Rússia assina acordo bilionário para fornecer gás à China por 30 anos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

A Rússia tem se esforçado para encontrar mercados de energia alternativos após as ameaças de sanção pela crise na Ucrânia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou um acordo  multibilionário para forncer gás natural à China durante 30 anos nesta quarta-feira (21).

2012: Rússia e China vetam pela terceira vez resolução de sanções da ONU contra Síria

AP
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o da China, Xi Jinping, durante cerimônia em Xangai, China


Entenda: Por que a Rússia e a China apoiam a Síria?

O acordo entre a Gazprom, da Rússia, e a chinesa National Petroleum Corp (CNPC) demorou dez anos para ser concretizado. A concretização vem em um momento chave para Moscou, que tem se esforçado para encontrar mercado de energia alternativo para seu gás, uma vez que enfrenta a possibilidade de sanções europeias por causa da crise na Ucrânia.

Nenhum preço oficial foi divulgado, mas estima-se que o acordo vale mais de US$ 400 bilhões, cerca de 885 bilhões de reais. Em um comunicado ao canal de notícias russo Rossiya, Putin disse apenas que "O preço é satisfatório para ambos os lados.”

"O preço está vinculado, como é previsto em todos os nossos contratos internacionais com parceiros ocidentais, especificamente com a Europa Ocidental, ao valor do gás e do combustível. É tudo absolutamente calibrado", comentou.

2013: Em nota dos Brics, Rússia e China manifestam preocupação com espionagem

As ações da Gazprom subiram 2% após a notícia. O acordo, assinado em Xangai, é esperado para entregar cerca de 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano ao leste da China a partir de 2018.

Nos últimos dez anos, o governo chinês tem obtido o gás de outros fornecedores, como o Turcomenistão, hoje seu maior fornecedor. No ano passado, o país passou a importar gás natural canalizado de Mianmar.

Rain Newton-Smith, diretor de mercados emergentes da Oxford Economics, disse que "Todo o princípio do negócio tem valor simbólico". Essa ação é semelhante em muitos aspectos aos investimentos da China na África, onde o país conduz negociação difícil sobre o preço das matérias-primas, mas em seguida fornece infraestrutura para as economias que estão fazendo negócio.

Para Jonathan Marcus, diplomata e correspondente da BBC, as tensões entre a Rússia e o Ocidente não eram apenas por causa da Ucrânia.

"Há diferenças fundamentais sobre a Síria e sobre a direção em que o presidente Vladimir Putin tem levado seu país. Assim, esse acordo poderia simbolizar um importante momento de transição - quando, tanto em termos econômicos quanto geopolíticos, o olhar da Rússia começa a se voltar mais para o leste do que para o Ocidente.”

Poder da Sibéria

Outro ponto a ser discutido sobre o negócio tem sido a construção de dutos para levar o material até a China. Atualmente existe um gasoduto que atravessa o completo Extremo Oriente da Rússia para a fronteira com o território chinês chamado "O Poder da Sibéria". Esse sistema começou a operar em 2007, três anos após a Gazprom ea CNPC assinaram seu primeiro acordo, em 2004. Mas o financiamento do custo de US$ 22 30 bilhões para enviar o material à China tem sido motivo de discussões mais recentes.

A China é o maior parceiro comercial individual da Rússia, com fluxos de comércio bilaterais de US $ 90 bilhões (R $ 53 bilhões) em 2013. Os dois vizinhos pretendem dobrar o volume de US $ 200 bilhões em 10 anos.

*Com BBC

Leia tudo sobre: chinarussiagas30 anosacordobilionarioputinjinping

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas