No fim da viagem ao Oriente Médio, papa visita memorial às vítimas do Holocausto

Por Reuters |

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Francisco beijou a mão de sobreviventes, fez uma parada não anunciada ao Memorial às Vítimas do Terror Israelense e rezou

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O papa Francisco navegou pelas águas turbulentas do conflito entre Israel e Palestina e humildemente se curvou para beijar a mão de sobreviventes do Holocausto nesta segunda-feira (26), o último dia de uma viagem no Oriente Médio marcada por ousados gestos pessoais.

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AP
Papa Francisco abraça o rabino Abraham Skorka, à esq., e Omar Abboud, líder da comunidade muçulmana da Argentina, em Israel


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“Nuca mais, Deus. Nunca mais!", ele disse no Salão das Lembranças do Museu de Yad Vashem, que serve como homenagem aos seis milhões de judeus mortos pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Quarto papa a visitar Israel, Francisco foi o primeiro a colocar uma coroa de flores na sepultura de Theodor Herzl, visto como o fundador do sionismo moderno que levou à fundação de Israel.

A pedido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ele também fez uma parada não anunciada ao “Memorial às Vítimas do Terror” de Israel, um dia após inesperadamente rezar diante de um muro israelense que é motivo de críticas dos palestinos.

“Eu rezo para todas as vítimas do terrorismo. Por favor, chega de terrorismo”, disse ele suavemente no memorial, onde estão gravados os nomes de civis israelenses mortos principalmente nos ataques de militantes palestinos.

Netanyahu, ao seu lado, agradeceu pelas palavras.

“Nós não ensinamos nossas crianças a usar bombas. Nós ensinamos a paz a elas, mas tivemos que erguer uma parede para aqueles que ensinam no outro lado”, disse ele, acusando os palestinos de provocar a violência.

Cristãos

Cristãos sírios que fugiram de um vilarejo próximo à fronteira com a Turquia após a invasão de rebeldes islâmicos se negam a sair do país, e pediram ao papa Francisco que reze por eles e os ajude a retornar para casa.

Em março, os rebeldes - incluindo combatentes ligados à al Qaeda - capturaram o vilarejo de Kasab, de maioria armênia, na província costeira de Latakia, uma região de forte apoio ao presidente sírio Bashar al-Assad.

Milhares de pessoas fugiram para a cidade de Latakia e acusaram combatentes linha-dura sunitas de perseguir cristãos e desrespeitar seus templos sagrados. Os rebeldes negam as acusações.

Cristãos entrevistados pela Reuters disseram esperar que o papa Francisco, que no domingo visitou Belém, local do nascimento de Jesus, reze pela paz na Síria.

“A visita do papa é sagrada, desejamos que ele trabalhe pela paz e que reze pela paz na Síria”, disse o padre Miron Owadesyan.

O papa argentino fez um apelo urgente pelo fim da guerra na Síria no sábado, no início de sua primeira viagem à Terra Santa como pontífice.

Nos primeiros dias do ataque a Kasab, mais de 1.500 pessoas buscaram refúgio igreja na grego-ortodoxa armena da Virgem Maria, na cidade de Latakia, a 49 quilômetros de distância. A maioria já saiu de lá e agora apenas cerca de 100 pessoas estão morando na igreja de 1.200 anos, sobrevivendo de doações e do apoio do governo.

Israel diz que seu muro na Cisjordânia ocupada foi construído para garantir sua segurança após uma onda de atentados suicidas palestinos há uma década. Já os palestinos vêem o muro como uma tentativa de Israel de tomar as terras que buscam para constituir seu futuro Estado.

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