Chega a 118 o número de mortos após explosões de bombas na Nigéria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Buscas foram interrompidas na noite de terça por causa de um incêndio; prédios correm risco de desabar e serão demolidos

A polícia do esquedrão anti-bomba cavou uma cratera nesta quarta-feira (21) no local onde duas bombas explodiram próximas de um mercado e rodoviária movimentados na cidade nigeriana de Jos após o terrível ataque que deixou ao menos 118 mortos.

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AP
Fumaça toma parte da região central de Jos após explosão de uma bomba em um terminal de ônibus, na Nigéria (20/05)


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As equipes de resgate estão esperando por escavadeiras para demolir edifícios enfraquecidos pela explosão e mover resíduos pesados ​​para que as buscas por mais corpos continuem com segurança, explicou ele.

"Esperamos encontrar mais corpos sob os escombros", disse Abdulsalam.

As forças de segurança isolaram a área repleta de entulho, veículos queimados, edifícios arrasados ​​e escombros – sandálias e chapéus também podem ser vistos pela região.

Gloria Paul está entre as dezenas de pessoas nas proximidades do Hospital Universitário Bingham em busca de seu marido. Tudo o que ela encontrou até agora foi o carro dele estacionado perto do mercado com os vidros quebrados.

Grande parte das vítimas são mulheres e crianças que estavam no mercado, disse Mohammed Abdulsalam, da Agência Nacional de Gestão de Emergências. Pelo menos 118 corpos foram recuperados e 64 pessoas hospitalizadas.

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A busca por sobreviventes foi interrompida na terça à noite após incêndios em edifícios inflamados pelas explosões maciças, ouvidas a quilômetros de distância. Bombeiros lutaram durante toda a noite para apagar as chamas nos edifícios que desabaram, Abdulsalam disse à Associated Press por telefone. 

A cidade estava tensa com temores de que o ataque pode ter vindo dos extremistas islâmicos do Boko Haram, o que poderia inflamar ainda mais a rivalidade religiosa em Jos. A cidade é dividida entre muçulmanos do norte da Nigéria e cristãos da região sul. O grupo terrorista visa impor um Estado islâmico sob a lei estrita da sharia na Nigéria, apesar de 170 milhões de pessoas, ou metade do país, serem cristãos.

O presidente Goodluck Jonathan acusou o Boko Haram pelo ataque de terça, garantindo aos nigerianos que seu governo "continua plenamente empenhado em vencer a guerra contra o terror."

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade do ataque, mas militantes do grupo terrorista têm matado milhares de pessoas por meio de explosões de bombas em grandes centros urbanos. O levante islâmico chamou a atenção internacional após o sequestro de cerca de 300 estudantes que os extremistas ameaçam vender como escravas.

Veja imagens sobre o sequestro das estudantes pelo Boko Haram 

Martha Mark, mãe de Monica Mark, uma das sequestradas em escola nigeriana, chora ao mostrar foto da jovem na casa da família em Chibok, Nigéria (19/05). Foto: APApós possível divisão do grupo de reféns analistas dizem que resgates pode levar anos (8/05). Foto: AFPEstudantes protestam do lado de fora do consulado nigeriano em Nova York, EUA, pelas meninas sequestradas pelo Boko Haram na Nigéria (28/05). Foto: ReutersAluna de uma escola sul-africana, com tradicionais manchas de tinta no rosto, participa de protesto silencioso pelas jovens raptadas na Nigéria (14/05). Foto: APMulher grita durante manifestação incitando o Governo a agilizar o resgate das meninas sequestradas, em Abuja, Nigéria (11/05). Foto: APAtivistas participam da campanha 'Tragam nossas meninas de volta durante vigília realizada no Dia das Mães em Los Angeles, EUA (11/05). Foto: ReutersQuatro estudantes que conseguiram escapar do sequestro feito pelo grupo Boko Haram em escola de Chibok, Nigeria (2/05). Foto: APAbubakar Shekau, suposto líder do grupo extremista Boko Haram, fala sobre o sequestro de estudantes no nordeste na Nigéria (5/05). Foto: APUma mãe não identificada chora durante manifestação com outros pais cujas filhas foram sequestradas em escola de Chibok, Nigéria (29/04). Foto: APManifestante segura cartaz contra os raptos de garotas feito pelo grupo islâmico Boko Haram (5/05). Foto: APManifestantes protestam contra a demora do governo da Nigéria em encontrar as mais de 200 estudantes raptadas de escola em Chibok. Foto: APMulher participa de um protesto exigindo a libertação de meninas da escola secundária que foram raptadas da aldeia de Chibok, Nigéria. Foto: ReutersMulher segura cartaz durante manifestação sobre o sequestro das meninas de uma escola em Chibok, Nigéria (5/05). Foto: Reuters

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Na segunda-feira um carro-bomba em um posto de ônibus matou 24 pessoas no bairro cristão da cidade muçulmana de Kano. Em abril, duas explosões separadas em torno de outra estação de ônibus na capital do país, Abuja, matou mais de 120 pessoas e feriu outras 200.

Os ataques de segunda-feira e terça ocorreram depois que líderes regionais e ocidentais prometeram "guerra total" contra o Boko Haram em uma cúpula realizada no último final de semana em Paris.

A Embaixada dos EUA em Abuja condenou o ataque e disse que os Estados Unidos estão ajudando a Nigéria a "lidar com o extremismo violento". A entidade pediu também calma em Jos.

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"Vimos relatos de que as tensões têm aumentado em Jos e nós nos juntamos as vozes daqueles que estão apelando para a calma", disse por meio de comunicado.

A insurgência tem se tornado cada vez mais mortal na Nigéria, onde mais de 2 mil pessoas foram mortas este ano em comparação com uma estimativa de 3.600 entre 2010 e 2013.

Borno

No estado de Borno, 30 foram mortos em ataques do Boko Haram separados por toda a região, disseram os moradores locais à CNN nesta quarta. Na segunda, os extremistas mataram dez na vila de Shawa, segundo os habitantes. Já na terça-feira, homens armados do grupo terrorista invadiram a vila de Alagarno matando 20.

Ambas as aldeias são perto de onde as estudantes foram sequestrados pelo grupo. Os moradores disseram ainda que além de matar os habitantes, casas foram incendiadas pelos terroristas islâmicos.

Residentes em Shawa disseram que os militantes também usaram metralhadoras contra os moradores e as testemunhas em Alagarno disseram que lojas de alimentos também foram queimadas.

*Com AP e CNN

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