Colômbia vota no segundo turno da mais disputada eleição presidencial em décadas

Por iG São Paulo |

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Presidente, que tenta a reeleição contra direitista, julga que votação será referendo sobre negociação de paz com as Farc

Os colombianos votam neste domingo na corrida presidencial mais disputada do país em duas décadas, uma eleição que o presidente Juan Manuel Santos julga ser um referendo sobre as negociações de paz que têm como objetivo pôr fim ao mais longo conflito do Hemisfério Norte.

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AP
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (D), participa de debate com seu opositor Óscar Iván Zuluaga em Bogotá (9/6)

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Seu rival de direita, Óscar Iván Zuluaga, desafiou as lentas negociações com os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Cuba, acusando Santos de se render a uma insurgência já enfraquecida.

Zuluaga, 55, é o candidato escolhido pelo ex-presidente de dois mandatos Álvaro Uribe, que desempenhou um grande papel no que foi a campanha eleitoral mais suja da Colômbia em anos.

O ex-ministro das Finanças de Uribe, que apresenta suas raízes provinciais como um contraste à linhagem de sangue azul de Santos, conquistou a maioria dos votos em uma competição com cinco candidatos no primeiro turno de 25 de maio.

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A última pesquisa Invamer-Gallup dá a Zuluaga uma pequena vantagem de 48,5% dos votos sobre 47,7% de Santos, com 3,7% dos pesquisados afirmando que votariam em qualquer um dos candidatos. A margem de erro é de três pontos porcentuais.

O desafiante tem capitalizado em uma ampla desconfiança em relação às Farc e estabeleceu o que parecem ser condições impossível para continuar as negociações de paz lançadas há 18 meses em Havana.

Os insurgentes devem suspender todas as atividades militares, diz Zuluaga, com alguns tendo de essencialmente concordar com um tempo de prisão. Ele e Uribe acusam Santos de oferecer impunidade aos rebeldes, que mataram e sequestraram durante cinco décadas, implantaram minas e recrutaram menores à força.

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Santos, 62, nega que deixaria criminosos de guerra ficar impunes. E ele certamente não é nenhum pacifista clássico. Quando ministro de Defesa do então presidente Uribe, ele liderou o Exército colombiano apoiado pelos EUA a enfraquecer fortemente as Farc, incluindo com a morte de seus principais líderes.

A grande maioria da esquerda colombiana apoiou Santos enquanto, como diz a cientista política Arlene Tickner da Universidade dos Andes, ele dirigiu a nação "à história junctura na qual a possibilidade de pôr fim ao conflito precisa ser aproveitada".

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Santos conseguiu importantes apoios na semana passada e pode ter retomado um novo impulso. Ele obteve o endosso de 80 líderes empresariais e anunciou negociações exploratórias com o Exército de Libertação Nacional, o segundo maior grupo rebelde da Colômbia.

Apesar disso, o mandatário educado nos EUA tem um "grave problema de confiança e de conquistar afeição", diz o analista Adam Isacson, do Washington Office on Latin America, e tem sido "incapaz de mexer a imagem de ser um aristocrata de Bogotá que prometerá tudo para cumprir pouco".

*Com AP

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