Segundo o general Prayuth Chan-ocha, as reformas políticas e os planos de paz devem ser alcançados bem antes das eleições

O chefe da junta militar da Tailândia, o general Prayuth Chan-ocha, afirmou nesta sexta-feira (30) que as eleições só devem acontecer daqui a mais de um ano no país.

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Soldados tailandeses fazem guarda ao longo das estradas bloqueadas em torno do Monumento da Vitória em Bangcoc, Tailândia
Reuters
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Em seu primeiro discurso direto ao público desde o golpe de Estado do dia 22 de maio, o militar afirmou que as reformas políticas e o alcance da paz são suas prioridades. Prayuth repetiu as advertências quanto aos protestos e a resistência às ordens do Exército, dizendo que esse tipo de ação atrasaria o processo em trazer de volta a "felicidade" do povo tailandês.

Durante seu dircurso, o militar disse que levaria pelo menos três meses para conseguir a reconciliação no país profundamente dividido e que, em seguida, levaria cerca de um ano para escrever uma nova constituição e formar um governo interino. Só então as eleições poderiam ser realizadas, afirmou.

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"Nos dê tempo para resolver os problemas para vocês e então, os soldados vão voltar a olhar para a Tailândia de longe", disse ele.

Prayuth também explicou os planos da junta na administração do país, enfatizando que vai priorizar a estabilidade financeira e transparência. O golpe militar derrubou um governo que obteve vitória eleitoral esmagadora, há três anos. 

Ele convocou mais de 250 pessoas, entre membros do governo deposto, líderes políticos, jornalistas, figuras acadêmicos e ativistas vistos como críticos ao regime. Cerca de 70 pessoas ainda estão sob custódia do Exército.

Ação

Nesta sexta, os militares isolaram um cruzamento importante em Bangcoc para evitar um possível protesto. A ação maciça de força - que envolveu centenas de tropas durante o horário de rush - veio em resposta às manifestações pequenas, mas quase diárias, pelo país.

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No centro da profunda divisão política da Tailândia está Thaksin Shinawatra, ex-primeiro-ministro apoiado por muitos tailandeses rurais por seus programas populistas, mas desprezado por outros - especialmente pela elite e classe média de Bangcoc. Ele foi deposto em 2006 por meio de golpe, sob alegações de corrupção, abuso de poder e desrespeito com a monarquia.

Atualmente ele vive no exterior, em exílio auto-imposto, mas manteve grande influência sobre o mais recente governo deposto na Tailândia, liderado por sua irmã, Yingluck Shinawatra.

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Apesar da recente agitação política no país, a vida continua, em grande parte, normal em grande parte da Tailândia: os turistas ainda relaxam em resorts na praia e passeiam por templos budistas em Bangcoc e outras cidades.

Censura

A Junta Militar que governa a Tailândia bloqueou 219 páginas na internet, alegando que constituem ameaça à “segurança nacional”, informou na última quarta (28) a imprensa local.

O Exército também pretende pedir a colaboração de empresas de redes sociais, como o Facebook ou o Twitter, e de aplicações de chat, como o Line, para eliminar as contas de internautas que difundam “conteúdos ilegais”, segundo o diário Prachatai.

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O secretário permanente do Ministério da Informação e Tecnologias de Comunicação, disse Surachai Srisakam na terça-feira (27), que está em curso a elaboração de um plano para que a vigilância da Internet seja mais eficiente.

Quem difundir informação ilegal será detido pelas autoridades militares, sob acusações que podem resultar em penas de prisão, destaca o jornal.

*Com AP e Reuters

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