Talibãs divulgam vídeo da libertação de militar dos EUA; assista

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Nas imagens, Bowe Bergdahl aparece usando roupa tradicional afegã; Exército dos EUA mantém investigação sobre o sargento

O Talibã divulgou nesta quarta-feira (4) vídeo que mostra a entrega do sargento Bowe Bergdahl às forças armadas norte-americanas no leste do Afeganistão em troca de cinco prisioneiros talibãs de Guantánamo, uma conquista significativa para os insurgentes.

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O vídeo de 17 minutos e enviado aos meios de comunicação registra o momento da entrega do Bergdahl. Ele foi libertado no sábado após cinco anos de cativeiro e trocado por cinco presos talibãs em Guantánamo, que foram levados para o Qatar, um pequeno país árabe do Golfo que tem mediado as negociações de troca.

Nas imagens, Bergdahl aparece usando uma tradicional roupa afegã, o kameez branco, de barba feita e sentado em uma caminhonete branca estacionada em uma encosta. Dezenas de combatentes do Talibã aparecem com metralhadoras e rostos cobertos por lenços ao redor do veículo e da encosta.

Bergdahl é visto piscando várias vezes enquanto olha para fora do veículo e parece ouvir as instruções de um de seus sequestradores. Em um ponto do vídeo, ele limpa a pálpebra superior esquerda, talvez por causa da poeira da região.

Um helicóptero Black Hawk, em seguida, aterrissa e dois combatentes do Talibã chegam a metade do caminho em direção ao helicóptero, a poucas centenas de metros de distância.

Bergdahl, então, é recebido e levado por três homens com roupas civis para o helicóptero, onde os soldados em uniformes do Exército estão esperando. Em seguida, os militares os ajudam a subir a bordo do Black Hawk.

De acordo com a narração no vídeo, a entrega aconteceu às 16h de sábado na área de Bati, no distrito de Ali Sher, província de Khost oriental. Quando o helicóptero se aproxima, um dos homens do Talibã chega perto de Bergdahl e fala em pashto, uma das duas principais línguas afegãs.

"Não volte para o Afeganistão", diz o homem a Bergdahl. "Você não vai conseguir sair vivo próxima vez", acrescenta ele, enquanto membros do grupo riem. As mesmas palavras aparecem sobre o vídeo em Inglês, com erros ortográficos.

AP
O sargento Bowe Bergdahl, à dir., com um combatente talibã no leste do Afeganistão durante sua libertação


Pouco antes do helicóptero deixar a terra, alguns dos talibãs gritam "Longa vida ao Mujahedin", ou guerreiros sagrados, como os Talibãs se autodenominam.

Desde que foi solto, o sargento de 28 anos que veio do Hailey, cidade localizada em Idaho, apresenta condição estável, de acordo com hospital militar alemão.

Uma declaração do Talibã, também distribuída aos meios de comunicação, citou seu líder Mullah Mohammad Omar descrevendo a libertação dos cinco homens como uma conquista significativa para o movimento. O Talibã havia anunciado a troca com "grande felicidade e alegria" e disse que o grupo buscava a libertação de presos adicionais, embora não tenha fornecido mais detalhes.

O secretário de imprensa do Departamento de Defesa dos EUA, o contra-almirante John Kirby, disse que o Pentágono estava revendo o vídeo, apesar de não ter nenhuma razão para duvidar de sua autenticidade. 

"Independentemente disso, sabemos que a operação foi pacífica e bem sucedida, e nosso foco permanece em dar ao sargento Bergdahl os cuidados que ele precisa", disse Kirby nesta quarta.

A liberação dos cinco homens foi condicionada a garantias dos oficiais no Qatar, onde eles ficarão por um ano e serão monitorados pelos EUA. Os cinco estavam entre os mais importantes afegãos detidos em Guantánamo.

Mas mesmo enquanto a cidade natal de Bergdahl celebra sua libertação, o Exército deu início a uma investigação que pode levar até a sua deserção. O Pentágono concluiu em 2010 que Bergdahl havia andado para longe de sua unidade antes de ser capturado pelo Talibã.

Os membros da unidade de Bergdahl e oficiais militares se queixaram de que sua decisão em deixar a base desarmado colocou seus companheiros em perigo e que alguns foram mortos em missões que incluíram as buscas por ele.

Já o ministério do Exterior afegão criticou a troca, dizendo que era "contra as normas do direito internacional", se foi realizada contra a vontade dos cinco talibãs detidos. Ele também criticou as restrições impostas aos cinco no Qatar.

*Com AP

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