Irlanda: 796 esqueletos infantis são achados em antiga casa de apoio de freiras

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Restos mortais são principalmente de bebês, diz pesquisadora; igreja Católica administrava o local voltado para mães solteiras

A Igreja Católica na Irlanda enfrenta novas acusações de negligência infantil depois de pesquisadora encontrar registros de 796 crianças que podem ter sido enterradas em uma vala comum ao lado de um antigo orfanato para filhos de mães solteiras.

2012: Igreja Católica da Irlanda ocultou abuso infantil nos anos 1990

Reprodução/Youtube
Imagem de uma santa em gruta erguida por moradores em memória das crianças enterradas em valas sem identificação na Irlanda



Cenário: Após denúncias de pedofilia, Irlanda muda relação com catolicismo

Segundo a pesquisadora, Catherine Corless, os restos mortais, principalmente de bebês, foram achados em uma casa destinada às mães solteiras por freiras católicas em Tuam, County Galway.

Os líderes da Igreja em Galway, Irlanda ocidental, disseram não fazer ideia de que tantas crianças haviam morrido e sido enterrados perto do orfanato, mas afirmaram que apoiarão os esforços para listar todas as 796 crianças.

Registros de morte de County Galway mostraram que as crianças morreram muitas vezes por causa de enfermidades no orfanato, que funcionou de 1926 a 1961. O edifício, que tinha sido anteriormente um reformatório para adultos sem-teto, foi demolido décadas atrás para dar lugar a novas casas.

Uma inspeção do governo em 1944 registrou evidências de desnutrição entre algumas das 271 crianças que viviam no orfanato. Os registros de morte citam doenças, deformidades e nascimentos prematuros como causas da morte. Isso reflete uma Irlanda que, na primeira metade do século 20, teve uma das piores taxas de mortalidade infantil na Europa.

Moradores idosos lembram que os órfãos frequentavam uma escola local, mas foram separados dos outros alunos até que fossem adotados ou colocados, a partir dos 7 ou 8 anos, em escolas industriais dirigidas pela Igreja, que realizava trabalhos não remunerados e abusivos. De acordo com a doutrina católica da época, crianças nascidas fora do casamento não podiam ser batizadas e, se morressem, não teriam direito a um enterro cristão.

Também foi documentado que em toda a Irlanda, na primeira metade do século 20, orfanatos geridos por igrejas e asilos muitas vezes enterravam seus mortos em sepulturas sem identificação, refletindo o ostracismo que as mães solteiras - ridicularizadas pela sociedade - enfrentavam, até mesmo pelas próprias famílias.

A descoberta das sepulturas em Tuam começou em 1975 quando o cimento que cobria as valas foi rompido. Antes de pesquisa de Catherine deste ano, eles acreditavam que os restos mortais eram, em sua maioria, de vítimas da fome de meados do século 19, quando parte da população irlandesa foi dizimada.

Em respeito às covas sem marcação, moradores mantiveram a grama aparada e construíram uma pequena gruta com estátua da Virgem Maria. O arcebispo de Tuam, Michael Neary, disse que iria se reunir com líderes da ordem religiosa que dirigia o orfanato, as irmãs Bon Secours, para organizar e angariar fundos para listar os 796 nomes e erguer um memorial.

Corless e outros ativistas organizaram o Comitê do Cemitério infantil de Turim, que não quer apenas um monumento duradouro para os mortos, mas uma investigação financiada pelo Estado. O governo se recusou a comentar o caso.

A Irlanda já publicou quatro grandes investigações sobre o abuso de crianças e a negligência de paróquias católicas às redes de escolas industriais de crianças. A última delas foi fechada na década de 1990.

*Com AP

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