Presidente do Egito pede desculpas a vítima de ataque sexual

Por iG São Paulo |

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Mulher teve roupas arrancadas e ficou com 25% do corpo queimado ao cair sobre bacia de água quente no domingo

Segurando flores vermelhas, o recém-empossado presidente do Egito pessoalmente pediu desculpas nesta quarta-feira a uma mulher que foi sexualmente atacada por uma multidão durante as celebrações do fim de semana que marcaram sua chegada ao poder.

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AP
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A televisão estatal mostrou um visivelmente comovido Abdel-Fattah el-Sissi visitando a mulher em um hospital do Cairo. "Vim para dizer a você e a todas as egípcias que eu lamento. Peço desculpas a cada mulher do país", disse Sissi, um ex-chefe militar que depôs o primeiro presidente eleito do Egito há quase um ano. "Não fique triste", disse.

Várias mulheres foram atacadas durante as festividades da posse na Praça Tahrir, no centro do Cairo. Os ataques foram um triste lembrete de um dos lados mais obscuros da sociedade egípcia e coincidiram com o protagonismo de Sissi em cerimônias cuidadosamente coreografadas realizadas nos dois mais opulentos palácios presidenciais da capital e que contaram com a presença de centenas de autoridades locais e estrangeiras.

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Sissi afirmou que era inaceitável que agressões sexuais acontecessem no Egito e prometeu adotar "medidas muito decisivas" para combater o crime.

"Digo ao Judiciário que nossa honra está sendo violada nas ruas e que isso não é certo. Isso é inaceitável, mesmo que seja um único caso", disse o presidente, que falou um dia depois de ter ordenado a repressão ao assédio sexual, que descreveu como um "fenômeno alienígena" no Egito. Ele também pediu a restauração dos valores "reais e morais" das ruas do país.

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Paralelamente, o porta-voz presidencial Ehab Badawi disse que Sissi instruiu o primeiro-ministro Ibrahim Mahlab a estabelecer um comitê ministerial para analisar o problema e criar uma estratégia nacional para combatê-lo.

O assédio sexual há muito tempo é um problema no Egito, mas as agressões aumentaram dramaticamente em ferocidade e em números durante os três anos desde a deposição do presidente autocrata de longa data Hosni Mubarak.

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A Praça Tahrir, epicentro do levante de 2011 contra Mubarak, é o local mais comum desses ataques em meio às grandes multidões. Grupos de mulheres reclamam que leis mais duras não fizeram o suficiente.

O Ministério do Interior, que é encarregado da polícia, disse na segunda-feira que prendeu sete suspeitos com idades entre 15 e 49 anos em conexão com o assédio sexual que aconteceu durante as celebrações de domingo. Três desses homens foram acusados de assédio sexuaol sob a ameaça de força e tentativa de estupro, de acordo com um comunicado divulgado pelo promotor-chefe do país, Hesham Barakat.

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O comunicado também deu detalhes do ataque, afirmando que os agressores primeiramente formaram um círculo ao redor da mulher e de sua filha adolescente, tiraram as roupas da mulher e a atacaram. Mais tarde, a mãe caiu sobre uma bacia de água quente usada por uma pessoa que fazia chá na praça, sofrendo queimaduras em 25% de seu corpo. Sissi visitou a mãe nesta quarta.

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Na semana passada, autoridades emitiram um decreto declarando o assédio sexual um crime punível por até cinco anos de prisão. O decreto emendou as atuais leis egípcias sobre o abuso, que não criminalizavam o assédio sexual e apenas se referiam vagamente a tais ofensas como "ação indecente".

*Com AP

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