Rússia e China vetam resolução da ONU sobre julgamento da Síria em Haia

Por iG São Paulo |

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É a quarta vez que os países vetam ação contra a Síria, que teve apoio de 60 países; a guerra civil síria já matou 150 mil pessoas

Rússia e China vetaram nesta quinta-feira (22) resolução do Conselho de Segurança da ONU que visava encaminhar a situação na Síria à Corte Internacional de Justiça para um prossível processo por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, nos três anos da guerra civil no país.

2012: Rússia e China vetam pela terceira vez resolução de sanções da ONU contra Síria

AP
Embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, 1º da esq. para a dir., ergue a mão contra votação do Conselho de Segurança da ONU contra a crise síria


Plano de paz: Rússia e China vetam resolução da ONU contra a Síria

Essa foi a quarta vez que a Rússia e a China bloquearam uma ação do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria. O governo russo é um estreito aliado do presidente sírio, Bashar al-Assad. A resolução, elaborada pela França, teve 62 copatrocinadores, disseram diplomatas. Mais de 150 mil pessoas morreram durante o conflito sírio.

Mais de 60 países assinaram apoiando a resolução elaborada em um movimento dramático para exigir um caminho para a justiça no conflito, que entrou em seu quarto ano. 

Antes da votação, o secretário-geral adjunto da ONU, Jan Eliasson, defendeu aos membros do conselho que ação visava encontrar a unidade e "colocar um fim a este longo pesadelo". O embaixador francês Gerard Araud advertiu: "Um veto encobriria todos os crimes. Seria como vetar justiça.”

Entenda: Por que a Rússia e a China apoiam a Síria?

Mas o embaixador russo Vitaly Churkin entrou na reunião do conselho com um sorriso no rosto, dizendo aos repórteres: "Eu vou possivelmente ser aborrecido". Ele antes havia chamado a resolução de um "golpe publicitário" que prejudicaria os esforços a encontrarem uma solução política para a crise que ativistas dizem já ter matado mais de 160 mil e levou milhões de fugir.

A embaixadora dos EUA, Samantha Power, discursou sobre o veto. "Infelizmente, por causa da decisão da Federação da Rússia em apoiar o regime sírio não importa o que ele faça, o povo sírio não vai ver justiça", disse ela.

O projeto da resolução condenou a "violação generalizada" dos direitos humanos e do direito internacional humanitário por parte das autoridades sírias e milícias pró-governamentais, bem como os abusos e violações por parte de "grupos armados não-estatais" durante os últimos três anos.

O Conselho de Segurança tem sido profundamente dividido sobre a Síria, com os aliados da Síria, Rússia e China, em desacordo com os EUA, seus aliados ocidentais e com outros membros que apoiam a oposição.

A frustração disparou enquanto a comunidade internacional se esforça para encontrar uma solução para a guerra, entregar ajuda humanitária para quase 3,5 milhões de sírios e acabar com a impunidade para crimes hediondos. As tentativas de conversações de paz estão paradas após a renúncia do enviado especial conjunta da ONU que tentou intermediar a crise.

A Síria não faz parte do Estatuto de Roma que criou o Tribunal Penal Internacional, então, a única maneira de encaminhar o país à Haia, tribunal com sede na Holanda, é por meio do Conselho de Segurança.

Embaixador da Síria na ONU, Bashar Ja'afari, enviou uma carta na terça aos países pedindo para não apoiarem a resolução. Uma cópia da carta, obtida pela Associated Press, chama a proposta "tendenciosa" e um esforço para "sabotar qualquer possibilidade de solução pacífica da crise síria liderada pelo próprio povo sírio."

*Com AP e Reuters

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