Jornalistas exploraram as denúncias apresentadas nas últimas semanas; foi o primeiro debate cujo atual presidente participou

Agência Brasil

A menos de três dias das eleições presidenciais, a Colômbia conseguiu reunir pela primeira vez todos os candidatos para um debate na TV, na noite de quinta (22).

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Presidente Juan Manuel Santos, à dir., que busca a reeleição, cumprimenta Oscar Ivan Zuluaga antes de debate eleitoral na TV (22/05)
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Presidente Juan Manuel Santos, à dir., que busca a reeleição, cumprimenta Oscar Ivan Zuluaga antes de debate eleitoral na TV (22/05)

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Realizado pelo canal privado RCN, o programa foi o primeiro a contar com a presença do presidente Juan Manuel Santos, candidato à reeleição. Ausente nos anteriores, Santos mudou de “estratégia” apósapresentar queda nas pesquisas de intenção de voto e de ver o crescimento de Oscar Zuluaga, do Centro Democrático, partido do ex-presidente e senador eleito Álvaro Uribe.

Grande parte do debate foi marcada pela troca de acusações e denúncias entre Santos e Zuluaga. Os jornalistas que participaram do programa exploraram as denúncias, apresentadas nas últimas semanas, contra o publicitário da campanha santista, JJ Rendón, acusado de ter intermediado dinheiro do narcotráfico para a disputa presidencial de Santos em 2010.

Outro tema foi o vídeoapresentado no último domingo (20), em que Oscar Zuluaga aparece conversando com o hackerAndrés Sepúlveda, funcionário de sua campanha, preso por espionar o processo de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo.

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Santos disse que não recebeu dinheiro do narcotráfico e Zuluaga negou que tivesse usado informações sobre o processo de paz para prejudicar a campanha santista. A insistência nas denúncias, nos primeiros blocos do debate, irritou os demais candidatos, que se referiram ao troca-troca de acusações como “guerra suja”.

Depois, todos os candidatos tiveram tempo para falar um pouco de seus projetos e mostrar tendências. Oscar Zuluaga manteve o posicionamento de que vai rever o processo de paz e que gostaria de um cessar-fogo total das Farc para continuar a negociação, caso seja eleito.

Para analistas, essa posição não seria interessante para a guerrilha, porque representaria na prática “uma rendição”. Os demais candidatos disseram que manteriam o processo de paz.

Em termos ideológicos, os candidatos se dividem desde a extrema direita até a esquerda. Oscar Zuluaga, do Centro Democrático, representa a extrema direita; Marta Ramírez, do Partido Conservador, a direita; Juan Manuel Santos, da coalizão Unidade Nacional, o centro-direita; Enrique Peñalosa, da Aliança Verde, centro-esquerda, e Clara López, do Pólo Democrático Alternativo e União Patriótica, a esquerda.

No encerramento do debate, um dos jornalistas perguntou se Santos e Zuluaga poderiam terminar o programa "fazendo as pazes". Um pouco mais descontraído que no começo, Santos retirou o bóton que representa uma pomba" da paz e o entregou a Zuluaga. "De minha parte, eu ofereço paz", disse.

Zuluaga respondeu que "também queria paz" e os dois apertaram as mãos. Hoje (23), os candidatos voltam a se encontrar para um último debate pela TV Caracol, emissora que disputa com a RCN a liderança da TV aberta privada no país.

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