Colômbia e Exército de Libertação Nacional anunciam processo de paz

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Anúncio é feito cinco dias antes de eleições presidenciais em que Santos busca a reeleição contra Óscar Iván Zuluaga

O governo do presidente Juan Manuel Santos e o segundo principal grupo rebelde da Colômbia anunciaram nesta terça-feira que iniciaram um processo de paz, aumentando as esperanças de um fim para os dois conflitos de guerrilha mais duradouros do país. 

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AP
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (D), participa de debate com seu opositor Óscar Iván Zuluaga em Bogotá (9/6)

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Um comunicado publicado no site da presidência colombiana disse que negociações exploratórias com o Exército de Libertação Nacional começaram em janeiro e que a agenda incluirá "as vítimas e a participação da sociedade. Os outros tópicos ainda devem ser acordados".

O diálogo preliminar foi mantido no Equador e Brasil, disse um legislador colombiano que falou sob condição de anonimato.

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A publicação da breve nota de seis pontos chega cinco dias antes das eleições presidenciais nas quais Santos busca a reeleição contra Óscar Iván Zuluaga, o candidato escolhido pelo ex-presidente linha-dura Álvaro Uribe.

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O governo de Santos está engajado em negociações de paz com as muito maiores Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde novembro de 2012, e o destino dessas negociações depende da eleição de domingo.

Zuluaga não garantiu que continuaria com as negociações e, assim como Uribe, tem sido altamente crítico ao que chama de "impunidade" que Santos supostamente ofereceria aos líderes rebeldes como parte do pacto. Santos nega que qualquer oferta desse tipo tenha sido feita.

Em um debate na noite de segunda, Santos disse a Zuluaga: "Você quer continuar essa guerra. Eu quero terminá-la." Ambos serviram no gabinete de Uribe, Zuluaga como ministro das Finanças, e Santos como ministro da Defesa.

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Uribe considera a abertura de Santos às negociações de paz com as Farc uma traição pessoal. Recentemente eleito ao Senado, ele continua imensamente popular por ter enfraquecido as Farc com uma próxima assistência militar e de inteligência dos EUA.

O ex-ministro do Interior Horacio Serpa previu que o anúncio desta terça-feira daria a Santos a vitória no que tem sido uma disputa extremamente apertada. "Santos tinha uma carta na manga", disse Serpa. "Espero que, como isso, ele derrote os outros."

Santos disse no debate de segunda que as negociações com as Farc podem ser a última chance da Colômbia para uma paz negociada com o principal grupo rebelde do Hemisfério Ocidental. Três esforços prévios iniciados nos anos 1980 fracassaram.

O comunicado sobre as negociações com o grupo rebelde menor, conhecido por suas iniciais em espanhol como ELN, deixam claro que esse diálogo continua na fase exploratória. Ele não menciona um cronograma para as negociações formais ou dizem quando elas devem começar nem mesmo onde.

A nota agradeço o Brasil, Chile, Equador, Venezuela e Noruega por "acompanhar e garantir esse processo".

Ambos os grupos armados têm combatido o governo colombiano por meio século. O ELN tem cerca de 2 mil combatentes, comparados aos cerca de 8 mil das Farc.

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