Novo presidente da Ucrânia promete restaurar controle sobre o leste do país

Por iG São Paulo |

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Petro Poroshenko pretende criar operação militar mais eficaz e reiterou a importância do apoio russo para acabar com a crise

O novo presidente eleito da Ucrânia, Petro Poroshenko, não perdeu tempo e prometeu, nesta segunda-feira (26), restaurar o controle sobre o leste do país com uma operação militar mais eficaz.

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AP
O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, comemora durante coletiva em Kiev, Ucrânia (25/05)


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Além disso, o líder ucraniano disse que vai se reunir com autoridades russas nas próximas semanas para garantir o empenho delas na resolução da crise. Conhecido por seu pragmatismo, Poroshenko afirmou ainda querer criar laços mais fortes com a Europa, mas reconheceu a importância das relações com Moscou.

Ao reiterar a vitória na votação realizada no domingo, ele disse que seu primeiro passo como presidente será visitar a região industrial de Donbass, onde os separatistas pró-Rússia tomaram prédios do governo, declararam a região indepentende e lutaram contra as tropas do governo nas últimas semanas.

"A paz no país e no oriente são minhas prioridades", disse Poroshenko nesta segunda, sinalizando que traria o fim à campanha muito criticada do exército ucraniano para expulsar os separatistas pró-Rússia do país.

"A operação anti-terrorista não pode e nem deve durar dois ou três meses", disse ele. "Ela deve e vai durar horas."

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O presidente eleito também fez duras críticas aos atiradores pró-russos, comparando-os aos piratas da Somália.

"O objetivo deles é transformar Donbass em uma Somália onde iriam governar com o poder de metralhadoras. Nunca vou permitir que isso aconteça no território da Ucrânia", disse, acrescentando que espera o suporte russo para estabilizar a situação ao leste.

Em Moscou, o chanceler Sergei Lavrov disse que a Rússia aprecia as declarações de Poroshenko sobre a importância das relações com o governo de Vladimir Putin e a promessa de negociar um fim aos combates na Ucrânia. Mas sugeriu que o governo deveria recuar com as operações das Forças Armadas no leste.

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Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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"Estamos prontos para o diálogo com o representante de Kiev, Petro Poroshenko", afirmou Lavrov em uma entrevista, acrescentando que essa era uma chance que "não pode ser desperdiçada". Ele enfatizou ainda que Moscou não via necessidade de qualquer envolvimento por parte dos Estados Unidos ou da União Europeia nessas negociações.

"Nós não precisamos de mediadores", disse ele em tom incisivo.

Eleições

Os ucranianos compareceram em massa às eleições de domingo e deram a vitória a Poroshenko, um bilionário dono de fábricas de chocolate e veterano na política, na esperança de que o empresário de 48 anos possa resgatar o país à beira da falência e guerra civil.

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Após a contagem de cerca de metade dos votos, Poroshenko aparece com 53,7% - porcentagem que seria o bastante para garantir uma vitória em primeiro turno sobre os outros 21 candidatos. Sua adversária mais próxima, a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, conseguiu apenas 13,1% dos votos até o momento e deixou claro que vai aceitar o resultado.

Os rebeldes cumpriram a promessa de bloquear a votação no leste. Menos de 20% das assembleias de voto foram abertas na região e moradores foram intimidados por homens armados a não votarem. Alguns dos poucos centros de votos abertos foram fechados.

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Em todo o país, porém, cerca de 60% dos 35,5 milhões de eleitores da Ucrânia votaram, formando longas filas que serpenteavam em torno de mesas de votação na capital pró-ocidente, Kiev.

Violência

Jornalistas da Reuters perto do aeroporto internacional de Donetsk no leste da Ucrânia escutaram troca de tiros e explosões nas vizinhanças e viram fumaça saindo do perímetro enquanto caças sobrevoavam o local nesta segunda. Homens armados forçaram o fechamento do aeroporto para os voos e assumiram o controle do terminal, exigindo a retirada das forças ucranianas da área.

*Com Reuters e AP

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