Ucrânia vai manter ofensiva no leste; corpos de russos estão sendo repatriados

Por Reuters |

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'Não precisamos que eles fertilizem a terra da Ucrânia', afirmou um assessor do chefe do serviço de guarda de fronteira em Kiev

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O governo da Ucrânia prometeu, nesta sexta-feira (30), avançar com a ofensiva militar contra separatistas apesar do ataque mortal contra helicóptero do Exército.

Hoje: OSCE perde contato com segundo grupo de observadores no leste da Ucrânia

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Homem armado passa por caixões de pró-russos preparados para funerais em Donetsk, Ucrânia (29/05)


Ontem: Helicóptero ucraniano é abatido por rebeldes e deixa ao menos 14 mortos

De acordo com o presidente eleito, Petro Poroshenko, que conseguiu uma vitória esmagadora nas urnas no último domingo (25), afirmou que vai punir os responsáveis pela derrubada do helicóptero na quinta (29) próximo à Slaviansk que matou 14 militares, incluindo um general.

O ministro interino da Defesa, Mykhilo Koval, repetindo acusações de que a Rússia estava realizando "operações especiais" no leste da Ucrânia, disse nesta sexta que as forças ucranianas vão continuar com ofensivas militares nas áreas de fronteira "até que essas regiões comecem a viver normalmente, até que haja paz".

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As autoridades ucranianas alegam há tempos que as rebeliões têm sido fomentadas por Moscou entre a população de língua russa, que é especialmente vulnerável à propaganda de fronteira hostil à revolução pró-União Europeia, em Kiev, que derrubou o presidente apoiado por Moscou, Viktor Yanukovich, em fevereiro.

Relatos de autoridades da fronteira ucraniana e de jornalistas em terra parecem agora mostrar evidências crescentes de envolvimento direto de combatentes voluntários russos nas rebeliões que eclodiram há dois meses, logo após a anexação da Crimeia pela Rússia.

De acordo com esses relatos, os combatentes podem estar entrando na Ucrânia por locais antes turbulentos na Rússia e no extremo do Norte do Cáucaso, como a Chechênia, cujos próprios problemas nos últimos 20 anos deram origem à proliferação de grupos armados.

As autoridades da Ucrânia dizem que os guardas da fronteira russa não estão fazendo nada para impedir que combatentes cruzem a longa fronteira com a Rússia, com caminhões carregados de munição e armas.

Veja fotos da ocupação militar russa na Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Terça: OSCE diz ter perdido contato com monitores após confrontos na Ucrânia

No último relato sobre a ação, guardas da fronteira ucraniana disseram terem apreendido um arsenal de armas, incluindo pistolas, metralhadoras, granadas, rifles de precisão e 84 caixas de munição em dois carros que estavam vindo da Rússia. No total, 13 pessoas foram detidas, disse o serviço de guarda da fronteira em comunicado divulgado em seu site.

Correspondentes da Reuters em Donetsk, cidade industrial e um dos principais centros separatistas, viram caixões sendo colocados em um caminhão de vegetais na quinta-feira após serem informados por rebeldes que os "voluntários" da Rússia mortos no começo da semana em uma ofensiva militar estavam sendo repatriados.

Corpos

Uma autoridade do serviço de guardas da fronteira ucraniana disse nesta sexta que estava autorizando o retorno dos corpos dos cidadãos russos para a Rússia, por razões humanitárias.

Segunda: Novo presidente da Ucrânia promete restaurar controle sobre o leste do país

"Nós não precisamos que eles fertilizem a terra da Ucrânia", disse Serhiy Astakhov, um assessor do chefe do serviço de guarda de fronteira em Kiev, em resposta à pergunta de um jornalista.

O ministro do Interior Arsen Avakov disse que as armas só poderiam ter sido trazidas da Rússia e foram encontradas no aeroporto de Donetsk após este ter sido retomado dos rebeldes.

Os relatos têm elevado novamente as tensões Rússia-Ocidente, levemente aliviadas depois de Moscou ter retirado milhares de soldados da fronteira com a Ucrânia, no que os Estados Unidos descreveram como um "sinal promissor".

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