A ideia é pôr fim às divisões políticas internas e acabar com os episódios violentos dos últimos meses, de acordo com Exército

Menino brinca com soldados tailandeses que fazem ronda no Monumento da Vitória para evitar protestos, em Bangcoc, Tailândia
AP
Menino brinca com soldados tailandeses que fazem ronda no Monumento da Vitória para evitar protestos, em Bangcoc, Tailândia

A junta militar da Tailândia anunciou nesta sexta-feira (30) que estabelecerá “centros de reconciliação” pelo país a fim de pôr fim a uma década de divisão política que muitas vezes ocasionou episódios de violência.

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O chefe do Exército, general Prayuth Chan-ocha, assumiu o poder em um golpe de Estado no dia 22 de maio sob a justificativa de que era necessário encerrar o mais recente embate entre os defensores da monarquia nacional e os apoiadores de uma crescente rede de poder liderada pelo ex-primeiro-ministro e bilionário Thaksin Shinawatra.

Alguns apoiadores do autoexilado Thaksin, deposto por um golpe em 2006, preveem que o Exército fará reformas eleitorais e outras mudanças nos próximos meses para buscar encerrar a influência política do magnata de uma vez por todas.

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Mas o Exército diz que está sendo imparcial e que políticos e ativistas de ambos os lados estão entre as mais de 250 pessoas presas desde o golpe, embora a maioria dessas pessoas fosse aliada do governo deposto da irmã de Thaksin, Yingluck Shinawatra.

A disputa entre os apoiadores do “establishment" monarquista, do qual os militares são uma parte, e da máquina política de Thaksin, que inclui a população rural mais pobre, tem polarizado o país e dividido famílias.

A junta militar disse que busca coesão nacional e “liderar a Tailândia de volta ao caminho da democracia”, e argumenta que os centros de reconciliação serão parte desse esforço.

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“É o modelo de Prayuth e sua intenção é construir a paz, porque mesmo dentro de uma mesma família não se pode discutir política”, disse o coronel Banpot Poonpien, um porta-voz ligado à Isoc, uma agência militar de segurança nacional.

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“Devemos trabalhar sobre como ensinar as pessoas a viverem juntas em harmonia”, disse ele a repórteres.

Segundo Banpot, Prayuth deu à Isoc a responsabilidade de montar centros de reconciliação em todas as regiões da Tailândia, mas os detalhes de onde e como esses centros vão operar ainda precisam ser finalizados.

Censura

A Junta Militar que governa a Tailândia bloqueou 219 páginas na internet, alegando que constituem ameaça à “segurança nacional”, informou na última quarta (28) a imprensa local.

O Exército também pretende pedir a colaboração de empresas de redes sociais, como o Facebook ou o Twitter, e de aplicações de chat, como o Line, para eliminar as contas de internautas que difundam “conteúdos ilegais”, segundo o diário Prachatai.

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O secretário permanente do Ministério da Informação e Tecnologias de Comunicação, disse Surachai Srisakam na terça-feira (27), que está em curso a elaboração de um plano para que a vigilância da Internet seja mais eficiente.

Quem difundir informação ilegal será detido pelas autoridades militares, sob acusações que podem resultar em penas de prisão, destaca o jornal.

*Com AP e Reuters

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