Militares bloquearam 219 portais alegando que eles ameaçavam a 'segurança nacional' e pediram 'colaboração' de redes sociais

A Junta Militar que governa a Tailândia bloqueou 219 páginas na internet, alegando que constituem ameaça à “segurança nacional”, informou nesta quarta-feira (28) a imprensa local.

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Soldados seguram escudos enquanto fazem guarda ao redor do Monumento da Vitória em Bangcoc, Tailândia
AP
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O Exército também pretende pedir a colaboração de empresas de redes sociais, como o Facebook ou o Twitter, e de aplicações de chat, como o Line, para eliminar as contas de internautas que difundam “conteúdos ilegais”, segundo o diário Prachatai.

O secretário permanente do Ministério da Informação e Tecnologias de Comunicação, disse Surachai Srisakam na terça-feira (27), que está em curso a elaboração de um plano para que a vigilância da Internet seja mais eficiente.

Quem difundir informação ilegal será detido pelas autoridades militares, sob acusações que podem resultar em penas de prisão, destaca o jornal.

Chefe do Exército da Tailândia, general Prayuth Chan-ocha, assumiu o controle do poder no país na semana passada, após considerar que as tentativas do governo interino e dos manifestantes antigovernamentais para alcançar um acordo fracassaram depois de sete meses de protestos nas ruas.

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O golpe militar, o segundo em oito anos, depôs um governo eleito que havia resistido meses sob a frágil democracia tailandesa sob ataque de manifestantes, dos tribunais e, finalmente, do exército. Os militares que tomaram o poder detêm boa parte dos políticos eleitos do país do sudeste asiático e ordenou o restante deles a se renderem.

A ação de Chan-ocha, endossada pelo rei na segunda (26), advertiu ainda adversários a não criticarem ou protestarem, dizendo que a Tailândia poderia voltar aos "velhos tempos" de tumulto e violência para reprimir as reivindicações populares. Ainda assim, centenas de pessoas se reuniram nesta terça em torno do Monumento da Vitória em Bangcoc para protestar contra o golpe.

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Apesar da turbulência política que deixou o governo eleito em frangalhos, a vida continua normal em grande parte do país. Os turistas ainda relaxam em resorts de praia exóticos e passeiam por templos budistas deslumbrantes. Em outras regiões, porém, reservas de hotel estão sendo canceladas e a cantora e compositora americana Taylor Swift cancelou um show com ingressos esgotados que tinha sido programado para o dia 9 de junho.

"Mando todo o meu amor aos fãs da Tailândia", Taylor twittou. "Estou muito triste com o cancelamento do show."

Até agora, 258 pessoas foram denunciadas às autoridades. Entre eles estão os estudiosos, jornalistas e ativistas políticos vistos como críticos ao regime. Prayuth disse que eles precisam de um tempo "para se acalmarem". Mas ainda não está claro quantas estão sob custódia dos militares. Alguns, porém, foram soltos, incluindo a primeira-ministra deposta Yingluck Shinawatra.

*Com Agência Brasil e AP

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