Entidade não conseguiu se comunicar com cinco observadores; outros quatro estão sendo mantidos reféns por rebeldes no país

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, OSCE, informou nesta sexta-feira (30) ter perdido o contato com equipe de cinco pessoas no leste da Ucrânia. Quatro membros de uma outra missão da OSCE estão sendo mantidos reféns por rebeldes pró-russos desde segunda (26) na região.

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Barris de arma anti-aérea e APC são vistos do lado de fora de um prédio administrativo em Donetsk, na Ucrânia (29/05)
AP
Barris de arma anti-aérea e APC são vistos do lado de fora de um prédio administrativo em Donetsk, na Ucrânia (29/05)


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Por meio de um comunicado online nesta sexta, a OSCE informou que havia perdido o contato com quatro observadores internacionais e um tradutor ucraniano na noite de quinta.

Um líder insurgente confirmou na quinta que os monitores do primeiro grupo estavam em sua custódia. Os rebeldes asseguraram aos jornalistas que eles iriam "fazer um acordo com eles e, em seguida, liberá-los", mas não deu um prazo específico para isso. As equipes da OSCE estão na Ucrânia para monitorar a situação de segurança na sequência do aumento da insurgência separatista pró-Rússia.

Ação contra rebeldes

Nesta sexta, as Forças Armadas ucranianas "limparam completamente a zona separatista do Sul e de parte da região de Donetsk, a Leste, e o norte da região de Lugansk", de acordo com o ministro da Defesa, Mykhailo Koval. O objetivo, segundo ele, é impedir "que a gangrena se espalhe".

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Mais de 20 soldados ucranianos morreram desde o lançamento da operação no Leste do país, em 13 de abril, de acordo com os dados apresentados pelo ministro, que levam em conta apenas as perdas do Ministério da Defesa, excluindo as do Departamento do Interior.

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Cerca de 200 pessoas, entre soldados ucranianos, separatistas e civis, foram mortos na operação, lançada pelas autoridades para acabar com um levante armado separatista nas regiões pró-russas de Donetsk e Lugansk.

As forças ucranianas vão prosseguir com uma ofensiva militar contra os rebeldes separatistas no leste do país até que a paz e a ordem tenham sido restabelecidas, segundo Koval.

Em declarações depois que 14 militares, incluindo um general, foram mortos quando rebeldes derrubaram na quinta-feira um helicóptero do Exército, Koval afirmou: "Nossa tarefa é levar a paz e a ordem à região".

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Repetindo acusações de que a Rússia está desencadeando "operações especiais" no leste da Ucrânia, Koval disse que as forças ucranianas vão continuar com operações militares em áreas de fronteira "até que essas regiões comecem a viver normalmente, até que haja paz".

Gás russo

A Ucrânia precisa fazer um adiantamento à Rússia por gás e, em troca, Moscou precisa oferecer um preço justo por mais entregas, disse o Comissário de Energia da Europa, Gunther Oettinger, antes de conversas com os ministros de Energia russo e ucrâniano em Berlim nesta sexta.

Oettinger está atuando como mediador nas conversas, que na segunda-feira viu os dois governos concordarem em estudar a proposta de que a Ucrânia pague 2 bilhões de dólares à Rússia até a quinta-feira e outros 500 milhões de dólares até o dia 7 de junho.

O comissário disse à estação alemã de rádio Deutschlandfunk que agora está claro quanto gás a Rússia forneceu à Ucrânia entre novembro e o final de maio.

"O preço para os meses de janeiro, fevereiro, e também para hoje, é controverso, então a Ucrânia tem de explicar hoje que fará ou já fez um primeiro pagamento, um montante significativo, uma soma alta em três dígitos de milhões de dólares", disse ele.

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"(Isso) para que fique claro que (a Ucrânia) está preparada para aceitar obrigações de pagamentos; quem recebe gás precisa pagar", ele acrescentou.

*Com AP, Reuters e Agência Brasil

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