Explosivos foram lançados de veículos antes deles se chocarem em uma feira livre; país culpa militantes por atentato terrorista

Reuters

Explosivos lançados a partir de dois veículos que avançaram sobre uma feira na província chinesa de Xinjiang mataram 31 nesta quinta-feira (22), noticiou a mídia estatal. Foi o ato violento com mais mortes nos últimos anos na conturbada região, situada no oeste do país.

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Policiais montam guarda perto do local da explosão, que foi isolada, no centro de Urumqi, capital da região autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China
AP
Policiais montam guarda perto do local da explosão, que foi isolada, no centro de Urumqi, capital da região autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China


Muçulmanos uigures: China acusa militantes separatistas por ataque

A China classificou o ataque na capital regional de Urumqi como um "sério incidente violento terrorista" e o chefe da segurança interna, Meng Jianzhu, prometeu intensificar a repressão contra a "arrogância dos terroristas". Noventa e quatro pessoas ficaram feridas.

O país culpa militantes separatistas de Xinjiang pela série de ataques com facas e bombas realizados nos últimos meses. Os veículos se chocaram contra os clientes de uma feira ao ar livre, informaram testemunhas, segundo a agência de notícias Xinhua. Explosivos foram arremessados das janelas e um dos veículos explodiu.

Uma testemunha contou à Reuters ter visto as consequências das explosões enquanto ia para o trabalho. "O ar estava tomado pelo cheiro de pólvora e o som do choro das pessoas", disse ele. "Simplesmente havia muitas (vítimas), pessoas idosas que estavam no mercado pela manhã."

O proprietário de um negócio no local disse à Xinhua ter escutado dezenas de explosões próximas ao parque Renmin, no centro de Urumqi.

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Xinjiang tem sido assolada pela violência nos últimos anos, mas ativistas de direitos civis e grupos de exilados afirmam que as rígidas políticas do governo para a região são as responsáveis por alimentar o descontentamento.

Dilxa Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigur, que opera no exílio, disse em um email enviado à Reuters não ter certeza sobre quem cometeu o atentado. Ele acredita que as políticas de Pequim relacionadas à região precisam ser revistas.

"A volatilidade da situação e as políticas repressivas de Pequim naquela área têm um relação direta com isso", disse Raxit. "Eu peço a Pequim que não utilize esse incidente como uma desculpa para expandir políticas repressivas, mas em vez disso ajuste as políticas e melhore uma situação em deterioração."

"Terroristas cheios de arrogância"

O governo de Xinjiang não estava imediatamente disponível para comentar, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, disse que o ataque "deveria ser condenado de forma conjunta pelo povo chinês e pela comunidade internacional."

"O governo chinês tem a confiança e a capacidade para combater os terroristas", disse Hong em meio aos comunicado feitos diariamente pelo ministério. "Esses terroristas estão cheios de arrogância. Os planos deles não terão sucesso."

O presidente Xi Jinping disse que a polícia iria intensificar a proteção em torno de possíveis alvos de ataques e prometeu "punir severamente os terroristas", segundo informou a Xinhua.

Esse ataque foi o que mais deixou vítimas fatais em uma série recente de atentados em locais públicos na China. Em março, 29 pessoas foram mortas a facadas em uma estação ferroviária na cidade de Kunming.

Um ataque com bombas e facas no início de maio em Urumqi matou uma pessoa e feriu 79. Um carro foi incendiado nos arredores da Praça da Paz Celestial, em Pequim, em outubro, matando cinco pessoas.

A China acusa militantes islâmicos de Xinjiang pelos atentados. Xinjiang, província rica em recursos e localizada estrategicamente na fronteira com a Ásia central, abriga o povo uigur, que fala uma língua turca e possui cultura distinta da maioria na China, de etnia han.

Nas últimas semanas, a China intensificou a repressão contra os uigures na região, prendendo dezenas por espalhar propaganda extremista e fabricar armas, entre outras acusações.

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