Moscou diz continuar recebendo pedidos de ajuda na zona de conflito; Donetsk não registrou casos de violência nesta quarta

A Rússia está disposta a enviar ajuda humanitária para a região Leste da Ucrânia e pediu autorização a Kiev para realizar essa operação, informou nesta quarta-feira (28) o ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

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Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo, participa de coletiva após encontro com o Relações Exteriores argentino Hector Timerman em Moscou, Rússia
Reuters
Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo, participa de coletiva após encontro com o Relações Exteriores argentino Hector Timerman em Moscou, Rússia


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O comunicando informa que a Rússia continua recebendo pedidos insistentes de cidadãos e de organizações na zona de conflito, com apelos para a prestação urgente de ajuda humanitária.

“A parte russa está disposta a prestar assistência à população dessas regiões e propõe à Ucrânia tomar as medidas necessárias, o mais rápido possível, para garantir o envio urgente de ajuda humanitária”, segundo nota divulgada na página do ministério.

De acordo com o comunicado, as rotas e as condições do fornecimento da ajuda poderão ser acordadas pelas respectivas instituições dos dois países. “Dado o caráter urgente da situação, a parte russa espera receber rápida resposta da Ucrânia”.

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Os combates entre as forças ucranianas e os rebeldes pró-russos recomeçaram hoje na cidade de Donetsk, epicentro da insurreição separatista na Região Leste da Ucrânia. Vários hospitais e escolas permanecem fechados nos distritos centrais da cidade, na sequência da operação antiterrorista lançada por Kiev contra as milícias pró-russas.

O presidente da Câmara de Donetsk, Alexander Lukianchenko, informou na terça (27) que os combates na cidade tinham deixado pelo menos 40 mortos, incluindo quatro civis, enquanto os rebeldes pró-russos contabilizaram pelo menos 100 mortos.

Donetsk

Uma calma inquietante voltou às ruas de Donetsk nesta quarta após a maior batalha contra um levante separatista pró-Rússia no leste da Ucrânia, um conflito transformado pela vitória eleitoral de um líder pró-Europa que prometeu esmagar a revolta.

Forças do governo mataram dezenas de combatentes rebeldes na segunda e terça-feira em uma ofensiva para reconquistar um aeroporto Que tinha sido tomado por forças separatistas na manhã seguinte à eleição de Petro Poroshenko como presidente.

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Após a ofensiva do governo - na primeira vez em que Kiev lançou toda sua força militar contra combatentes após semanas de contenção - os necrotérios estavam cheios de corpos de combatentes rebeldes. Alguns não tinham membros, em um sinal do forte poder de fogo que foi usado contra eles.

Representantes dos separatistas disseram que cerca de 50 combatentes morreram e diversos ficaram feridos. O governo afirmou que não sofreu baixas na operação, que contou com apoio aéreo e incursão de paraquedistas.

Poroshenko, um magnata do ramo de confecção que se tornou o primeiro ucraniano desde 1991 a vencer uma corrida presidencial no primeiro turno, repetiu sua promessa de restaurar o controle do governo rapidamente em áreas sob domínio de separatistas.

"Estamos em um estado de guerra no leste. A Crimeia está ocupada pela Rússia e há grande instabilidade. Devemos reagir”, disse ele ao jornal alemão Bild. “A operação antiterrorista finalmente começou. Não mais permitiremos que esses terroristas sequestrem e atirem nas pessoas, ocupem prédios e suspendam a lei. Vamos colocar um fim nesses horrores - uma guerra real está sendo travada contra nosso país”.

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A ofensiva apresentou-se como um desafio ao presidente russo Vladimir Putin, o qual fez da defesa de russos em outras partes da ex-União Soviética um pilar de seu governo desde que declarou o direto de utilizar força militar na Ucrânia, em março.

Moscou exigiu que Kiev pusesse fim à operação militar no leste, mas Putin também anunciou a retirada de dezenas de milhares de soldados que havia concentrado na fronteira. Um representante da Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, disse nesta quarta-feira que milhares de soldados russos haviam de fato recuado, embora outros milhares tenham permanecido no lugar.

“Não tenho dúvida de que Putin pode encerrar a luta usando sua influência direta”, disse Petro Poroshenko. “Eu definitivamente quero falar com Putin e manter conversas para estabilizar a situação.”

Em Donetsk, cerca de mil mineiros do setor de carvão fizeram uma manifestação nesta quarta-feira em apoio aos separatistas armados pró-Rússia que estão combatendo as forças ucranianas em defesa da chamada "República Popular de Donetsk".

De modo geral, algumas lojas permaneceram fechadas e as ruas estavam mais quietas do que de costume na cidade, mas a calma havia retornado.

*Com Reuters e Agência Brasil

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