Equipe composta por monitores da Dinamarca, Suíça, Turquia e Estônia entrou em contato pela última vez segunda-feira (26)

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, OSCE, perdeu o contato com uma de suas equipes de monitores perto da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia, onde os militantes pró-Rússia estão lutando contra as forças do governo de Kiev, anunciou a entidade nesta terça-feira (27).

Hoje: Exército ucraniano retoma controle do aeroporto de Donetsk

Corpo de um pró-Rússia morto durante confronto com as forças do governo ucraniano do lado de fora de necrotério em Donetsk, Ucrânia
AP
Corpo de um pró-Rússia morto durante confronto com as forças do governo ucraniano do lado de fora de necrotério em Donetsk, Ucrânia


Ontem: Ucrânia lança ataque com jatos contra pró-russos em aeroporto

A equipe de quatro monitores - um estoniano, um suíço, um turco e um dinamarquês - entrou em contato com um posto de controle rodoviário na segunda-feira por volta das 6 horas (horário local) e ainda não tinha restabelecido o contato, informou nesta terça-feira um porta-voz da missão da OSCE, baseado em Kiev.

De acordo com a organização, cuja sede fica em Viena, os monitores estavam em uma patrulha de rotina ao leste de Donetsk. A OSCE afirmou que ainda não conseguiu restabelecer a comunicação com a equipe de monitores.

"Continuamos com nossos esforços e utilizando os nossos contatos na região. O governo ucraniano, bem como as autoridades regionais, já foram informadas da situação". Um enviado ocidental próximo à OSCE disse que "É uma situação muito assustadora."

No início de maio, os rebeldes pró-Rússia no leste da Ucrânia libertaram sete observadores militares europeus de uma missão da OSCE depois de mantê-los como reféns por oito dias.

A organização, integrada por 57 países e que visa prevenir conflitos e promover a democracia no continente, decidiu por unanimidade em março enviar monitores civis a toda a Ucrânia para tentar ajudar a resolver a crise, até agora sem muito sucesso. A missão é composta por cerca de 282 pessoas, incluindo 198 observadores internacionais civis de 41 países da OSCE, de acordo com o site da organização.

Retomada de aeroporto

O ministério do Interior da Ucrânia anunciou nesta terça que o Exército está no controle do aeroporto de Donetsk após um dia de confrontos sangrentos.

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Segundo os rebeldes, ao menos 30 separatistas pró-Rússia foram mortos depois da tentativa de assumir o aeroporto, na segunda (26). Enquanto isso, o presidente eleito, Petro Poroshenko, prometeu combater os "terroristas" no leste "dentro de horas, e não meses".

A cidade oriental de Donetsk amanheceu com tumultos nesta terça, um dia depois de as forças do governo terem usado caças para tentar conter separatistas pró-Rússia que ameaçavam assumir o aeroporto. O prefeito disse que 40 pessoas foram mortas e foi à televisão para pedir aos moradores que fiquem em suas casas.

Com 1 milhão de habitantes, a cidade foi engolida por confrontos violentos na segunda (26). Os insurgentes foram repelidos pelas forças do governo que utilizam jatos de combate e helicópteros nos confrontos. Jornalistas da Associated Press testemunharam uma intensa troca de tiros durante todo o dia e à noite. Nuvens de fumaça tomaram conta do local.

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O prefeito de Donetsk, Oleksandr Lukyanchenko, foi citado pelo portal de notícias local Ostrovas dizendo que 40 pessoas, incluindo dois civis, foram mortas em combates na segunda-feira.

De acordo com Leonid Baranov, do grupo separatista República Popular de Donetsk, que estava no necrotério Kalinin, outros cerca de 30 insurgentes foram mortos ao serem transportados para um hospital da cidade. Ele explicou que o caminhão com os rebeldes foi alvejado pelas forças do governo no caminho para o centro médico. Ele disse que outras centenas ficaram feridos nos combates.

Jornalistas da AP viram muitos cadáveres empilhados no necrotério Kalinin, mas não podiam contá-los imediatamente ou confirmar as declarações de Baranov.

As batalhas aconteceram após o magnata do chocolate Petro Poroshenko reivindicar sua vitória na eleição presidencial de domingo (25). Poroshenko, que ainda será empossado, prometeu negociar uma saída pacífica para a insurgência no leste, mas também chamou os separatistas de "piratas somalis", e prometeu que iria impedi-los de semear mais caos.

Mais violência

No início de terça, homens não identificados invadiram a principal arena de hóquei de gelo de Donetsk e incendiou-a, de acordo com gabinete do prefeito. A arena, de propriedade de um parlamentar local, estava cotada para receber os campeonatos mundiais de 2015.

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Na região vizinha Luhansk, que como Donetsk declarou sua independência do governo central ucraniano, o serviço de guardas de fronteiras disse que seus oficiais travaram um longo tiroteio com um grupo de homens armados que tentavam transpor a fronteira com a Rússia. Ele disse que um intruso foi ferido e os guardas de fronteira apreenderam vários veículos carregados com fuzis Kalashnikov, lança-granadas, foguetes e explosivos.

Em discurso televisionado, Vitaly Yarema, vice-premiê da Ucrânia, disse que a "operação anti-terrorista" no leste da Ucrânia vai continuar "até que todos os militantes sejam aniquiladas."

Em Moscou, o chanceler russo, Sergey Lavrov expressou forte preocupação nesta terça sobre a decisão das autoridades "para intensificar a operação militar no leste" e pediu um fim imediato da luta.

Poroshenko, conhecido por seu pragmatismo, Poroshenko afirmou ainda querer criar laços mais fortes com a Europa, mas reconheceu a importância das relações com Moscou. Ao reiterar sua vitória, ele disse que seu primeiro passo como presidente seria visitar o conturbado leste do país.

*Com AP e Reuters

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