamos estar cientes de que alguns desses ataques visam plantar sementes da discórdia e da animosidade entre quenianos e dividir o país ao longo das linhas étnicas e religiosas."

O Quênia tem visto aumentar os casos de violência com motivação étnica aumentar nos últimos anos. Mais de 1 mil pessoas foram mortas após eleição de 2007.

*Com AP

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