O presidente disse ainda que o país vai contestar, caso a lei que punirá funcionários do governo com sanções seja aprovada

Agência Brasil

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta quarta-feira (28) que seu governo não vai reconhecer nenhuma lei que puna com sanções funcionários venezuelanos, a ser aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos.

Polêmica: Maduro repudia PL dos EUA sobre sanções a funcionários venezuelanos

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (C), observa os líderes da oposição reunidos no palácio de Miraflores no início de reunião que discutiu crise no país (10/4)
AP
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (C), observa os líderes da oposição reunidos no palácio de Miraflores no início de reunião que discutiu crise no país (10/4)

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"Só os impérios coloniais podem aplicar leis extraterritoriais. Qualquer lei que venha a ser aprovada no Congresso dos Estados Unidos, aplicando sanções à Venezuela, é espúria. Não a reconheceremos, rejeitamos e iremos contestá-la em todos os cenários mundiais”, disse Maduro.

O presidente falou em seu programa semanal de rádio Em Contato com Maduro. Ele elogiou a decisão da União de Nações Sul-Americanas de condenar, na sexta-feira (23), a eventual imposição de sanções dos Estados Unidos a Caracas.

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"Nem as leis do Congresso dos Estados Unidos, nem ameaças, nem sanções deterão a Venezuela", afirmou.

O líder socialista confirmou que o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elías Jaua, viajou para a Argélia, para denunciar "a ingerência dos Estados Unidos" durante o encontro do Movimento de Países Não Alinhados.

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"Estão reunidos na Argélia 118 países. Estou seguro de que vão acolher a proposta venezuelana de condenar as ameaças de sanções", disse, destacando que "o caminho das sanções é um caminho fracassado, como tem sido fracassado o caminho do bloqueio e da perseguição contra o povo cubano".

Nicolás Maduro questionou a possibilidade de congelamento de contas e de suspensão de vistos de funcionários venezuelanos. Ele observou que podem cancelar o visto "a quem quiser" e disse desconhecer a que contas se referem.

O presidente insistiu que Caracas pretende ter relações de paz e de respeito com Washington e que aguarda que os Estados Unidos aprovem a designação de Maximilian Arveláez embaixador da Venezuela.

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Em causa estão dois projetos de lei para impor sanções a funcionários do governo venezuelano acusados de violar os direitos humanos de manifestantes. Os projetos foram aprovados recentemente pela Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano e aguardam a votação em plenário dos 435 congressistas.

Os projetos preveem que sejam revogados os vistos e congelados os ativos de funcionários do governo de Nicolás Maduro em território norte-americano.

Há mais de três meses são registrados protestos diários na Venezuela devido à crise econômica, inflação, escassez de produtos, insegurança, corrupção, ingerência cubana e repressão por parte de organismos de segurança do Estado.

Alguns protestos acabaram em confrontos violentos, durante os quais morreram pelo menos 42 pessoas, incluindo dez policiais. Por outro lado, mais de 870 pessoas ficaram feridas e 3.210 foram detidas, das quais 224 continuam presas.

Mais de dez policiais foram detidos e estão em curso 180 investigações por violações de direitos fundamentais dos manifestantes.

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