'Não criem novos problemas', adverte líder do golpe de Estado aos tailandeses

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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O general Prayuth Chan-ocha disse que a nação pode voltar aos tempos de repressão violenta, caso os protestos não terminem

Amparado por um aval do rei da Tailândia, o líder militar do país emitiu uma dura advertência a qualquer tipo de oposição ao golpe anunciado na semana passada: não causem problemas, não critiquem, não protestem - ou então a nação poderá voltar aos "velhos tempos" de turbulência e de violência de rua para conter os protestos.

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AP
O general Prayuth Chan-ocha fala no início da sua primeira coletiva desde o anúncio do golpe de Estado, em Bangcoc, Tailândia


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Durante sua primeira coletiva desde a tomada do poder, o general Prayuth Chan-ocha justificou a ação dizendo que precisava restaurar a ordem depois de sete meses de confrontos cada vez mais violentos entre o governo e manifestantes.

"Eu não estou aqui para discutir com ninguém. Eu quero trazer os problemas a tona e corrigi-los", disse Prayuth na sede do exército em Bangcoc usando uniforme militar branco.

"Todos precisam me ajudar", disse ele, acrescentando: "Não critiquem, não criem novos problemas. Não vai adiantar."

As palavras ríspidas foram proferidas enquanto assessor da ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra informou que ela foi libertada após ficar  sob custódia do Exército por três dias em um local secreto, sem acesso a telefone. O assessor, que falou sob condição de anonimato, disse que Yingluck havia retornado para sua casa.

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No discurso, que durou cerca de 20 minutos, Prayuth advertiu os meios de comunicação e os usuários das mídias sociais que evitem fazer qualquer coisa que possa aumentar os conflitos. Ele também pediu que os manifestantes anti-golpe parem de organizar manifestações.

No início desta segunda, uma ordem real em nome do rei Bhumibol Adulyadej endossou oficialmente Prayuth a governar o país e pediu a "reconciliação entre o povo". Bhumibol, que tem 86 anos e uma saúde frágil, não compareceu à cerimônia. Mas a declaração eliminou qualquer especulação de que o palácio, que havia ficado em silêncio até então, poderia retirar seu apoio à junta militar.

Apesar da ameaça de repressão aos manifestantes anti -golpe, os soldados não usaram a força contra um grupo de ativistas que se reuniu em Bangcoc nesta segunda-feira. Os próprios manifestantes se dispersaram por conta própria, mas disseram que voltariam na terça.

"A liberdade é mais importante , não é?", disse Khao Thitipong. "Se não temos liberdade , não temos vida."

Veja fotos dos conflitos que antecederam o golpe de Estado

Soldado faz ronda em Bangcoc para impedir protestos na Tailândia (20/05). Foto: APSoldados tailandeses são refletidos em um espelho enquanto guardam sede da polícia tailandesa em Bangcoc (20/05). Foto: APTailandesas fazem 'selfie' enquanto soldados do Exército rondam Bangcoc (20/05). Foto: APManifestante ergue bandeira enquanto passa pela polícia de choque da Tailândia em meio a protestos (maio/2014). Foto: APAcampamento de manifestantes é ataco em Bangcoc, Tailândia (maio/2014). Foto: APAtivistas anti-governo esperam até que o líder Suthep Thaugsuban saia do prédio do parlamento para discursar em Bangcoc, Tailândia (9/05). Foto: ReutersPolicial tailandês ferido recebe ajuda de seus companheiros após a explosão de uma bomba durante manifestações anti-governo, em Bangcoc (18/02). Foto: APManifestante antigoverno fica de prontidão durante pronunciamento de líder opositor Suthep Thaugsuban em Bangcoc, Tailândia (21/03). Foto: APPassageiros de ônibus observam figura de tamanho humano que imita policial na intersecção do monumento da vitória, onde manifestantes protestaram em Bangcoc, Tailândia. Foto: APHomem é visto com rifle escondido em meio a protesto na capital da Tailândia, marcado por tiros e explosões (1/02). Foto: Nir Elias/ReutersManifestante de oposição pintado nas cores nacionais da Tailândia atira pedras contra a polícia neste domingo (12/2013). Foto: ReutersManifestantes querem derrubar primeira-ministra Yingluck Shinawatra (12/2013). Foto: APPremiê anuncia dissolução do Parlamento e convoca eleições após 15 dias de protestos (12/2013). Foto: ReutersManifestante antigoverno (C) é detido por tropa de choque durante confrontos em estádio em Bangcoc, Tailândia (12/2013). Foto: APDurante apitaço, manifestantes ofereceram rosas aos policiais em Bangcoc (12/2013). Foto: APTailandeses bloqueiam entrado do Ministério das Finanças, em Bangcoc (12/2013). Foto: AP

Quarta: Negociações pelo fim da crise na Tailândia permanecem inconclusivas

Por meio de um alto-falante, um soldado insultava os manifestantes, dizendo que eles deveriam recuar. "Vocês ainda se chamam de patriotas?" disse ele.

O militar também acusou jornalistas internacionais de incitar o conflito. "Vocês acham que eles [jornalistas] são bons para a Tailândia?", disse ele antes de enfrentá-los diretamente em Inglês: "Imprensa estrangeira, tenha cuidado."

Prayuth defendeu a aplicação da lei marcial e o golpe de Estado, dizendo que "quando o conflito se intensificou e houve ameaça de violência, tivemos que agir".

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"Nós não estamos fazendo isso pelos soldados. Estamos fazendo isso para proteger a honra e a dignidade dos tailandeses. Nós não podemos recuar. Nós temos que parar de discutir", disse ele. "A coisa mais importante agora é manter a paz e a ordem no país."

A onda de violência começou em novembro do ano passado quando os protestos anti- governo se reuniram em Bangcoc. Ao menos 28 pessoas foram mortas e mais de 800 feridos em ataques com granadas, tiroteios e tiroteios .

Depois de declarar lei marcial no dia 20 de maio, Prayuth convidou rivais políticos e ministros para dois dias de breves conversas de paz para resolver a crise. Mas essas mesas-redondas duraram apenas quatro horas. No final da reunião, Prayuth ordenou que todos fossem detidos e anunciou o golpe na televisão estatal quase imediatamente.

A junta levou sob custódia mais de 200 pessoas, a maioria do governo deposto. A outra parte inclui estudiosos, jornalistas e ativistas políticos vistos como críticos ao regime. Outros ativistas fugiram ou estão escondidos e grupos de direitos humanos descrevem uma atmosfera arrepiante, com soldados visitando casas e levando os críticos.

Prayuth disse que o Exército estava levando as pessoas em custódia para darem tempo para elas "se acalmarem” e que nenhuma delas estava sendo torturada ou espancada.

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"Quando convocados, eles vão ser perguntados sobre o que fizeram. Se ficarem calmos são liberados em no máximo sete dias", disse Prayuth.

Após o discurso, o general respondeu apenas duas perguntas dos repórteres. Questionado se iria nomear um novo primeiro-ministro, ele respondeu rispidamente: "Não pergunte sobre algo que ainda não foi planejado. Acalme-se."

Quando perguntado sobre quando as eleições seriam realizadas, Prayuth disse que elas poderiam acontecer quando a crise terminasse. “Depende das circunstâncias ", disse ele. "Eu não tenho uma agenda."

Então, o general terminou a coletiva de forma abrupta, dizendo "isso é o suficiente."

*Com AP

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