Farzana Parveen foi atacada por cerca de 20 familiares após ter se casado com Mohammad Iqbal; ela estava grávida, diz policial

Uma paquistanesa grávida foi apedrejada até a morte pela própria família por se casar com o homem que amava nesta terça-feira (27), de acordo com a polícia.

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Mohammad Iqbal senta ao lado do corpo da mulher, Farzana, morta pela própria família, em ambulância do lado de fora de um necrotério em Lahore, Paquistão
Reuters
Mohammad Iqbal senta ao lado do corpo da mulher, Farzana, morta pela própria família, em ambulância do lado de fora de um necrotério em Lahore, Paquistão


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Aproximadamente 20 parentes de Farzana Parveen, 25, incluindo seus pais e irmãos, a atacaram com bastões e tijolos em plena luz do dia diante de uma multidão de curiosos em frente ao Tribunal Superior de Lahore, disse o investigador de polícia Rana Mujahid.

De acordo com Mujahid, o pai da mulher foi preso por homicídio. Os oficiais agora investigam se outras pessoas participaram do crime hediondo que chocou o país.

Segundo o advogado Mustafa Kharal, o marido de Farzana, Mohammad Iqbal, 45, foi surpreendido pelos parentes da mulher que a aguardavam do lado de fora do tribunal. Enquanto o casal caminhou até o portão principal, parentes da vítima começaram a disparar tiros para o ar e tentaram arrancá-la dos braços de Iqbal. Ao resistir, a paquistanesa começou a ser golpeada pelo pai, irmãos e outros parentes com tijolos, pedaços de pau e outros materiais encontrados em uma construção.

"Nós estávamos apaixonados", disse Iqbal à Associated Press. O paquistanês alegou que a família da mulher queria saber sobre seus bens antes de consentir o casamento. “Eu simplesmente a levei a um cartório e registrei o casamento, enfurecendo sua família”, explicou Iqbal.

O pai de Parveen se rendeu após o incidente e chamou o assassinato de um "crime de honra". Centenas de mulheres são mortas todos os anos no Paquistão - onde grande parte da população é muçulmana - pelos chamados "crimes de honra".

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Nesses casos, o assassinato é cometido por maridos ou parentes como punição por um suposto adultério ou outro comportamento sexual ilícito, mas apedrejamento público é extremamente raro.

Casamentos arranjados são uma norma entre os paquistaneses conservadores, que veem o casamento por amor como uma transgressão. A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, um grupo privado, informou, por meio de relatório no mês passado, que cerca de 869 mulheres foram assassinadas em crimes de honra em 2013. Mas até mesmo os paquistaneses que monitoram esse tipo de violência expressaram choque com a natureza brutal e pública do crime cometido nesta terça.

"Eu nunca ouvi falar de nenhum caso onde a mulher tenha sido apedrejada até a morte, e a coisa mais vergonhosa e preocupante é que essa mulher foi morta na frente de um tribunal", disse Zia Awan, advogado e ativista dos direitos humanos.

Ele explica que os paquistaneses que cometem violência contra as mulheres são muitas vezes absolvidos ou entregues a penas leves por causa do descaso no trabalho policial ou falhas jurídicas.

"Se a família não perseguir esses casos, a polícia não vai investigar de maneira adequada. Como resultado, os tribunais aplicam penas leves para os criminosos ou até mesmo os absolve", disse ele.

O advogado explica que Iqbal começou a ver Parveen após a morte de sua primeira mulher, com quem teve cinco filhos. Ele também confirmou que Farzana estava grávida de três meses.

Segundo Mujahid, o pai da paquistanesa morta disse que "Eu matei a minha filha porque ela havia insultado toda a nossa família ao se casar com um homem sem o nosso consentimento, e não tenho nenhum pesar sobre isso". Mujahid disse o corpo da mulher foi entregue a seu marido para o enterro.

*Com USA Today e Fox News

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