Obama e Camaron anunciaram metas que devem ser atendidas pelo presidente russo em um mês para evitar possíveis sanções

O presidente Barack Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, estabeleceram novas metas para a Rússia nesta quinta-feira (5), dando a Moscou um mês para atender as condições impostas sobre a Ucrânia, ou novas sanções serão impostas.

Hoje: G7 ameaça aumentar sanções contra Rússia por crise na Ucrânia

Presidente Barack Obama escuta enquanto o primeiro-ministro britânico David Cameron fala sobre a crise na Ucrânia em coletiva na Bélgica
AP
Presidente Barack Obama escuta enquanto o primeiro-ministro britânico David Cameron fala sobre a crise na Ucrânia em coletiva na Bélgica


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A decisão foi anunciada em coletiva conjunta após reunião da cúpula do G7, que foi rearranjada para excluir o presidente russo, Vladimir Putin, depois de suas ações na Ucrânia. 

De acordo com Cameron, para evitar sanções ainda mais duras, Putin deve atender a três condições: reconhecer a eleição de Petro Poroshenko, conter o avanço de armas da Rússia para a Ucrânia e cessar seu apoio aos grupos separatistas pró-russos concentrados no leste do país.

"Se essas metas não forem atendidas, então as sanções setoriais seguirão", disse Cameron, em pé diante de uma fileira de bandeiras americanas e britânicas. "O próximo mês será vital para julgar se o presidente Putin cumpriu essas etapas. E é isso que eu vou pedir ao Presidente Putin quando encontrar com ele mais tarde."

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Obama disse que os líderes do G7 concordaram com as medidas por unanimidade. Mas eles não foram tão explícitos em declarações escritas emitidas após dois dias de reuniões. Mais tarde, um assessor de Obama anunciou as sanções em potencial em termos diferentes dos informados por Cameron.

"Se o Sr. Putin seguir esses passos, então será possível para nós, a Europa e os países vizinhos recuperarmos a confiança na Rússia”, disse Obama. "Teremos a chance de ver o que o Sr. Putin fará durante as próximas duas, três, quatro semanas. Se ele permanecer no curso atual, já indicamos os tipos de ações que estamos preparados para assumir."

Obama reconheceu que as chamadas sanções setoriais que atingiram setores-chave da economia russa poderiam ter um impacto ainda maior em toda a Europa por causa de laços econômicos com Moscou, e disse que não necessariamente espera que todos os países europeus concordem com essas ações.

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"Minha esperança é que não precisemos exercer as sanções porque o Sr. Putin tomará boas decisões", disse Obama.

Depois, o assessor de política externa de Obama, Ben Rhodes, disse que não tinha certeza se as sanções setoriais seriam adotadas para o não cumprimento dessas metas. "Vamos fazer uma análise de acordo com a situação. As sanções setoriais estão no kit de ferramentas", disse Rhodes.

Rhodes falou aos jornalistas enquanto o Air Force One voou para Paris, onde Obama jantou com o presidente francês François Hollande. Os dois comeram no Le Chiberta, localizado em uma rua lateral à saída da famosa avenida Champs-Elysées. Hollande planejou um segundo jantar nesta quinta com Putin para que os líderes dos EUA e da Rússia não tenham que se cruzar.

As reuniões de Putin com Cameron, Hollande e com a chanceler alemã Angela Merkel ilustram como os líderes europeus e Obama têm tomado estratégias diferentes para lidar com o presidente russo depois de tentar isolá-lo por seus movimentos na Ucrânia, que inclui a anexação da península da Criméia pela Rússia.

Obama não se encontrou frente a frente com Putin, mas disse que eles podem ter a oportunidade de conversar quando ambos participarem dos eventos de sexta-feira (6) em comemoração ao 70 º aniversário do Dia D na Normandia, França.

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"Há um caminho para a Rússia se envolver diretamente com o presidente Poroshenko. Ele deve tomá-lo", Obama disse, quando questionado sobre qual mensagem diria para Putin. "Se ele não o fizer, se ele continuar com a estratégia de minar a soberania da Ucrânia, então não teremos escolha a não ser responder."

Obama alertou que o fato de Putin não denunciar o resultado da eleição realizada na Ucrânia no mês passado pode ser um indicador de que Moscou está se movimentando na direção certa. "Mas temos que ver o que ele faz, e não o que diz", acrescentou.

*Com AP

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