Pró-russos invadiram o aeroporto internacional de Donetsk; as explosões e tiroteios duraram cerca de duas horas na região

Aviões de combate do governo ucraniano conduziram ataques aéreos contra rebeldes pró-Rússia que invadiram o aeroporto internacional de Donetsk nesta segunda-feira (26), enquanto ambos os lados encenam uma agressiva demonstração de força após a eleição de um novo presidente, Petro Poroshenko.

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Coluna de fumaça no aeroporto internacional de Donetsk durante intensos combates entre as forças ucranianas e pró-russos, na Ucrânia
Reuters
Coluna de fumaça no aeroporto internacional de Donetsk durante intensos combates entre as forças ucranianas e pró-russos, na Ucrânia


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Jornalistas da Reuters viram fumaça negra emanando de uma das áreas do aeroporto após cerca de duas horas de sucessivas explosões e tiroteios, enquanto jatos sobrevoavam o local. Uma autoridade do setor de segurança disse que paraquedistas haviam pousado em meio a um dos piores confrontos na Ucrânia desde o início da violência no leste, há dois meses.

Um porta-voz da operação conjunta das forças ucranianas na região disse ter esgotado o prazo para que os rebeldes se rendessem e que dois jatos Sukhoi Su-25 haviam feito disparos de alerta em torno do Aeroporto Internacional Sergei Prokofiev.

"Em resposta, os guerrilheiros abriram fogo a esmo com todo o tipo de armas", disse ele, antes de um MiG-29 também ser acionado.

Um segundo porta-voz, Vladislav Seleznyov, disse que "um MiG-29 participou de um ataque aéreo sobre a área onde os terroristas estão concentrados".

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O primeiro porta-voz disse que o militantes se espalharam pelo terreno do aeroporto, cujo terminal de última geração foi construído por ocasião do torneio de futebol Euro 2012, sediado na Ucrânia. "Nesse momento no aeroporto, paraquedistas pousaram e estão limpando a área."

Novo presidente

O novo presidente eleito da Ucrânia, Petro Poroshenko, não perdeu tempo e prometeu, nesta segunda, restaurar o controle sobre o leste do país com uma operação militar mais eficaz.

Além disso, o líder ucraniano disse que vai se reunir com autoridades russas nas próximas semanas para garantir o empenho delas na resolução da crise. Conhecido por seu pragmatismo, Poroshenko afirmou ainda querer criar laços mais fortes com a Europa, mas reconheceu a importância das relações com Moscou.

Ao reiterar a vitória na votação realizada no domingo, ele disse que seu primeiro passo como presidente será visitar a região industrial de Donbass, onde os separatistas pró-Rússia tomaram prédios do governo, declararam a região indepentende e lutaram contra as tropas do governo nas últimas semanas.

"A paz no país e no oriente são minhas prioridades", disse Poroshenko nesta segunda, sinalizando que traria o fim à campanha muito criticada do exército ucraniano para expulsar os separatistas pró-Rússia do país.

"A operação anti-terrorista não pode e nem deve durar dois ou três meses", disse ele. "Ela deve e vai durar horas."

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O presidente eleito também fez duras críticas aos atiradores pró-russos, comparando-os aos piratas da Somália.

"O objetivo deles é transformar Donbass em uma Somália onde iriam governar com o poder de metralhadoras. Nunca vou permitir que isso aconteça no território da Ucrânia", disse, acrescentando que espera o suporte russo para estabilizar a situação ao leste.

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Em Moscou, o chanceler Sergei Lavrov disse que a Rússia aprecia as declarações de Poroshenko sobre a importância das relações com o governo de Vladimir Putin e a promessa de negociar um fim aos combates na Ucrânia. Mas sugeriu que o governo deveria recuar com as operações das Forças Armadas no leste.

"Estamos prontos para o diálogo com o representante de Kiev, Petro Poroshenko", afirmou Lavrov em uma entrevista, acrescentando que essa era uma chance que "não pode ser desperdiçada". Ele enfatizou ainda que Moscou não via necessidade de qualquer envolvimento por parte dos Estados Unidos ou da União Europeia nessas negociações.

"Nós não precisamos de mediadores", disse ele em tom incisivo.

*Com Reuters e AP

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