Vice-presidente da Argentina é chamado para depor em caso de corrupção

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Amado Boudou deve comparecer ao tribunal em 15 de julho; ele é investigado por irregularidades como o enriquecimento ilícito

A Justiça da Argentina convocou nesta sexta-feira (30) o vice-presidente argentino, Amado Boudou, a comparecer ao tribunal para depor sobre caso de corrupção no qual é investigado. Boudou deve ser ouvido no dia 15 de julho em sessão liderada pelo juiz federal Ariel Lijo, encarregado do Caso Ciccone.

2012: Suspeito de corrupção, vice faz Cristina Kirchner reviver 'pesadelo'

EFE
Presidente argentina e seu vice, Amado Boudou, na abertura das sessões do Congresso (2012)


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O político está sendo acusado de realizar negociações incompatíveis com sua função pública e por enriquecimento ilícito por causa da suposta compra irregular da imprensa de papel-moeda Ciccone Calcográfica por um empresário próximo ao vice-presidente. Esta é a primeira vez que um vice-presidente em exercício é convocado a depor como réu nos tribunais argentinos.

Segundo o chefe de Gabinete do Executivo de Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, o “vice-presidente da nação sempre manifestou sua vontade de cumprir todas as instâncias judiciais diante de qualquer eventual convocação de um juiz da República, portanto, está à disposição da Justiça como sempre”.

Por causa do suposto envolvimento de Boudou no crime, o governo de Cristina tem mantido o vice-presidente em segundo plano, mas reiterou seu apoio ao político em várias ocasiões.

O caso

Uma investigação conduzida pelo Fisco argentino pediu à Justiça, em julho de 2010, a quebra do sigilo bancário da gráfica Ciccone, que presta serviços ao governo da Argentina vendendo, entre outras coisas, papel-moeda para o Banco Central do país.

Três meses depois, os tribunais suspenderam a ordem por solicitação da própria empresa, após negociação de pagamentos de multas. A partir de uma investigação sigilosa, foi descoberto que o ministério da Economia, pasta liderada por Amado Boudou, havia pressionado o órgão a favor da empresa.

Mais tarde, a companhia foi vendida para o The Old Fund, empresa presidida por Alejandro Vandenbroele, apontado como "testa-de-ferro" de Boudou pelas investigações. O vínculo com o empresário foi negado várias vezes pelo político. 

Depois das eleições de 2011, Boudou deixou a pasta para ocupar o cargo de vice-presidente no governo de Cristina Kirchner. Mas as denúncias em escândalos de corrupção acabaram com sua provável pretensão de suceder a atual líder do país.

"Estou muito calmo e quero provar a minha inocência", disse Boudou em entrevista  ao jornalista Eduardo Feinmann.

*Com jornal Clarín e Buenos Aires Herald

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