Exército alerta que invasão provocaria a morte das reféns, mas o presidente se recusa a trocar prisioneiros por jovens raptadas

Uma aparente divergência surgiu entre os chefes militares da Nigéria e o presidente sobre como resgatar as cerca de 300 estudantes sequestrados por extremistas islâmicos, nesta terça-feira (27). Enquanto os militares dizem que o uso da força poderia provocar a morte das reféns, o presidente teria afastado a possibilidade de trocar prisioneiros pelas estudantes.

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Marilyn Ogar, da polícia secreta, Chris Olukolade, do Exército, Mike Omeri, da Agência Nacional de Orientação, e Frank Mba, da polícia nacional, na Nigéria (12/05)
AP
Marilyn Ogar, da polícia secreta, Chris Olukolade, do Exército, Mike Omeri, da Agência Nacional de Orientação, e Frank Mba, da polícia nacional, na Nigéria (12/05)


Governo: Jovens raptadas na Nigéria estão distribuídas pelo país

O chefe de Defesa, o marechal da Força Aérea Alex Badeh, anunciou na segunda (26) à noite que os militares localizaram as meninas, mas não ofereceu nenhum avanço sobre o assunto.

"Nós não podemos correr o risco de ter nossas meninas mortas em nome de uma ação para levá-las de volta para casa", disse ele.

Tentativas militares anteriores de libertar reféns levaram a morte de prisioneiros por seus sequestradores, incluindo um britânico e um engenheiro italiano na cidade de Sokoto, que fica ao norte da Nigéria, em março 2012.

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Um ativista de direitos humanos próximo dos mediadores disse que uma troca de extremistas detidos pelas meninas foi negociada há uma semana, mas não deu certo porque o presidente do país, Goodluck Jonathan, recusou-se a considerar uma troca. O ativista falou à Associated Press sob condição de anonimato.

Sete semanas depois de os militantes do Boko Haram raptarem as alunas que faziam provas em uma escola do segundo grau no vilarejo de Chibok, no nordeste nigeriano, pouco se sabe, até agora, sobre o seu paradeiro ou o que os militares estão fazendo para recuperá-las.

“A boa notícia para os pais das garotas é que sabemos onde elas estão, mas não podemos dizer a vocês”, disse Badeh, de acordo com a agência estatal de notícias. “Mas onde elas estão, podemos chegar lá com força? Não podemos matar nossas garotas em nome do esforço para salvá-las”.

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A maioria das autoridades acha que qualquer operação de resgate seria muito perigosa e provavelmente não valeria o risco de as alunas serem mortas por seus sequestradores – um grupo islâmico que mostrou um alto grau de inclemência na matança de civis.

Desde o sequestro das meninas, de acordo com uma conta da Reuters, pelo menos 470 civis morreram de forma violenta em várias localidades pelas mãos do Boko Haram, que diz lutar para estabelecer um Estado islâmico na religiosamente mesclada Nigéria.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, classificou o grupo como “a Al Qaeda do oeste da África”.

A rede britânica BBC relatou nesta segunda-feira que um acordo estava próximo para resgatar as garotas em troca de prisioneiros do Boko Haram – exigência pública do grupo – mas que este esforço foi cancelado no último minuto.

Durante o fim de semana, o presidente do Senado e a terceira autoridade mais importante do país, David Mark, descartou um acordo com o Boko Haram, cujo nome significa “a educação ocidental é um pecado” na língua Hausa, do norte do país.

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“Este governo não pode negociar com criminosos e não irá trocar pessoas por criminosos. Criminosos serão tratados como tal”, teria dito ele, segundo a mídia local.

A Nigéria aceitou a ajuda de Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e China na semana passada, e cerca de 80 soldados norte-americanos começaram a chegar ao vizinho Chade para iniciar uma missão de resgate.

Aviões não-tripulados de vigilância, os chamados drones, estão vasculhando a floresta de Sambisa, onde pais dizem que as garotas foram vistas pela última vez. Mas a floresta tem uma área de 60 mil quilômetros quadrados, mais que duas vezes o tamanho de Ruanda, e os rebeldes conhecem o terreno profundamente.

A Nigéria e os seus vizinhos dizem que o Boko Haram, que matou milhares de pessoas durante os cinco anos de sua insurgência no país, agora ameaça a segurança de toda a região.

*Com AP e Reuters

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