Ex-chefe do Exército é eleito presidente do Egito com mais de 90% dos votos

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Abdel Fattah al-Sisi já tinha 93% dos votos enquanto a apuração continuou; eleições tiveram um enorme número de abstenção

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Abdel Fattah al-Sisi, o militar que derrubou o primeiro presidente livremente eleito no Egito, obteve mais de 90% dos votos na eleição presidencial, de acordo com resultados provisórios divulgados nesta quinta-feira (29), unindo-se assim a uma longa lista de líderes que emergiram das fileiras das Forças Armadas.

Ontem: Dia extra de votação no Egito tem fraco comparecimento de eleitores

AP
Abdel-Fattah al-Sissi chega para votar no primeiro dia de votação no Cairo, Egito (26/05)


Terça: Egito incentiva eleitores a irem às urnas no segundo dia de votação

No entanto, uma abstenção maior do que a prevista levanta questões sobre a credibilidade de um homem idolatrado por seus partidários como um herói que poderá proporcionar estabilidade política e econômica ao país.

Sisi estava com 93,3% dos votos, segundo fontes do judiciário, enquanto a apuração dos votos prosseguia, após três dias de votação. Seu único rival, o político esquerdista Hamdeen Sabahi, conseguiu 3% e 3,7% dos votos foram invalidados.

Compareceram às urnas 44,4% dos 54 milhões de eleitores, disseram fontes no Judiciário, menos do que 40 milhões de votos, ou 80% do eleitorado, que Sisi pedira ao país na semana passada e também menos do que os 52% de votos que Momahed Mursi obteve na eleição presidencial de 2012.

Eleições: Egito vai às urnas sob forte esquema de segurança

Dia extra de votação

O ritmo das eleições egípcias foi vagaroso na quarta-feira (28), após a votação ter sido estendida para um terceiro dia em uma tentativa de aumentar o comparecimento às urnas, levantando questionamentos sobre o nível de apoio ao então candidato al-Sisi.

Visitas matutinas a colégios eleitorais no Cairo sugeriam que autoridades teriam dificuldades, novamente, em fazer com que mais pessoas compareçam para depositar seus votos. O mesmo padrão emergiu na segunda maior cidade do Egito, Alexandria, disseram repórteres da Reuters.

Em um país polarizado desde que um levante popular derrubou Hosni Mubarak do poder em 2011, o baixo quórum estava relacionado a um sentimento de apatia política, à possibilidade de outro presidente ligado a militares, ao descontentamento com a supressão de liberdades entre a juventude liberal, e a pedidos de boicote às urnas feito por ativistas islâmicos.

Após meses de bajulação por parte da imprensa encorajada pelos seus apoiadores no governo, os serviços de segurança e os empresários, muitos egípcios ficaram surpresas ao ver que a eleição fracassou em gerar o imenso apoio previsto pelo próprio Sisi.

Para Sisi - responsável pela queda do ex-presidente Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, no ano passado após grandes protestos contra seu governo - os riscos são altos.

Um baixo apoio nas eleições neste dividido país pode significar que a legitimidade de Sisi como chefe de Estado da nação árabe mais populosa do mundo ficaria prejudicada tanto dentro de seu país quanto internacionalmente.

As votações, com duração prevista de dois duas, deveriam originalmente ser concluídas na terça-feira, mas foram estendidas até o fim da tarde de quarta-feira (horário local) para permitir que o “maior número possível” de pessoas votem, informou a imprensa estatal.

“O Estado busca votos”, disse a manchete do jornal privado Al-Masry Al-Youm.

A missão observadora Democracia Internacional disse que a decisão de estender a votação levantou dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral do Egito.

“Resoluções de última hora sobre procedimentos eleitorais importantes, tais como a decisão de aumentar o tempo de votação em um dia, deveriam ser feitas apenas em circunstâncias extraordinárias”, disse Eric Bjornlund, presidente da entidade, em comunicado.

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