Pedido de Sistani é forte escalada de um conflito que ameaça se tornar uma guerra civil com potencial de fragmentar o país

O mais influente clérigo xiita do Iraque, o grão-aiatolá Ali al-Sistani, pediu aos seus seguidores nesta sexta-feira que peguem em armas para se defender de um implacável avanço dos insurgentes sunitas, em uma forte escalada de um conflito que ameaça se tornar uma guerra civil e, potencialmente, fragmentar o país.

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Combatentes iraquianos xiitas empunham suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá
AP
Combatentes iraquianos xiitas empunham suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá

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Em uma rara intervenção nas orações de sexta-feira na cidade sagrada de Kerbala, uma mensagem do grão-aiatolá, a maior autoridade religiosa dos xiitas no Iraque, dizia que as pessoas têm de se unir para combater o avanço dos militantes do grupo radical Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

Militantes do EIIL capturaram mais duas cidades iraquianas durante a noite , em um avanço-relâmpago em direção ao sul do país e à capital, Bagdá, em sua campanha para recriar um califado islâmico sunita entre o Iraque e a Síria.

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“As pessoas que são capazes de portar armas e combater os terroristas em defesa de seu país devem se voluntariar para entrar nas forças de segurança para alcançar esse objetivo sagrado (de ser mártir)”, disse o xeque Abdulmehdi al-Karbalai, durante um sermão em Kerbala no qual enviou a mensagem de Sistani. Ele disse também que aqueles que combaterem os militantes serão mártires.

Na quinta-feira o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ameaçou lançar bombardeios contra o EIIL, numa demonstração da gravidade da ameaça dos militantes que pretendem redesenhar as fronteiras da região rica em petróleo.

Quinta: Milícia islâmica sunita promete marchar sobre Bagdá, capital do Iraque

Nesta sexta-feira, o líder americano rejeitou a possibilidade de enviar tropas terrestres ao Iraque, mas afirmou que ordenou à sua equipe de segurança nacional que prepare várias opções militares para ajudar o país árabe a conter o avanço da milícia. Ele afirmou que revisará as opções nos próximos dias para tomar uma decisão.

Em pronunciamento em Washington, o líder americano afirmou que, se o governo iraquiano não fizer um esforço sincero para lidar com as diferenças sectárias do país, o Exército americano não conseguirá ser bem-sucedido em sua ajuda contra a insurgência. "Não podemos fazer isso por eles."

Quarta: Militantes islâmicos capturam 2ª cidade no Iraque

Também nesta sexta, a rede de TV CNN afirmou que o Irã enviou em dias recentes cerca de 500 integrantes da Guarda Revolucionária para atuar juntamente com as forças iraquianas.

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Em meio ao caos, forças curdas assumiram na quinta o controle de parte de Kirkuk , um importante centro petrolífero localizado ao lado de seu enclave autônomo e que os curdos sempre consideraram como sua tradicional capital.

*Com Reuters e AP

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