Egito revoga 52 anistias da era Mursi, segundo a mídia estatal

Por Reuters |

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Ação do presidente interino Adly Mansour inclui ainda islamitas afiliados à Irmandade Muçulmana, movimento banido do país

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O presidente interino do Egito, Adly Mansour, revogou anistias de 52 pessoas indultadas pelo presidente deposto Mohamed Mursi, de acordo com a mídia estatal nesta sexta-feira (30), incluindo islamitas afiliados à Irmandade Muçulmana, movimento banido.

Ontem: Ex-chefe do Exército é eleito presidente do Egito com mais de 90% dos votos

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Pessoas celebram as eleições no Egito com cartaz do ex-chefe do Exército, Abdel Fattah al-Sisi próximo ao Cairo, Egito (28/05)


Janeiro: Ex-presidente Mursi e ativistas vão a julgamento no Egito

Mursi, primeiro presidente eleito livremente no Egito, perdoou uma série de islamitas durante seu mandato de um ano, muitos dos quais estavam presos desde os anos 1990.

Ele foi deposto em julho do ano passado pelo ex-chefe do exército Abdel Fattah al-Sisi após os protestos de massa contra seu governo. Sisi foi eleito presidente por maioria de votos esta semana, informam resultados preliminares.

Desde a queda de Mursi, o governo egípcio reprimiu duramente a Irmandade, força dominante do país nas eleições após o levante de 2011 que derrubou o presidente autocrático Hosni Mubarak.

Quarta: Dia extra de votação no Egito tem fraco comparecimento de eleitores

As forças de segurança mataram centenas de apoiadores da Irmandade durante os protestos no ano passado, as autoridades prenderam a maioria dos líderes do grupo, e o chefe do movimento, Mohamed Badie, foi condenado à morte, com centenas de outros. Mursi também está em julgamento.

A agência de notícias estatal Mena disse que as anistias canceladas pelo presidente interino, Adly Mansour, foram concedidas em 2012 e 2013.

Fontes de segurança disseram que aqueles cujas anistias foram canceladas incluíam um pastor saudita e diversas figuras afiliadas ao movimento internacional Irmandade Muçulmana. A Arábia Saudita também baniu a Irmandade e ajudou o Egito com bilhões de dólares desde a derrubada de Mursi.

A reportagem da Mena não especificou quais indultos foram cancelados, mas disse apenas que alguns estavam relacionados a "crimes de assassinato e terrorismo contra cidadãos inocentes". O cancelamento ocorre após os indultos "provocarem controvérsia social", segundo a Mena, incluindo "dúvida quanto à sua finalidade".

A Irmandade Muçulmana boicotou as eleições presidenciais desta semana, como também muitos ativistas seculares pró-democracia desiludidos pela repressão. Sisi venceu com mais de 90% dos votos, de acordo com a mídia estatal, citando fontes de campanha e judiciais.

O baixo comparecimento às urnas, no entanto, levantou questões sobre se Sisi teria um mandato nacional forte o suficiente para consertar a economia e enfrentar uma insurgência islâmica armada que se intensificou no último ano.

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