Ataque começou no domingo enquanto residentes assistiam à Copa; aqueles que não falavam somali também foram alvo

Dezenas de extremistas atacaram uma cidade costeira queniana por horas, matando aqueles que não sabiam responder a perguntas sobre o Islã e aqueles que não sabiam a língua somali, disseram autoridades e testemunhas nesta segunda-feira. O ataque deixou ao menos 48 mortos e dois hotéis incendiados.

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Homem observa os escombros de veículos e prédios destruídos na cidade de Mpeketoni, a cerca de 100 km da fronteira somali, na costa do Quênia
AP
Homem observa os escombros de veículos e prédios destruídos na cidade de Mpeketoni, a cerca de 100 km da fronteira somali, na costa do Quênia

O ataque na cidade de Mpeketoni, que fica no litoral do Oceano Índico ao norte de Mombasa, o principal porto do Quênia, situado perto da fonteira somali, começou no domingo à noite enquanto os residentes assistiam aos jogos da Copa do Mundo e durou até a manhã desta segunda, sofrendo pouca resistência das forças de segurança quenianas.

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Nesta segunda  Al-Shabab , grupo terrorista vinculado à Al-Qaeda que prometeu lançar ataques terroristas para vingar a presença militar queniana na Somália, reivindicou a ação. Juntamente com os combatentes somalis, o grupo também tem muitos integrantes no Quênia. "Soldados realizaram na noite passada (de domingo) um ataque bem-sucedido na cidade de Mpeketoni", disse o Al-Shabab em um comunicado enviado à Reuters.

Entre as razões para o ataque, o grupo mencionou o envio de tropas do Quênia à Somália e o que chamou de execuções extrajudiciais do Quênia de estudantes muçulmanos, uma acusação que Nairóbi nega.

Como os atiradores que atacaram o shopping Westgate em Nairóbi, no ano passado, os autores do ataque em Mpeketoni fizeram testes religiosos de vida ou morte, disse uma testemunha, matando aqueles que não eram muçulmanos. "Eles vieram à nossa casa por volta das 20 horas (horário local) e nos perguntou em swahili se éramos muçulmanos. Meu marido disse que éramos cristãos, e eles dispararam contra sua cabeça e peito", disse Anne Gathigi.

O residente John Waweru contou que dois irmãos foram mortos porque os militantes não gostaram que eles não sabiam falar o idioma somali.

"Os atacantes eram tantos, e todos portavam armas. Eles entraram no salão da TV onde estávamos vendo um jogo da Copa do Mundo e atiraram indiscriminadamente em nós", contou Meshack Kimani à Reuters, por telefone. "Eles atiraram somente nos homens, mas eu tive sorte. Escapei me escondendo atrás da porta."

Nenhum grupo assumiu de imediato a responsabilidade pelo ataque, o último de uma onda de atentados a bomba e tiroteios nos últimos meses no Quênia, os quais vêm prejudicando o já abalado setor de turismo do país. O governo do Quênia informou que estará em alerta durante a Copa do Mundo para garantir que os locais públicos de exibição dos jogos sejam seguros.

O ataque de domingo foi o pior desde a ofensiva de setembro contra o shopping center de Westgate, em Nairóbi, que deixou 67 mortos .

Depois da ação em Westgate, o grupo Al-Shabab anunciou que lançaria mais ataques, dizendo estar determinado a expulsar as tropas quenianas da Somália. O Quênia, cujos soldados estão na Somália como parte de uma força de paz queniana que combate militantes islamitas, afirmou que não removerá suas tropas.

*Com AP e Reuters

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