Ex-chefe do Exército toma posse como novo presidente do Egito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Abdel-Fattah el-Sissi venceu após derrubar primeiro presidente eleito no país, o islamita Mohammed Morsi, há menos de 1 ano

O ex-chefe do exército egípcio Abdel-Fattah el-Sissi foi empossado presidente neste domingo (8) para mandato de quatro anos. Sissi assume o cargo mais alto em uma nação profundamente polarizada que vive uma de suas piores crises econômicas desde 2011.

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AP
O presidente egípcio, Abdel-Fattah el-Sissi, faz seu primeiro discurso após posse no Supremo Tribunal Constitucional no Cairo, Egito


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A posse do oficial do líder de 59 anos foi realizada com menos de um ano após ele derrubar o primeiro presidente eleito livremente do país, o islamita Mohammed Morsi, depois de protestos em massa que exigiam sua renúncia. 

El-Sissi fez o juramento de posse perante o Supremo Tribunal Constitucional na sede do tribunal, localizada ao lado do Nilo, em um subúrbio ao sul do Cairo, mesmo local onde Morsi, agora em julgamento por acusações que podem lhe render até a pena de morte, foi empossado, há dois anos.

O edifício, projetado para parecer com um templo egípcio antigo, fica a uma curta distância do hospital militar onde o presidente deposto Hosni Mubarak está sendo mantido. Forçado a deixar o cargo depois de quase 30 anos no poder pela revolta de 2011, Mubarak foi condenado no mês passado por corrupção e condenado a três anos de prisão. Ele também foi criticado por não ter impedido a morte de centenas de manifestantes durante a revolta que durou 18 dias.

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Por causa da posse, foi declarado feriado nacional neste domingo enquanto policiais e soldados rondam por todo o Cairo. A cerimônia foi realizada em um salão com carpete vermelho adornado por bandeiras egípcias e contou com a participação de todo o Conselho de Ministros, bem como esposa e filhos de el-Sissi.

Após chegar ao local de helicóptero, el-Sissi, em um terno azul e gravata, entrou pelo corredor lateral ao lado do presidente interino Adly Mansour, que agora irá retornar ao seu posto de chefe de justiça do Supremo Tribunal Constitucional depois de quase um ano de mandato.

Do lado de fora do edifício, ao menos uma centena de simpatizantes do novo líder agitavam bandeiras egípcias e cartazes com a foto do novo presidente. O Exército, com caminhonetes equipadas com metralhadoras, estava estacionado nas proximidades e helicópteros sobrevoavam o local.

El-Sissi é o oitavo presidente do Egito desde a queda da monarquia em 1953, um ano depois de um golpe militar. Com a exceção de Morsi e dois civis que serviram provisoriamente, todos os presidentes do Egito vieram das forças armadas.

Depois de ser empossado, o presidente foi saudado por uma salva de 21 tiros quando chegava ao palácio presidencial, no bairro nobre de Heliópolis, do outro lado do Cairo. Dezenas de dignitários locais e estrangeiros saudaram o presidente, incluindo os reis da Jordânia e Bahrein, o emir do Kuwait e os príncipes da coroa da Arábia Saudita e Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos. As cinco nações árabes apoiadores de el-Sissi pela expulsão de Morsi forneceram bilhões de dólares para fortalecer as finanças em dificuldades do Egito.

El-Sissi obteve uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais realizadas no mês passado, recebendo cerca de 97% dos votos, com uma participação de 47,45%. A eleição de três dias foi declarada livre de fraude, mas manchada pelos meios extraordinários utilizados pelas autoridades para obterem o voto, incluindo ameaça de multa para aqueles que se abstessem, extensão das eleições e viagens gratuitas em trens e ônibus para incentivar os eleitores a viajar para seus distritos natais e votarem.

A eleição também foi realizada em um contexto de liberdades muito controlada nos 11 meses que se seguiram desde a queda de Morsi e uma repressão maciça em apoiadores de sua Irmandade Muçulmana, centenas dos quais foram mortos em confrontos com as forças de segurança. Os partidários de Morsi boicotaram o voto.

Os meios de comunicação pró-militar, entretanto, demonizaram não só a Irmandade, como também ícones seculares da revolta de 2011. A expulsão de Morsi por el-Sissi em 3 de julho de 2013 fez dele um herói instantâneo aos olhos de muitos egípcios, que o viam como um líder forte que poderia restaurar a estabilidade após três anos de turbulência.

Mas defensores islâmicos de Morsi - milhares dos quais foram presos desde sua expulsão - acusaram el-Sissi de esmagar a democracia no Egito, e muitos dos jovens por trás da revolta 2011 dizem ter revivido o estado policial de Mubarak, apontando para uma lei aprovada no ano passado que restringe protestos, bem como a prisão de vários ativistas conhecidos.

El-Sissi deixou, por meio de em uma série de entrevistas para a mídia antes da votação dos dias 26 e 28 de maio que suas prioridades são a segurança e a economia. Mas enquanto muitos no Egito concordam que a luta contra a militância vem antes de tudo, os seus planos para a economia - que giram em torno de um Estado forte disposto a intervir e uma chamada para os egípcios trabalharem mais - geraram menos entusiasmo.

Ele tem falado ainda em remodelar o mapa do Egito, expandindo províncias do Nilo para o deserto a fim de abrir caminho para o desenvolvimento fora do vale densamente povoado. 

*Com AP

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