Viúvo de paquistanesa apedrejada confessa ter matado a primeira mulher

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em entrevista à CNN, Mohammad Iqbal confirmou o crime e diz ter ficado preso; premiê do Paquistão pede relatório sobre caso

O marido de Farzana Parveen, 25, apedrejada até a morte pela família por se recusar a participar de um casamento arranjado, disse à CNN nesta quinta-feira (29) que matou sua primeira mulher para poder se casar com a paquistanesa.

Terça: Paquistanesa morre apedrejada pela família após se casar sem permissão

Reuters
Membros da sociedade civil e da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão seguram cartazes durante protesto em Islamabad


Hoje: Polícia não fez nada para impedir linchamento, diz marido de paquistanesa morta

"Eu quis propor casamento para Farzana assim que matei minha mulher", disse Mohammad Iqbal.

Zulfiqar Hameed, inspetor-geral da polícia do distrito de Punjab, disse que Aurengzeb, um dos filhos do primeiro casamento de Iqbal, alertou a polícia sobre o assassinato, que aconteceu há seis anos. O jovem está na casa dos 20 anos e confirmou as declarações do pai à CNN. Ele disse que Iqbal ficou preso por um ano por causa do crime.

Farzana, que estava grávida de três meses, foi apedrejada até a morte com tijolos e outros materiais de construção na terça (27), na cidade de Lahore, por um grupo de cerca de 20 pessoas, incluindo seus irmãos, pai e primos, de acordo com a polícia. Após prender o pai da vítima, a polícia procura pelos outros criminosos.

O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, pediu ao ministro-chefe de Punjab, Shahbaz Sharif, apresentar um relatório sobre o incidente. Grande parte dos crimes de honra no Oriente Médio ocorre em áreas rurais. O ataque de terça foi incomum porque aconteceu em uma área pública de uma cidade grande.

Vizinho da família de Farzana, Iqbal disse que deveria ter se casado com ela no ano passado, com a aprovação da família. Como parte do acordo, Iqbal afirmou ter dado ao sogro 80 mil rúpias, além de joias em ouro.

Mas após a morte da mãe da jovem, em dezembro, o pai e irmãos de Farzana mudaram de opinião sobre o casamento, segundo Iqbal. A família decidiu então que a moça, que veio de uma aldeia em Punjab, deveria se casar com um primo, segundo a polícia.

A paquistanesa e Iqbal, então, fugiram e se casaram no dia 7 de janeiro em uma cerimônia tribunal. Ele disse que ela ficou linda de branco e que era uma "mulher bonita e muito boa."

Veja imagens sobre outros crimes chocantes

Velório das crianças mortas a facadas pelo pai São Paulo . Foto: Futura PressSara Kelly, mãe das vítimas, durante velório das crianças mortas a facadas pelo pai São Paulo . Foto: Futura PressMarcelo Pesseghini ao lado do pai, o sargento da Rota Luiz Marcelo Pesseghini. Segundo a polícia, Marcelo é responsável pela morte dos pais. Foto: Arquivo pessoalEstudante de enfermagem Loanne Rodrigues da Silva Costa, de 19 anos, e o padrasto foram encontrados mortos e acorrentados pelos pés a uma árvore. Foto: Reprodução/FacebookSegundo a polícia, os filhos acreditavam que o padrasto de Loane poderia ter planejado matar a jovem e sentiria desejo por ela. Foto: Reprodução/FacebookLoanne e o padrastro tiveram abdômen cortado e órgãos arrancados, segundo a polícia. Foto: Reprodução/FacebookAntes do assassinato, a jovem já havia recebido ameaças de morte e sido agredida com uma paulada na cabeça. Foto: Reprodução/FacebookAmiga de Loanne disse à polícia que o padrasto ligava o tempo todo para a jovem. Foto: Reprodução/FacebookO corpo do menino Joaquim Ponte, de 3 anos, foi encontrado boiando em um rio . Foto: Alfredo Risk/Futura PressO padrastro Guilherme Longo é suspeito do assassinato de Joaquim. Foto: Reprodução/EPTVJoaquim Ponte Marques, de 3 anos, ficou desaparecido por cinco dias. Foto: Futura PressNatália Ponte, mãe de Joaquim, deve responder por omissão. Foto: Piton/Futura PressGuilherme Longo participa de reconstituição da morte de Joaquim. Foto: Futura PressA avó materna de Joaquim, Cristina Ponte, durante o velório. Foto: Futura PressFamiliares, amigos e moradores de São Joaquim da Barra participam do velório do menino Joaquim . Foto: Alfredo Risk/Futura PressUm casal de brasileiros e sua filha de 10 anos foram encontrados mortos dentro de casa. Foto: Reprodução/FacebookA polícia suspeita de duplo assassinato seguido de suicídio por conta dos problemas financeiros enfrentados pela família. Foto: Reprodução/FacebookO motoboy sandro Dota foi condenado a 31 anos por matar e estuprar a cunhada Bianca Consoli. Foto: Futura PressMãe mata as duas filhas e comete suicídio dentro de casa, no Butantã, zona oeste de São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura PressAmigas das adolescentes supostamente mortas pela mãe choram em frente à casa da família no bairro do Butantã. Foto: Futura PressGil Rugai foi condenado a 33 anos e 9 meses de prisão pelas mortes do pai e da madrasta. Foto: Futura PressAo ler da condenação do réu, o juiz se referiu a Gil Rugai como um pessoa "extremamente perigosa" e "dissimulada", já que tentava passar a imagem de "bom moço". Foto: Alice Vergueiro/Futura PressRéu Gil Rugai chega ao segundo dia do júri popular, em SP. 'Eu não matei. Sou inocente', disse. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressGil Rugai chega ao Fórum da Barra Funda, em São Paulo, com a mãe e o irmão. Foto: Futura PressMaioria do júri concordou que o duplo homicídio foi cometido por motivo torpe, pois Rugai não se conformou por ter sido afastado dos negócios do pai. Foto: AEAnna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, madrasta e pai da menina Isabella, foram condenados por arremessar a menina do 6º andar do prédio onde moravam. Foto: WERTHER SANTANA/AEAnna Carolina Jatobá cumpre pena na penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Foto: AEAnna Carolina Jatobá  e Suzane von Richthofen cumprem pena no mesmo complexo penitenciário. Foto: ArquivoSuzane von Richthofen e Anna Carolina Jatobá em Tremembé. Foto: ArquivoSuzanne foi condenada por participação no assassinato dos pais em 2002. Foto: Futura Press

"Nós éramos felizes", disse ele, embora afirme que o casal estava constantemente preocupado com sua segurança.

"Ela nos amou", disse Aurengzeb, enteado de Farzana. "Ela sempre fez o mais delicioso ensopado de carne para nós."

O casamento enfureceu a família da paquistanesa, explicou Iqbal, e eles exigiram o pagamento de mais 100 mil rúpias (cerca de 2.223 reais) para não matar o casal. Iqbal, agricultor de uma aldeia em Jurranwala, Punjab, não tinha o dinheiro. A família, então, levou o caso aos tribunais, acusando o homem de ter sequestrado Farzana.

Segundo o advogado Mustafa Kharal, Iqbal e sua mulher foram surpreendido pelos parentes de Farzana que a aguardavam do lado de fora do tribunal. Enquanto o casal caminhou até o portão principal, parentes da vítima começaram a disparar tiros para o ar e tentaram arrancá-la dos braços de Iqbal. Ao resistir, a paquistanesa começou a ser golpeada pelo pai, irmãos e outros parentes com tijolos, pedaços de pau e outros materiais encontrados em uma construção.

Segundo a ONU, cerca de 5 mil mulheres são assassinadas todos os anos por parentes em todo o mundo nos chamados "crimes de honra". Esse tipo de crime acontece quando elas trazem “vergonha às famílias". Mas grupos de defesa das mulheres dizem que o crime pode estar sendo subestimado e as vítimas podem ser até 20 mil por ano.

Países como Afeganistão, Bangladesh, Brasil, Canadá, Equador, Egito, França, Alemanha, Índia, Iraque, Irã, Itália, Jordânia, Marrocos, Paquistão, Suécia, Turquia, Uganda, Reino Unido e os Estados Unidos apresentam casos desse tipo de violência, de acordo com relatório da ONU "Violência global contra a mulher em nome de 'honra'."

*Com CNN, USA Today e Fox News

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