'Não quero vingança', diz Petro Poroshenko em seu discurso de posse na Ucrânia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

O novo presidente afirmou ainda que a Crimeia continua sendo território ucraniano e que o caminho para a UE 'não tem volta'

Petro Poroshenko foi empossado presidente da Ucrânia neste sábado (7). Em clima de suspense, a nação ouviu atentamente o discurso do novo líder esperando que ele respondesse a uma questão prioritária: haverá paz no país?

Ontem: Putin e presidente eleito da Ucrânia pedem cessar fogo no leste do país

Reuters
Petro Poroshenko ergue cetro durante cerimônia de posse como presidente em Kiev, Ucrânia


Encontro: Putin e Poroshenko conversam em comemoração do Dia D na França

"Eu não quero guerra. Não quero vingança", disse Petro Poroshenko depois de fazer seu juramento de posse.

Em contrapartida, porém, ele prometeu responder a qualquer um que desafie a integridade territorial da Ucrânia com poderio militar. Aludindo a um versículo bíblico, ele afirmou que "Quem vem com a espada cairá à espada."

Segundo o novo presidente, o país vai construir seus próprios meios para trazer a paz à nação. O magnata do chocolate de 48 anos - que venceu a opaca eleição do dia 25 de maio - afirmou ainda que rearmar o exército será uma de suas prioridades.

“Ninguém poderá nos proteger, se não protegermos a nós mesmos”, declarou.

Durante seu discurso, ele pediu ainda que separatistas no leste da Ucrânia se desarmem e ofereceu anistia para aqueles que "não tiverem sangue em suas mãos". Poroshenko afirmou ainda permitir que os estrangeiros unidos aos separatistas pró-Rússia deixem a Ucrânia sem penalidades. E deixou claro que não vai negociar com aqueles que lutaram contra o governo.

"Conversar com bandidos e assassinos não é o nosso caminho", disse ele.

Cerimônia de posse

Poroshenko, um dos homens mais ricos do mundo e um político experiente, tomou o juramento de posse no parlamento do país neste sábado. Ele foi presenteado com os símbolos de alto cargo - um emblema presidencial, um selo e um cetro - antes de tomar o pódio para seu discurso de posse.

Ontem: G7 pressiona Putin a reconhecer legitimidade do presidente eleito na Ucrânia

Seu discurso de abertura deixou poucas dúvidas sobre o teor de seu governo, quando elogiou os ativistas do Maidan, cuja rebelião no centro de Kiev levou à destituição de seu antecessor no cargo, Viktor Yanukovych.

O ex-presidente pró-Rússia provocou a ira dos ucranianos que queriam que o país aderisse à União Europeia ao vetar um acordo com a entidade em favor de estreitar os laços com Moscou. As batalhas de rua que se seguiram resultaram na morte de dezenas de pessoas. Poroshenko também descreveu o ex-governo como uma "ditadura".

"O povo se levantou", disse ele, declarando levar o país a uma nova direção rumo ao Ocidente.

Antes, ele prometeu continuar os planos da Ucrânia pró-UE, chamando o caminho de "irreversível". Segundo ele, o lugar da Ucrânia é com a Europa. Ele acrescentou ainda estar preparado para assinar um acordo de parceria econômica com a União Europeia logo que seu oficiais aprovem a medida.

Veja fotos da cerimônia de posse do presidente

O presidente eleito na Ucrânia, Petro Poroshenko, faz juramento sobre a Bíblia durante cerimônia de posse em Kiev (7/06). Foto: APPresidente eleito na Ucrânia, Petro Poroshenko ergue cetro presidencial em cerimônia de posse (7/06). Foto: ReutersPetro Poroshenko mostra o selo presidencial durante sua cerimônia de posse na sala do parlamento em Kiev, Ucrânia (7/06). Foto: ReutersPresidente eleito na Ucrânia em Parlamento para cerimônia de posse em Kiev (7/06). Foto: ReutersPoroshenko faz seu primeiro discurso durante cerimônia de posse em Kiev, Ucrânia (7/06). Foto: APGuarda nacional durante discurso do presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, em Kiev (7/06). Foto: APPetro Poroshenko deixa o Parlamento em Kiev após sua cerimônia de posse, na Ucrânia (7/06). Foto: APGuardas observam Petro Poroshenko enquanto ele segue em direção a carro após ser empossado presidente ucraniano (7/06). Foto: APPoroshenko acena para simpatizantes sob o olhar dos guardas na porta do Parlamento em Kiev, Ucrânia (7/06). Foto: AP

Quarta: Obama se reúne com o presidente eleito da Ucrânia e promete apoio financeiro

O acordo é apenas um passo para a Ucrânia se tornar um membro da União Europeia. Poroshenko foi ovacionado de pé por sua observação. Segundo ele, os ucranianos estão "Sendo apoiados por todo o mundo."

Conflitos armados

Mas o novo presidente herda um país com um conflito armado em expansão no leste. A violência tem matado dezenas diariamente e tropas do governo e rebeldes têm aumentado seu poderio de ataque.

As cidades de Donetsk e Luhansk se transformaram em focos de tensão entre a Rússia e o Ocidente, enquanto o governo em Kiev rompeu seus laços com Moscou para abraçar a Europa e os Estados Unidos.

Mas os separatistas de etnia russa anseiam que o leste e o sul da Ucrânia sejam anexados por Moscou. O Kremlin é acusado de ajudar os separatistas após a secessão da região da Criméia em relação a Ucrânia, que pertenceu à Rússia até 1954.

Poroshenko falou sobre essa ação diretamente. Para ele, a integridade territorial da Ucrânia não está em discussão. "Eu vou manter esse juramento custe o que custar", disse ele.

Ele prometeu visitar Luhansk e Donetsk e manter o respeito pelo idioma russo falado no leste e sul da Ucrânia. O governo vai ser descentralizado, dando às regiões mais a dizer sobre os seus próprios assuntos, disse ele.

"Os poderes regionais serão ainda mais fortes", explicou Poroshenko.

Mas não haverá federalização, como muitos separatistas exigiram. Alguns analistas acreditam que tal medida iria ajudar a cimentar a influência da Rússia em suas regiões. A Ucrânia vai continuar unificada, disse o presidente.

Encontro informal com Putin

As perspectivas de paz entre Moscou e Kiev pareciam distantes, até voltarem à tona na sexta (6), durante as celebrações do Dia D na França. O presidente russo, Vladimir Putin, se reuniu com os líderes ocidentais e ficou cara a cara com Poroshenko. Depois, Poroshenko anunciou que as negociações com Putin começarão neste domingo (8).

"Um representante da Federação russa virá para a Ucrânia para discutir os primeiros passos para a resolução pacífica da crise", disse porta-voz Irina Friz na sexta.

Na ocasião, sua declaração sobre a Crimea parecia diplomática.

"Todos esses problemas têm sido difíceis, incluindo a questão da Crimeia. Ainda assim, vamos trabalhar para alcançar as metas que estabelecemos e as negociações começam no domingo", disse Poroshenko.

Mas em seu discurso no sábado, ele falou sobre o assunto em uma linguagem mais assertiva.

"Ontem eu fiz uma declaração firme sobre isso para o líder da Rússia na Normandia", afirmou. “A Criméia foi, é e sempre será um solo ucraniano", disse ele.

*Com CNN e BBC

Leia tudo sobre: ucraniaposse do presidenteporoshenkorussia na ucraniacrimeiaputindia dnormandiaeuadonetskrussia

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas