Sob pressão eleitoral, Farc e governo colombiano retomam diálogo

Por Agência Brasil |

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Expectativa é que a rodada de negociações termine ainda nesta semana; esse processo é apontado como o que 'mais avançou'

Agência Brasil

O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, iniciam nesta terça-feira (3) novo ciclo de diálogos em Havana, Cuba.

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AP
Ivan Marquez, negociador-chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), fala à imprensa em Havana, Cuba (maio/2014)

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A expectativa é que a rodada seja curta e encerrada ainda nesta semana, por causa do segundo turno das eleições presidenciais colombianas, que ocorrerá em menos de 15 dias.

Os negociadores voltam a se reunir depois da aprovação de um acordo parcial sobre "o problema das drogas" e com as dúvidas quanto ao futuro da negociação, em meio à disputa entre Juan Manuel Santos, candidato à reeleição, e Óscar Zuluaga, do Centro Democrático (extrema direita).

As negociações foram iniciadas em novembro de 2012, após pelo menos seis meses de conversações "secretas" entre as partes, que definiram a agenda para o diálogo. Agora, às vésperas da eleição, o fim do conflito armado está no centro do debate entre os candidatos. Santos tenta ser reeleito em nome da continuidade do processo, e Zuluaga, embora tenha criticado a negociação, agora não apresenta um posicionamento claro.

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Inicialmente o opositor - apadrinhado do ex-presidente Álvaro Uribe, um dos maiores críticos do governo Santos e da condução do processo com as Farc - havia dito que suspenderia o processo de paz até que as Farc abandonassem as armas e deixassem atividades criminosas, como ataques à infraestrutura do país, atentados e recrutamento de crianças para o conflito.

Mas, após o resultado do primeiro turno, Zuluaga amenizou o discurso e fala na manutenção do processo de paz, com alguns "ajustes" e condições.

Uma semana após as eleições presidenciais, o cenário ainda é indefinido e as pesquisas continuam a indicar empate técnico entre os dois candidatos, algumas com ligeira vantagem para Santos, outras com melhor desempenho de Zuluaga.

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Esta negociação entre as Farc e o governo é considerada o processo que "mais avançou" em direção à uma saída pacífica para o conflito de meio século.

Além de "soluções para o problema das drogas ilícitas" e a promessa das Farc de se desvincularem totalmente do narcotráfico após o término do conflito, a mesa também conseguiu chegar a acordos parciais sobre a reforma agrária e a participação política da guerrilha no pós-conflito.

Faltam ainda três assuntos para discussão - a reparação das vítimas e a adoção de mecanismos de justiça transicional (anistia ou abrandamento de penas para guerrilheiros); a entrega de armas e reintegração dos integrantes das Farc e garantias para o cumprimento dos acordos celebrados, no pós-conflito.

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