Presidente da Nigéria anuncia ampla ofensiva contra o Boko Haram

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Não ficou clara qual a ação a ser adotada pelo governo do país, mas Goodluck Jonathan prometeu 'guerra total' contra o grupo

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, afirmou nesta quinta-feira (29) que vai comandar uma “operação de grande escala” contra militantes islâmicos do Boko Haram, e buscou tranquilizar os pais das 219 estudantes mantidas reféns pelo grupo.

Hoje: Quatro das mais de 200 alunas raptadas pelo Boko Haram são libertadas 

Reuters
Presidente nigeriano Goodluck Jonathan fala sobre o sequestro das estudantes aos jornalistas em Abuja, Nigéria


Terça: Suposta localização de alunas sequestradas gera impasse na Nigéria

Durante discurso em celebração ao Dia da Democracia da Nigéria, Jonathan disse ter autorizado forças de segurança a utilizarem quaisquer meios necessários sob a lei para garantir que o Boko Haram, o qual opera no nordeste do país, seja derrotado.

“Estou determinado a proteger nossa democracia, nossa unidade nacional e nossa estabilidade política, ao declarar uma guerra total contra o terrorismo”, explicou, por meio de discurso televisionado.

Não estava claro o que a tal ofensiva poderá envolver, considerando que o nordeste do país está sob estado de emergência e sob uma operação militar de ampla escala já há um ano. No entanto, a frase “guerra total” foi utilizada pelo presidente do Chade, Idriss Deby, após um encontro de países vizinhos da Nigéria em Paris em meados de maio, no qual foi buscada uma estratégia comum para combater os militantes.

Terrorismo: Chega a 118 o número de mortos após explosões de bombas na Nigéria

“Eu garanto a vocês que esses bandidos serão afastados. Não vai acontecer do dia para a noite, mas não vamos poupar esforços para alcançar esta meta”, disse Jonathan.

Em 14 de abril, militantes do Boko Haram invadiram uma escola secundária na vila de Chibok e sequestraram 276 garotas. Até agora, 57 conseguiram escapar.

Libertadas

O grupo radical islâmico Boko Haram libertou quatro das mais de 200 crianças sequestradas na Nigéria, informaram alguns jornais locais nesta quinta, citando fontes do governo de Chibok, no Oeste do país. 

Em contrapartida, outros veículos de comunicação, que citam fontes da mesma origem, contradizem essa versão, indicando que foram as meninas que conseguiram escapar dos raptores do Boko Haram.

Veja fotos sobre o sequestro das jovens nigerianas

Martha Mark, mãe de Monica Mark, uma das sequestradas em escola nigeriana, chora ao mostrar foto da jovem na casa da família em Chibok, Nigéria (19/05). Foto: APApós possível divisão do grupo de reféns analistas dizem que resgates pode levar anos (8/05). Foto: AFPEstudantes protestam do lado de fora do consulado nigeriano em Nova York, EUA, pelas meninas sequestradas pelo Boko Haram na Nigéria (28/05). Foto: ReutersAluna de uma escola sul-africana, com tradicionais manchas de tinta no rosto, participa de protesto silencioso pelas jovens raptadas na Nigéria (14/05). Foto: APMulher grita durante manifestação incitando o Governo a agilizar o resgate das meninas sequestradas, em Abuja, Nigéria (11/05). Foto: APAtivistas participam da campanha 'Tragam nossas meninas de volta durante vigília realizada no Dia das Mães em Los Angeles, EUA (11/05). Foto: ReutersQuatro estudantes que conseguiram escapar do sequestro feito pelo grupo Boko Haram em escola de Chibok, Nigeria (2/05). Foto: APAbubakar Shekau, suposto líder do grupo extremista Boko Haram, fala sobre o sequestro de estudantes no nordeste na Nigéria (5/05). Foto: APUma mãe não identificada chora durante manifestação com outros pais cujas filhas foram sequestradas em escola de Chibok, Nigéria (29/04). Foto: APManifestante segura cartaz contra os raptos de garotas feito pelo grupo islâmico Boko Haram (5/05). Foto: APManifestantes protestam contra a demora do governo da Nigéria em encontrar as mais de 200 estudantes raptadas de escola em Chibok. Foto: APMulher participa de um protesto exigindo a libertação de meninas da escola secundária que foram raptadas da aldeia de Chibok, Nigéria. Foto: ReutersMulher segura cartaz durante manifestação sobre o sequestro das meninas de uma escola em Chibok, Nigéria (5/05). Foto: Reuters

Governo: Jovens raptadas na Nigéria estão distribuídas pelo país

Com essas quatro, em liberdade desde quarta (28), são 57 as meninas que saíram do cativeiro, apesar de as autoridades nigerianas estimarem que se encontram detidas mais 219 crianças.

Uma aparente divergência surgiu entre os chefes militares da Nigéria e o presidente sobre como resgatar as cerca de 300 estudantes sequestrados por extremistas islâmicos na terça (27). Enquanto os militares dizem que o uso da força poderia provocar a morte das reféns, o presidente teria afastado a possibilidade de trocar prisioneiros pelas estudantes.

O chefe de Defesa, o marechal da Força Aérea Alex Badeh, anunciou na segunda (26) à noite que os militares localizaram as meninas, mas não ofereceu nenhum avanço sobre o assunto.

Assista: Sequestro de meninas espalha medo entre estudantes da Nigéria

"Nós não podemos correr o risco de ter nossas meninas mortas em nome de uma ação para levá-las de volta para casa", disse ele.

Tentativas militares anteriores de libertar reféns levaram a morte de prisioneiros por seus sequestradores, incluindo um britânico e um engenheiro italiano na cidade de Sokoto, que fica ao norte da Nigéria, em março 2012.

Um ativista de direitos humanos próximo dos mediadores disse que uma troca de extremistas detidos pelas meninas foi negociada há uma semana, mas não deu certo porque o presidente do país recusou-se a considerar uma troca. O ativista falou à Associated Press sob condição de anonimato.

*Com Reuters e Agência Brasil

Leia tudo sobre: sequestro na nigeriaboko harammeninasestudantesjonathan

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas