Comandante do Exército anuncia golpe de Estado na Tailândia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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O general Prayuth Chan-ocha pediu que a população mantenha sua rotina; é o 12º golpe desde a queda da monarquia, em 1932

O comandante do Exército da Tailândia anunciou golpe de Estado nesta quinta-feira (22), dizendo que a ação foi necessária para restaurar a estabilidade e a ordem após seis meses de impasse político e tumulto.

Ontem: Negociações pelo fim da crise na Tailândia permanecem inconclusivas

AP
Chefe do Exército tailandês, general Prayuth Chan-Ocha, à dir., ao lado do chefe da Marinha, Narong Pipatthanasant, à esq., em reunião na Tailândia (20/05)


Terça: Exército da Tailândia decreta lei marcial, mas nega golpe

O general Prayuth Chan-ocha afirmou, por meio de comunicado transmitido na em rede nacional, que após imposição da lei marcial na terça, a comissão assumiria o controle da administração do país.

"É necessário para manter a paz e manter a ordem de Comando - que inclui Exército, Marinha, forças armadas e a polícia - assumir o controle de governar o país", disse Prayuth, ladeado pelos chefes das forças armadas.

Após decretar a lei marcial, os militares convocaram líderes políticos rivais do país para negociações cara-a-cara. Mas dois dias depois, nenhum acordo foi firmado para quebrar o impasse. Pouco antes do anúncio ser feito, os soldados armados em veículos militares cercaram a instalação onde os políticos estavam reunidos, aparentemente para bloquear a saída dos grupos.

Janeiro: Tailândia decreta estado de emergência em Bangcoc em meio a protestos

Muitas das figuras de maior destaque do país foram convocadas para uma reunião. Entre eles o primeiro-ministro interino - que enviou quatro ministros em seu lugar - o líder anti-governo Suthep Thaugsuban e seu rival do grupo pró-governo camisa vermelha, Jatuporn Prompan. Repórteres na reunião disseram que Suthep e Jatuporn foram escoltados para fora da reunião por soldados.

O funcionário do governo, Paradorn Pattanathabutr, contatado logo após o anúncio, disse que os quatro ministros presentes na reunião ainda estavam sob o poder dos militares.

Veja fotos dos protestos que assolam o país desde novembro

Soldado faz ronda em Bangcoc para impedir protestos na Tailândia (20/05). Foto: APSoldados tailandeses são refletidos em um espelho enquanto guardam sede da polícia tailandesa em Bangcoc (20/05). Foto: APTailandesas fazem 'selfie' enquanto soldados do Exército rondam Bangcoc (20/05). Foto: APManifestante ergue bandeira enquanto passa pela polícia de choque da Tailândia em meio a protestos (maio/2014). Foto: APAcampamento de manifestantes é ataco em Bangcoc, Tailândia (maio/2014). Foto: APAtivistas anti-governo esperam até que o líder Suthep Thaugsuban saia do prédio do parlamento para discursar em Bangcoc, Tailândia (9/05). Foto: ReutersPolicial tailandês ferido recebe ajuda de seus companheiros após a explosão de uma bomba durante manifestações anti-governo, em Bangcoc (18/02). Foto: APManifestante antigoverno fica de prontidão durante pronunciamento de líder opositor Suthep Thaugsuban em Bangcoc, Tailândia (21/03). Foto: APPassageiros de ônibus observam figura de tamanho humano que imita policial na intersecção do monumento da vitória, onde manifestantes protestaram em Bangcoc, Tailândia. Foto: APHomem é visto com rifle escondido em meio a protesto na capital da Tailândia, marcado por tiros e explosões (1/02). Foto: Nir Elias/ReutersManifestante de oposição pintado nas cores nacionais da Tailândia atira pedras contra a polícia neste domingo (12/2013). Foto: ReutersManifestantes querem derrubar primeira-ministra Yingluck Shinawatra (12/2013). Foto: APPremiê anuncia dissolução do Parlamento e convoca eleições após 15 dias de protestos (12/2013). Foto: ReutersManifestante antigoverno (C) é detido por tropa de choque durante confrontos em estádio em Bangcoc, Tailândia (12/2013). Foto: APDurante apitaço, manifestantes ofereceram rosas aos policiais em Bangcoc (12/2013). Foto: APTailandeses bloqueiam entrado do Ministério das Finanças, em Bangcoc (12/2013). Foto: AP

Violência: Ataque a acampamento de ativistas mata dois e fere 22 na Tailândia

"O resto de nós ainda está bem e em locais seguros. No entanto, a situação é muito preocupante. Nós temos que acompanhar de perto. Não sei o que mais pode acontecer", disse ele.

O golpe de Estado anunciado nesta quinta foi o 12 º desde o fim da monarquia absoluta do país, que terminou em 1932. Os militares foram amplamente vistos como simpáticos aos manifestantes que procuram derrubar o atual governo.

Segundo o porta-voz Winthai Suvaree, Prayuth vai liderar o conselho militar que agora governa o país. Suvaree afirmou ainda, em um comunicado divulgado na TV, que a Constituição está suspensa, mas o Senado e todos os tribunais continuariam com suas atividades normais. Os militares depois declararam um toque de recolher das 22h até as 5h, horário local.

"Nós pedimos que o povo não entre em pânico e continue suas vidas normalmente", disse Prayuth. "E os funcionários públicos permaneçam em cada ministério, cumpram suas responsabilidades normalmente."

O Exército ordenou que os acampamentos de manifestantes fossem desfeitos e soldados atiraram para o ar para dispersar ativistas pró-governo unidos nos arredores de Bangcoc, disse um porta-voz do grupo. Os militares detiveram pelo menos um líder dos ativistas, disse.

Uma testemunha da Reuters disse depois que os manifestantes estavam deixando o local pacificamente. Mais cedo, seu líder, Jatuporn Prompan, afirmou que continuariam seus protestos apesar do golpe e da ordem de dispersar.

A Tailândia tem sido tomada por crises de instabilidade política há mais de sete anos. A agitação mais recente no país começou em novembro, quando os manifestantes tomaram as ruas para tentar forçar a primeira-ministra Yingluck Shinawatra a renunciar. Eles a acusaram de substituir seu irmão bilionário, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto em um golpe militar de 2006 e agora vive em exílio auto-imposto para evitar uma sentença de prisão por corrupção.

O chefe do Exército disse que os militares tem como meta também "fornecer proteção" para os estrangeiros na Tailândia. Prayuth invocou os poderes ampliados aos militares na terça e emitiu mais de uma dezena de decretos que incluíam amplos poderes de censura sobre os meios de comunicação, Internet e ameaças vagamente definidas sobre processar adversários.

O militar insistiu que a ação não era um golpe, mas sim uma prevenção contra a violência e uma forma de restaurar a estabilidade no país profundamente dividido. Mas Prayuth forneceu pouca clareza sobre o caminho a ser trilhado daqui para a frente, em meio a especulações, tanto nacionais quanto internacionais, de que a declaração da lei marcial foi o prelúdio de um golpe.

*Com AP e Reuters

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