Centenas morrem em avanço de rebeldes no Iraque, segundo a ONU

Por iG São Paulo |

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Matança inclui 17 civis que trabalhavam para a polícia ou para o judiciário de Mosul; quatro mulheres se mataram após estupro

O número de pessoas mortas depois que militantes sunitas islamitas invadiram a cidade de Mosul no começo da semana pode chegar a centenas, disse nesta sexta-feira (13) o porta-voz da área de direitos humanos da ONU, Rupert Colville.

Mais cedo: Militantes sunitas tomam mais duas cidades no Iraque

Reuters
Voluntários esperam para se juntar ao exército e combater militantes predominantemente sunitas, em Bagdá, Iraque


Ontem: Milícia islâmica sunita promete marchar sobre Bagdá, capital do Iraque

Ele afirmou que seu gabinete tinha informações de que as matanças incluem a execução de 17 civis que trabalhavam para a polícia e um empregado do Judiciário no centro de Mosul.

Quatro mulheres se mataram depois de terem sido estupradas, 16 georgianos foram sequestrados e, além disso, prisioneiros libertados por militantes estavam procurando vingar-se dos responsáveis por sua prisão, disse ele.

"Nós recebemos ainda informações indicando que as forças do governo também cometeram excessos, em especial o bombardeio de áreas civis entre 6 e 8 de junho", disse ele. "Há alegações de que atée 30 civis podem ter sido mortos."

"Defesa do país" 

Um representante da principal clérigo xiita do Iraque pediu aos iraquianos para defender seu país pedindo para muitos se juntarem às forças de segurança para combater os militantes. Sheik Abdul-Mahdi al-Karbalaie fez os comentários durante as orações desta sexta. Ele representa o grande aiatolá Ali al-Sistani, líder espiritual xiita mais reverenciado no Iraque.

Quarta: Militantes islâmicos capturam 2ª cidade no Iraque

Seus comentários vêm enquanto militantes tomam grandes áreas do coração sunita no Iraque e capturado mais duas cidades a nordeste de Bagdá: Saadiya e Jalawla.

Ajuda internacional

Os islamitas radicais continuam avançando sobre o Iraque enquanto um cada vez mais nervoso Estados Unidos procuraram maneiras de parar os militantes e “fechar” Bagdá.

Enquanto o Iraque tem sido ocupado pelos militantes, os moradores de Mosul fugiram em massa. Os extremistas capturaram a segunda maior cidade do país esta semana após soldados abandonarem a cidade deixando uniformes e armas para trás. A fuga em massa das famílias provocaram engarrafamentos que se estendem até onde os olhos podiam ver.

A violência que assola o país e a falta de segurança provocou a preocupação dos EUA. O presidente Barack Obama afirma que o governo do Iraque precisa de assistência e estuda maneiras de ajudá-lo.

Veja fotos sobre a ação de militantes no Iraque

Membros do Exército feminino treinam habilidades de combate antes de combaterem o Estado Islâmico em acampamento militar no Iraque (18/09). Foto: ReutersMilitar curdo lança morteiros em direção Zummar, controlada pelo Estado Islâmico, em Mosul, Iraque (15/09). Foto: ReutersMilitantes do Estado Islâmico levam soldados iraquianos capturados depois de assumir base em Tikrit, Iraque (junho/2014). Foto: APObama prometeu ofensiva com ataques aéreos na Síria e no Iraque para combater EI (12/09). Foto: ReutersMilitares curdos em tanque enfrentam militantes do Estado islâmico em Mosul, Iraque (7/09). Foto: ReutersMilitante curdo dá cobertura durante confrontos do Estado Islâmico na linha de frente da vila de Buyuk Yeniga, Iraque (4/09). Foto: ReutersMilicianos xiitas do Iraque disparam suas armas enquanto celebram a quebra de cerco do Estado Islâmico em Amerli (1/09). Foto: ReutersGrupo carrega caixão de militante xiita iraquiano da Organização Badr, que foi morto em confrontos com militantes do Estado Islâmico no Iraque (1/09). Foto: ReutersCriança chora em helicóptero militar após ser retirada pelas forças iraquianas de Amerli, ao norte de Bagdá (29/08). Foto: ReutersCurdos e militantes islâmicos lutam no norte do Iraque (12/08). Foto: ReutersIraquianos carregam retratos do primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki enquanto se reúnem em apoio a ele em Bagdá, Iraque (11/08). Foto: ReutersMilhares de iraquianos fugiram com avanço de militantes do EI, inclusive integrantes de minorias religiosas (9/08). Foto: APTropas curdas implantam segurança intensa contra os militantes islâmicos do Estado em Khazer (8/08). Foto: ReutersTropas curdas patrulham em um tanque durante operação contra militantes do Estado Islâmico em Makhmur, nos arredores da província de Nínive, Iraque (7/08). Foto: ReutersParentes choram a morte de homem da YPG, morto durante confrontos com combatentes do Estado Islâmico na cidade iraquiana de  Rabia, na fronteira do Iraque-Síria (6/08). Foto: ReutersVoluntários xiitas do Exército iraquiano se recuperam em hospital após serem feridos em confrontos com militantes do Estado Islâmico em Basra, sudeste de Bagdá (6/08). Foto: ReutersMulher visita túmulo de um parente em cemitério durante as celebrações do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, em Bagdá (28/07). Foto: ReutersSoldado iraquiano perto de corpo de um membro do Estado Islâmico que morreu durante confrontos com forças iraquianas em Tikrit, Iraque (19/07). Foto: ReutersBandeira preta usada pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante flamula de delegacia danificada em Mosul, norte do Iraque (1/7). Foto: APVoluntário xiita do Conselho Supremo Islâmico Iraquiano aponta arma durante treinamento em Najaf, Iraque (26/6). Foto: ReutersMembros das forças de segurança iraquianas tomam suas posições durante reforço de segurança no oeste de Bagdá, Iraque (24/6). Foto: ReutersXiitas iraquianos se preparam para patrulhar a aldeia de Taza Khormato, na rica província petrolífera de Kirkuk, no Iraque (22/6). Foto: APCombatentes xiitas levantam suas armas e entoam palavras de ordem após autoridades pedirem ajuda para conter os insurgentes em Sadr, em Bagdá, Iraque (17/06). Foto: APManifestantes gritam em favor do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em frente do governo provincial de Mosul (16/4). Foto: APCombatentes tribais xiitas mostram suas armas enquanto tomam parte de Dujail, ao norte de Bagdá, Iraque (16/06). Foto: ReutersCombatentes tribais xiitas levantam suas armas e gritam palavras de ordem contra sunita Exército Islâmico em Basra, Iraque (16/6). Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL mirando contra soldados à paisana depois de tomar base in Tikrit, Iraque. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque
. Foto: APImagem postada em site militante em 14/6 parece mostrar membros do EIIL com soldados iraquianos à paisana capturados após tomada de base em Tikrit, Iraque. Foto: APCombatentes iraquianos xiitas seguram suas armas enquanto gritam palavras de ordem contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Cidade Sadr, Bagdá (13/6). Foto: APVoluntários esperam para se juntar ao Exército e combater militantes predominantemente sunitas em Bagdá, Iraque (13/6). Foto: ReutersPresidente dos EUA, Barack Obama, fala sobre a situação no Iraque em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (13/6). Foto: APImagem postada em Twitter militante mostra membro do Estado Islâmico do Iraque e do Levante com sua bandeira em base militar na Província de Ninevah, Iraque (12/6). Foto: APImagem publicada por militantes no Twitter mostra combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em local na fronteira entre o Iraque e a Síria (12/6). Foto: APMuitas famílias começaram a deixar Mosul depois de ocupação por insurgentes sunitas (13/6). Foto: ReutersForças de segurança curda se posicionam do lado de fora da cidade petrolífera de Kirkuk após abandono de tropas iraquianas (12/6). Foto: APVeículos queimados pertencentes às forças de segurança iraquianas são vistos em posto de controle no leste de Mosul (11/6). Foto: ReutersPolicial federal do Iraque monta aguarda enquanto colega faz buscas em carro em posto de controle de Bagdá, Iraque (11/6). Foto: APFamílias que fogem da violência na cidade de Mosul esperam em posto de controle nos arredores de Irbil, região do Curdistão iraquiano (10/6). Foto: ReutersRefugiados que deixam Mosul se dirigem à região autônoma curda em Irbil, Iraque, a 350 km a norte de Bagdá (10/6). Foto: APMilitares se preparam para assumir suas posições durante confrontos com militantes no norte da cidade de Mosul, Iraque (9/06). Foto: AP

Terça: Militantes islâmicos capturam parte de Mosul, segunda maior cidade do Iraque

"O país precisa da nossa ajuda e vai precisar de mais apoio da comunidade internacional", disse Obama na quinta (12). "Temos obrigação de nos certificar de que esses jihadistas não estão recebendo apoio nem no Iraque, nem na Síria."

Um funcionário do governo Obama sênior disse nesta sexta que o presidente ainda não tomou uma decisão sobre como agir. Outro funcionário do governo indicou que uma decisão pode ser anunciada até o final de semana. Uma das opções pode ser ataques aéreos norte-americanos.

Os militantes do Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIS, na sigla em inglês) pretende estabelecer um califado islâmico, ou Estado, na região. O ISIS teve sucesso significativo na Síria, onde está lutando contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

A marcha dos militantes no Iraque chamou a atenção do mundo, especialmente dos Estados Unidos, que levou a invasão ao Iraque em 2003 e derrubou o antigo líder Saddam Hussein. Desde então, a instabilidade e a violência têm atormentado Iraque; no entanto, até agora, seus problemas não haviam incluído a ocupação de cidades-chave.

Iraque reivindica vitória em Tikrit

Após dias de derrotas expressivas, o Iraque reivindicou uma vitória chave na quinta-feira. Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein, estava sob controle total dos militares, de acordo com a TV estatal Iraqiya. Apenas um dia antes, o local havia sido ocupado por extremistas do ISIS.

O exército iraquiano também realizou ataques aéreos durante a noite na base militar de al-Ghazlany, a apenas 5 km ao sul de Mosul, segundo o ministério da Defesa do país anunciou na quinta. O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, disse ainda que os militares tomaram providencias quanto a ocupação "terrorista" na cidade.

Ele afirma haver indícios de que os militantes estariam deixando Mosul, acrescentando que o governo estava trabalhando com potências regionais curdas para retirá-los do local.

Imagens divulgadas em mídias sociais mostraram na quinta militantes do ISIS desfilando artilharia pesada em Mosul, cidade predominantemente sunita que entrou em colapso rapidamente na terça após ocupação dos radicais fortemente armados.

A agência de refugiados da ONU disse que mais de 500 mil pessoas deixaram a cidade com pouco mais do que as roupas nas costas e precisavam urgentemente de abrigo, água, comida e cuidados médicos.

*Com Reuters, AP e CNN

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