Pelo Iraque, Estados Unidos e Irã devem formar aliança inesperada

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Adversários históricos, países têm inimigo em comum que deve levar Washington a considerar possível negociação com Teerã

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Eles foram inimigos desde a Revolução Islâmica, em 1979. Foram inimigos durante os oito anos da guerra entre o Irã e Iraque (1980 – 1980). Foram adversários após a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos em 2003 e também se enfrentaram por conta do programa nuclear do Irã.

Ontem: Milícia sunita captura cidade no norte do Iraque perto da Síria

AP
Tanto Washington como Teerã veem o grupo extremista ISIS como inimigo


Mas, agora, Washington e Teerã têm um inimigo em comum – e isso vem levando os dois países a conversarem.

Domingo: Milícia no Iraque divulga fotos de supostas execuções em massa 

Um integrante do governo americano disse à BBC que a equipe de Barack Obama vem considerando negociações diretas com seus colegas iranianos devido à instabilidade no Iraque, especialmente após uma ofensiva militar sunita liderada pelo grupo extremista do ISIS (sigla em inglês do grupo islâmico Estado Islâmico no Iraque e no Levante).

O correspondente da BBC em Washington, Rajini Vaidyanathan, informou que os antigos adversários compartilham os mesmos interesses por enfrentarem a crescente ameaça do ISIS, que capturou cidades iraquianas importantes como Mossul e Tikrit. Por isso, ambos estariam analisando um possível apoio militar ao governo o premiê iraquiano, Nouri Maliki.

Equilíbrio

Negociações diplomáticas ligadas à segurança regional entre Estados Unidos e Irã são raras, mas, segundo o analista diplomático da BBC, Jonathan Marcus, não são totalmente inéditas.

Saiba mais: Leia todas as notícias sobre o avanço da milícia sunita no Iraque

“Já houve contatos importantes entre eles logo após os ataques de 11 de setembro. O Irã era fortemente contra o Talibã e seus aliados jihadistas na Al-Qaeda”, diz Marcus.

“Maliki é um aliado próximo do Irã, mas Teerã está frustrada com o sectarismo xiita do líder iraquiano. Washington o vê como a melhor entre várias opções ruins e tem a esperança de que os iranianos o encorajem Maliki a ser mais inclusivo em sua política.”

Veja fotos da ação dos militantes no Iraque

Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

Milícia sunita: Entenda o que é o Estado Islâmico do Iraque e do Levante

Para Marcus, no momento, o equilíbrio entre Washington e Teerã tem mudado dramaticamente desde a queda de Saddam Hussein, quando os EUA estavam numa posição dominante: “Agora provavelmente é Teerã quem vai estar no domínio das cartas.”

Negativa

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, não descartou uma possível cooperação com a Casa Branca. No entanto, a agência de notícias IRN publicou uma entrevista com o vice-ministro iraniano para assuntos árabes e africanos, Amir-Abdollaian, na qual ele negou conversações com os Estados Unidos.

“Não tivemos nenhuma discussão com funcionários do governo americano sobre uma cooperação nesse assunto, porque acreditamos que a população, os militares e as forças armadas iraquianas são mais que capazes de lidar com a crise em seu país”, disse.

Terça: Militantes islâmicos capturam parte de Mosul, segunda maior cidade do Iraque

Nesta segunda-feira, diplomatas americanos e iranianos devem se reunir em Viena, em uma nova rodada de negociações com a comunidade internacional (EUA, Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia) sobre o programa nuclear iraniano.

Abdollaian insistiu, no entanto, que a reunião se concentrará apenas em temas nucleares.

No entanto, as imagens do que seria a execução massiva de soldados iraquianos por militantes do ISIS e uma possível ampliação das tensões por conta da crueza das fotos, podia obrigar os antigos inimigos a discutir outros assuntos que não os nucleares.

Presidente: Irã está pronto para ajudar o Iraque contra milícia sunita

Encontro em Viena

Segundo o site da revista americana The New Yorker, o presidente Barack Obama expressou preocupação com os extremistas sunitas atacando locais sagrados dos xiitas, o ramo do Islã ao qual pertence o governo iraquiano e a grande maioria da população do Irã.

Até o momento, o presidente americano tem rechaçado a possibilidade de voltar a enviar tropas ao país e tem se limitado a enviar um porta-aviões ao Golfo.

A New Yorker também lembra como o Irã se opôs a Washington durante a a guerra com o Iraque, mas lembra também das declarações de funcionários civis e militares do governo americano.

CNN: Irã envia forças ao Iraque contra avanço de milícia islâmica sunita

Em 2007, o general David Petraeus, por exemplo, acusava os iranianos de fornecerem armas, treinamento e dinheiro a operações que teriam custado a vida de soldados americanos.

Três anos depois, o então embaixador americano em Bagdá, James Jeffrey, estimava que o Irã tinha sido o responsável pela morte de mil militares dos EUA e por “alguns dos acidente mais horrorosos nos quais americanos foram sequestrados”.

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