'Eles deveriam ser executados', escreveu Weluree Ditsayabut no Facebook sobre os ativistas Camisas Vermelhas há vários meses

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A Miss Universo Tailândia renunciou ao título nesta segunda-feira (9) devido aos comentários que fez nas mídias sociais, afirmando que os ativistas "Camisas Vermelhas", simpatizantes da primeira-ministra deposta, Yingluck Shinawatra, deveriam ser executados.

Ontem: Forças de segurança diminuem presença de ativistas nas ruas da Tailândia

Miss Weluree Ditsayabut durante coletiva no Hotel Renaissance em Bangcoc, Tailândia
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Miss Weluree Ditsayabut durante coletiva no Hotel Renaissance em Bangcoc, Tailândia


Maio: Eleições podem ocorrer daqui a mais de um ano, diz chefe do Exército tailandês

O golpe militar do mês passado foi o mais recente episódio do conflito de uma década entre os monarquistas com forte apoio em Bangcoc e os partidários de base rural de Yingluck e de seu irmão, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

Weluree Ditsayabut, 22, foi coroada Miss Tailândia no mês passado, mas os comentários que ela fez há alguns meses vieram à tona, incluindo os de sua conta no Facebook sobre os Camisas Vermelhas.

"Estou com tanta raiva de todos esses ativistas maldosos. Eles deveriam ser todos executados", disse ela à época.

Visivelmente emocionada, Weluree disse aos jornalistas que não poderia lidar com as críticas que recebeu por meio do Twitter e do Facebook.

"Eu me senti sob pressão. Tentei melhorar a mim mesma, mas o que eu não consigo suportar é ver minha mãe estressada", disse Weluree. "Decidi sacrificar o meu status como Miss Universo Tailândia."

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A rainha da beleza também reagiu a comentários sobre sua aparência. "Na verdade, eu sou gorda, seu animal!" dizia uma mensagem dela em sua conta no Twitter, que já foi excluída.

Censura

A junta militar da Tailândia manteve fora das ruas muitos dos milhares de soldados e policiais que preparou para lidar com protestos em Bangcoc no domingo (8). O número de manifestações contra o golpe de Estado tem diminuído no país.

Militares têm reprimido os dissidentes pró-democracia desde a derrubada da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, no mês passado, buscando silenciar críticas e cortar os protestos pela raiz.

A forte presença das forças de segurança em potenciais focos de turbulências nas maiores cidades tailandesas tem limitado os grupos a pequenas reuniões, que muitas vezes são coordenadas por meio de mídias sociais e, principalmente, realizadas perto de shopping centers.

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No domingo, poucos protestos ocorreram e a presença de segurança foi mais leve. Meia dúzia de mulheres fora de um shopping fizeram a saudação de três dedos que se tornou um símbolo do desafio ao golpe.

Manifestantes postaram em mídias sociais fotos de pequenos grupos no principal aeroporto internacional de Bancoc fazendo a mesma saudação, que foi inspirada no filme "Jogos Vorazes".

A polícia deteve quatro manifestantes, disse o chefe da polícia nacional adjunto Somyot Poompanmoung. Desde o golpe, as autoridades obrigaram pessoas detidas a assinar documentos declarando que vão desistir da atividade política como condição para serem libertos.

"Essas quatro pessoas serão trazidas para o acampamento do exército para ajustar a sua atitude política mais tarde", disse Somyot à Reuters. "Nós não utilizamos plenamente a capacidade das forças. O protesto foi pacífico e terminou agora", completou.

Eleições

O chefe da junta militar da Tailândia, o general Prayuth Chan-ocha, afirmou no final de maio que as eleições só devem acontecer daqui a mais de um ano.

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Em seu primeiro discurso direto ao público desde o golpe de Estado do dia 22 de maio, o militar afirmou que as reformas políticas e o alcance da paz são suas prioridades. Prayuth repetiu as advertências quanto aos protestos e a resistência às ordens do Exército, dizendo que esse tipo de ação atrasaria o processo em trazer de volta a "felicidade" do povo tailandês.

O militar disse que levaria pelo menos três meses para conseguir a reconciliação no país profundamente dividido e que, em seguida, levaria cerca de um ano para escrever uma nova constituição e formar um governo interino. Só então as eleições poderiam ser realizadas, afirmou.

"Nos dê tempo para resolver os problemas para vocês e então, os soldados vão voltar a olhar para a Tailândia de longe", disse ele.

Prayuth também explicou os planos da junta na administração do país, enfatizando que vai priorizar a estabilidade financeira e transparência. O golpe militar derrubou um governo que obteve vitória eleitoral esmagadora, há três anos.

Ele convocou mais de 250 pessoas, entre membros do governo deposto, líderes políticos, jornalistas, figuras acadêmicos e ativistas vistos como críticos ao regime. Cerca de 70 pessoas ainda estão sob custódia do Exército.

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