O presidente da Rússia afirma que o caos que levou Yanukovych a sair do poder, em fevereiro, se transformou em uma guerra

O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta sexta-feira (23) que a Ucrânia mergulhou em uma guerra civil.

Segunda: Putin ordena retirada de parte das tropas da fronteira com Ucrânia

O presidente russo Vladimir Putin durante sessão plenária do St. Petersburg International Investment Forum
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O presidente russo Vladimir Putin durante sessão plenária do St. Petersburg International Investment Forum


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Reiterando comentários de outros líderes russos, ele disse a empresários em um evento na cidade de São Petersburgo que há caos no país desde que o presidente pró-Moscou Viktor Yanukovych foi forçado a deixar o poder na Ucrânia, em fevereiro. O caos, disse ele, deu lugar à guerra civil.

Eleições

Putin anunciou ainda que a Rússia vai reconhecer o resultado da votação presidencial da Ucrânia neste fim de semana, mas manifestou a esperança de que o país rompa a operação militar contra os separatistas, no leste.

Durante o fórum de investimento, o presidente russo disse ainda que seu país irá "respeitar a escolha do povo ucraniano" e vai trabalhar com sua nova liderança. Ele disse que a Rússia quer que a paz e a ordem sejam restauradas no país vizinho.

Em Kiev, o presidente interino ucraniano pediu aos eleitores que participem da votação crucial para "cimentar a fundação de nossa nação", mas os insurgentes pró-Rússia ainda lutam contra as forças do governo no leste da Ucrânia.

Violência

Nesta sexta, separatistas pró-Rússia armados emboscaram um comboio de forças ucranianas nesta sexta-feira perto da cidade de Donetsk, no leste do país, dois dias antes da eleição presidencial, e alguns soldados ficaram feridos, disseram fontes militares.

"Eles (os separatistas) estão usando armas automáticas, franco-atiradores e lançadores de granadas contra o batalhão", disse Semen Semenchenko, comandante de um grupo de milicianos pró-Ucrânia chamado de "batalhão da região de Donbass", em sua página do Facebook.

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Yuri Bereza, comandante de forças paramilitares pró-Ucrânia em uma região próxima, que se dirigia para o local, disse à Reuters por telefone: "Os combates ainda estão acontecendo. Nós removemos os feridos". Ele não especificou o número de vítimas.

Na quinta-feira, pelo menos 13 membros de forças ucranianas foram mortos em uma troca de tiros com separatistas armados de Donetsk, um centro industrial no qual os rebeldes proclamaram uma "república do povo" e prometeram prejudicar as eleições presidenciais de domingo.

Recuo das tropas

A Rússia declarou estar retirando as tropas e equipamentos militares das regiões que fazem fronteira com a Ucrânia, mas a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que uma grande “força coercitiva” continua no local.

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Uma retirada de forças na divisa poderia amenizar as tensões na véspera da eleição presidencial ucraniana no domingo, que Estados Unidos e União Europeia esperam fortalecer o combativo governo central. Moscou não cumpriu promessas anteriores para retirar as tropas da fronteira com o leste da Ucrânia, onde separatistas pró-Rússia declararam independência em algumas regiões.

A Ucrânia e seus aliados ocidentais veem as tropas como forças invasoras em potencial, dadas as declarações de Moscou de que tem o direito de intervir no seu vizinho ex-soviético para proteger os ucranianos falantes de russo.

Um general da Otan disse nesta quinta-feira que a Rússia está movendo as tropas, mas que a dimensão da manobra não está clara e que as forças próximas da fronteira continuam sendo uma ameaça em potencial.

“A força que permanece na fronteira é muito grande, é muito capaz e mantém uma postura muito coercitiva”, afirmou o general da Força Aérea dos EUA, Philip Breedlove, comandante aliado supremo da Otan na Europa, em uma entrevista coletiva à imprensa.

A aliança atlântica estimou o número de soldados russos na fronteira em 40 mil, mas Breedlove disse ser cedo demais para determinar o seu tamanho atual. O Ministério de Defesa russo declarou nesta quinta-feira que 15 aviões de transporte e 20 trens levando pessoal e equipamento militar saíram das províncias fronteiriças de Rostov, Belgorod e Bryansk depois de finalizar exercícios militares na região.

A pasta não revelou quantas tropas estavam sendo retiradas nem quantas permanecerão.

“A movimentação de unidades é contínua rumo às estações de embarque, agora que finalizaram os exercícios planejados e testaram o preparo militar em condições reais”, informou um comunicado do ministério.

O Pentágono confirmou algum movimento de recuo das forças russas na fronteira, mas disse se tratar de uma cifra pequena até o momento e se recusou a dar estimativas.

O embaixador dos EUA na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Daniel Baer, disse que o seu país elogiaria a retirada das tropas, mas observou que a movimentação atual não é suficiente para confirmar um recuo total das forças.

Ele ainda criticou os planos da Rússia de realizar “exercícios” aéreos perto da fronteira ucraniana em 25 de maio, mesmo dia da eleição presidencial na Ucrânia.

*Com AP e Reuters

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