O líder da oposição, detido em fevereiro, continuará preso até seu julgamento; Maria Corina Machado é alvo de investigação

Um proeminente líder da oposição da Venezuela, cuja prisão tem sido condenada internacionalmente, permanecerá detido enquanto aguarda julgamento sob a acusação de incitar a violência em protestos contra o governo, segundo decisão anunciada nesta quinta-feira (5).

Fevereiro: Líder da oposição Leopoldo López enfrenta acusações na Venezuela

Líder da oposição, Leopoldo Lopez conversa com jornalistas em coletiva em Caracas, Venezuela (fev/2013)
AP
Líder da oposição, Leopoldo Lopez conversa com jornalistas em coletiva em Caracas, Venezuela (fev/2013)


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Um juíz anunciou seu parecer após jornada de deliberações, iniciada na manhã de quarta-feira (4) no Palácio da Justiça. Na segunda foi iniciada uma audiência parlamentar contra o político e quatro estudantes.

López, 43, é chefe do partido Popular Will. Antes de se entregar às autoridades em fevereiro, ele havia liderado movimento para forçar a renúncia do presidente Nicolás Maduro. Se condenado, o venezuelano formado na Universidade de Harvard pode pegar mais de 13 anos de prisão.

Autoridades ordenaram a detenção após três pessoas terem sido mortas no dia 12 de fevereiro durante confrontos entre forças de segurança e manifestantes anti-governo que ocorreram após o fim de manifestações pacíficas. Pelo menos 42 pessoas morreram em ambos os lados em três meses de agitação política.

A prisão dos opositores de Maduro tem atraído críticas internacionais enquanto a Anistia Internacional chama as acusações contra López de "tentativa motivada politicamente para silenciar a dissidência", em um momento de crescente frustração nacional, com a inflação chegando a 57% e registro da escassez de alimentos.

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O caso de López começou a ser analisado em torno das 4h AM, quando ele foi acordado em sua cela fora de Caracas e levado sob escolta policial pesada a um tribunal no centro. O processo durou até tarde da noite e impediu jornalistas e a mulher do opositor de assistirem à audiência.

Enquanto o governo vem pressionando seus casos contra López, Maduro lançou o que parece ser uma nova batalha feroz contra outro adversário, a deputada deposta Maria Corina Machado.

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Na quarta, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz disse que Maria Corina e outros dois políticos da oposição haviam sido convocados para testemunhar em uma investigação sobre um suposto plano - apoiado pelos EUA - para matar o presidente venezuelano. Maria afirma ainda não ter recebido nenhuma notificação sobre o caso e que as observações da procuradora não estão claras, já que ela mesma está sob investigação.

O governo divulgou na semana passada o que diz ser recentes e-mails da política, onde ela discute a necessidade de "aniquilar" Maduro e se orgulha por ter o apoio de um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano que agora é embaixador dos EUA na Colômbia.

Maria, destituída de seu assento no Congresso depois de denunciar Maduro na Organização dos Estados Americanos, negou as acusações e disse que o governo está fabricando provas em uma tentativa de intimidá-la.

*Com AP

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