Presidente dos EUA afirma que analisará nos próximos dias opções militares para ajudar país árabe a conter grupo sunita

O presidente dos EUA, Barack Obama, rejeitou nesta sexta-feira a possibilidade de enviar tropas terrestres ao Iraque, mas afirmou que ordenou à sua equipe de segurança nacional que prepare várias opções militares para ajudar o país árabe a conter o avanço de uma milícia islâmica sunita que tomou o controle de várias cidade no oeste e no norte do Iraque. Ele afirmou que revisará as opções nos próximos dias para tomar uma decisão.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington
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Presidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington

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Em pronunciamento em Washington, o líder americano afirmou que, se o governo iraquiano não fizer um esforço sincero para lidar com as diferenças sectárias do país, o Exército americano não conseguirá ser bem-sucedido em sua ajuda contra a insurgência. "Não podemos fazer isso por eles."

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Segundo Obama, o risco que os terroristas representam no Iraque poderia eventualmente também representar para os interesses americanos. O avanço do grupo conhecido como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) levantou temores de que o Iraque está voltando para o caos sectário que se seguiu à retirada dos EUA em 2011 . Obama falou pouco antes de deixar a Casa Branca em direção a Dakota do Norte.

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Previamente às suas declarações, o secretário de Estado americano, John Kerry, havia afirmado que os EUA consideravam atuar na crise porque Washington passou anos investindo no futuro do Iraque. O governo iraquiano pediu ataques aéreos americanos contra os terroristas, e o governo Obama considera se acatará o pedido.

A brutal insurgência do EIIL reposicionou o Iraque como prioridade na política externa americana enquanto o governo Obama debate quão profundamente intervirá no mundo. Obama apresentou sua decisão de pôr fim à guerra em 2011 como um dos maiores sucessos de seu governo.

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"O Iraque é um país com o qual tivemos um relacionamento muito direto, muito investimento e engajamentos diretos, sem mencionar as vidas de vários de nossos soldados que foram perdidas lá", disse Kerry ao fim de uma conferência em Londres sobre o combate à violência sexual em zonas de conflito. "E não penso que ninguém nessa região, ou nesta administração, acredite que seja interesse dos EUA virar as costas para isso."

Quase 4,5 mil soldados americanos foram mortos na guerra que começou com a invasão de 2003 liderada pelos EUA, e o conflito custou aos contribuintes americanos centenas de bilhões de dólares.

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Há sinais de que organizar uma outra coalizão internacional — que Obama disse recentemente em um discurso de política externa ser seu método preferível de intervenção militar — sobre o Iraque seria difícil.

O secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que o Reino Unido não está preparado para oferecer uma intervenção militar no Iraque. A relutância de Londres de fornecer ação militar na Síria no ano passado foi um fator crucial na Casa Branca para recusar-se a lançar ataques aéreos no país.

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O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse nesta sexta-feira que a insurgência liderada por sunitas era uma força poderosa que poderia tornar muito difícil evitar a divisão do Iraque.

Kerry também brevemente citou provas de conspirações de que o EIIL montou contra os EUA e o Ocidente, mas não forneceu nenhum detalhe.

*Com AP

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