Grupo pede a realização de um referendo sobre a continuidade do Estado monárquico; rei Juan Carlos abdicou nesta segunda

Milhares de manifestantes ocupam uma área conhecida como Puerta del Sol em Madri, capital da Espanha, para discutir a formação de uma república após o anúncio da abdicação do rei Juan Carlos I, nesta segunda-feira (2).

Hoje: Juan Carlos guiou Espanha a democracia, mas escândalos abalam sua imagem

Manifestantes anti-monarquistas realizam manifestação na Praça Catalunya em Barcelona, Espanha
Reuters
Manifestantes anti-monarquistas realizam manifestação na Praça Catalunya em Barcelona, Espanha


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Ativistas carregam a bandeira tricolor que simboliza o movimento republicano contra a monarquia e entoam gritos como "A Espanha, amanhã, vai ser republicana" para pedir a convocação de um referendo que decida sobre o fim da monarquia no país europeu.

Nas redes sociais, partidos como o Podemos, União de Esquerda e Equo realizaram apelo conjunto pela realização do voto popular. Juntas, essas legendas alcançaram 20% das eleições do Parlamento Europeu, realizadas na semana passada.

Por meio das redes sociais, grupos convocaram manifestações para às 20h (horário local) em todas as cidades do país para que o povo seja consultado sobre manter ou não o Estado monárquico.

Trajetória monárquica

O rei espanhol Juan Carlos ajudou a guiar a Espanha para a democracia após a morte do ditador Francisco Franco, mas seu reinado de 40 anos foi obscurecido, nos últimos anos, por um escândalo de corrupção e acusações de que estava alheio ao sofrimento de seu povo com a recessão da economia.

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Com 76 anos, Juan Carlos ficou ainda mais conhecido por meio da transmissão televisionada que ele fez em 24 de fevereiro de 1981, condenando a revolta de militares de direita descontentes com reformas democráticas. O vídeo do líder dos rebeldes disparando seu revólver no Parlamento para intimidar deputados foi mostrado em todo o mundo.

“A coroa, símbolo da permanência e da unidade da terra pátria, não pode tolerar quaisquer ações ou atitudes de pessoas que procuram interromper o processo democrático pela força”, disse ele à nação na noite da tentativa de golpe.

Apesar de suspeitas de alguns esquerdistas de que ele havia originalmente encorajado a tentativa, Juan Carlos conseguiu ganhar o respeito de republicanos influentes.

“Se o rei não estivesse lá em 23 de fevereiro, o golpe militar teria triunfado - disso eu não tenho dúvidas”, disse em 2001 o líder veterano do Partido Comunista, Santiago Carrillo, que passou cerca de 40 anos no exílio durante o governo de Franco.

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Como monarca, Juan Carlos e sua mulher, a rainha Sophia, são considerados afáveis e disponíveis, em contraste com a família real britânica, tida como distante. O rei é um marinheiro amador e também aprecia a caça de ursos, andar de ski e pilotar moto. Mas a imprensa espanhola tradicionalmente trata a família real com uma deferência que faria inveja aos seus semelhantes britânicos, evitando os aspectos mais controversos de sua vida.

Um escândalo de corrupção prejudicou a popularidade do rei nos últimos anos. Sua filha, a princesa Cristina, e o marido dela, Iñaki Urdangarin, estão sob investigação sobre uma suposta apropriação de 6 milhões de euros em recursos públicos por meio de uma instituição de caridade.

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O próprio rei enfrentou acusações de estar alheio às aflições dos espanhóis, ao ser flagrado em uma custosa viagem de caça a elefantes financiada com dinheiro privado, ao passo que seu povo em casa sofria com uma recessão econômica e alto nível de desemprego.

Sua esperada decisão de abdicar a favor do príncipe Felipe foi anunciada pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy. Ele disse que o rei, cuja saúde está frágil e que foi submetido a cinco operações em dois anos, estava deixando o reinado por motivos pessoais. Fontes no palácio real citaram motivações políticas.

Alguns críticos haviam inicialmente visto o rei como uma marionete escolhida por Franco, que governou a Espanha por décadas após vencer uma longa guerra civil em 1939. Franco declarou-se chefe de Estado, mas também foi o regente nacional, já que a família real estava exilada.

Ele foi coroado dois dias após a morte de Franco, em 22 de novembro de 1975. Franco oficialmente havia designado Juan Carlos como seu sucessor em 1969, mas já o havia preparado desde 1948, quando o futuro rei pisou na Espanha pela primeira vez, aos 10 anos.

Juan Carlos Alfonso Víctor María Borbón y Borbón-Dos Sicilias nasceu em 5 de janeiro de 1938, sendo educação na Suíça, em Portugal e mais tarde em academias das forças armadas na Espanha, e frequentemente era visto utilizando uniformes militares.

O rei se casou com a princesa Sophia, da Grécia, em 1962. Eles têm três filhos e oito netos. Seu único filho homem Felipe, o caçula, casou-se com Letizia Ortiz, uma apresentadora de televisão, em maio de 2004.

*Com BBC e Reuters

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